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PT escolhe Zarattini após fracasso em encontrar mulher para vice de Tatto na eleição em SP

Deputado federal aceita convite do partido e deve ter nome formalizado nesta quinta (17) pela executiva da sigla

São Paulo

Após tentar durante dias encontrar uma mulher para ser candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa de Jilmar Tatto, o PT recorreu ao deputado federal Carlos Zarattini (SP) para a vaga.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (16) após uma reunião entre Zarattini, Tatto e membros do comando de campanha, a poucas horas do fim do prazo da Justiça Eleitoral para as convenções partidárias.

O deputado, que estava relutante, aceitou o convite, especialmente após um apelo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu nome deverá ser formalizado pela executiva municipal do partido nesta quinta (17).

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) durante sessão na Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 4.abr.2017/Folhapress

Tatto foi oficializado no último sábado (12) como candidato a prefeito, mas a vaga de vice ficou em aberto. Primeiro tentou-se uma mulher negra, para dar peso simbólico à chapa como verdadeira representante da periferia e da diversidade.

A filósofa Djamila Ribeiro foi sondada, mas recusou. Militantes de movimentos populares próximas ao partido, como Carmen Silva e Graça Xavier, ambas ligadas à causa da moradia, também foram cogitadas, mas tampouco emplacaram.

No caso de Graça, por ser membro do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana, o que gerou um entrave jurídico.

O PT passou então a buscar uma mulher, independemente da cor, e chegou ao nome de Selma Rocha, membro da direção do partido e acadêmica ligada à Fundação Perseu Abramo. Mas também houve uma questão legal envolvida, uma vez que ela é professora da USP.

Também circularam como possíveis convidados para a companhia de Jilmar nomes como o do vereador da capital paulista Eduardo Suplicy, o da professora e ex-primeira-dama Ana Estela Haddad e o do ex-deputado federal Vicente Cândido.

Desde o início da semana, o partido mudou novamente de estratégia e começou a cogitar um deputado para compor a chapa, com o argumento de dar mais peso político à candidatura. A orientação partiu de Lula.

Alexandre Padilha, que perdeu a disputa interna para Tatto, foi convidado, mas recusou por dar aulas de medicina em uma universidade particular. Médico e ex-ministro da Saúde, ele poderia reforçar o discurso na área em um momento de pandemia.

Por fim, chegou-se a Zarattini, que havia recusado uma primeira sondagem, mas finalmente cedeu. O partido resolve assim uma questão interna, já que Zarattini e Tatto ocuparam o posto de secretário de Transportes na gestão Marta Suplicy (2000-2004) e sempre disputaram a paternidade do bilhete único.

O discurso, agora, é o de dividir os méritos: Zarattini concebeu o bilhete, e Tatto o implementou.

À exceção de Fernando Haddad, os petistas que já ocuparam a prefeitura estão hoje em terrenos adversários. Marta declarou apoio à reeleição de Bruno Covas (PSDB) e, por discordar de seu partido, o Solidariedade, no endosso a Márcio França (PSB), pediu desfiliação da legenda no fim de semana.

Luiza Erundina (PSOL) é a vice de Guilherme Boulos (PSOL), visto hoje como o principal rival da candidatura do PT na capital.

Em seu quarto mandato na Câmara dos Deputados, Zarattini, 61, também foi deputado estadual e vereador na capital paulista. Antes de ocupar cargos eletivos e ter funções em gestões petistas, fez parte da diretoria do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

A candidatura de Tatto, 55, até agora não tem empolgado o partido, nem parte considerável da esquerda e dos movimentos sociais, que têm dado apoio a Boulos. A candidatura oponente também ganhou a adesão de artistas e intelectuais historicamente apoiadores do PT.

O núcleo próximo a Jilmar tem minimizado esses contratempos, sob o argumento de que o partido tem capilaridade na cidade e que o candidato ganhará musculatura quando a campanha efetivamente começar.

A convenção que oficializou a entrada do petista na disputa municipal teve a participação virtual de Lula, mas o grau de envolvimento do ex-presidente na campanha ainda é incerto.

Lula, que vinha sendo criticado internamente no PT pela falta de apoio explícito a Tatto, fez uma defesa enfática da candidatura em mensagem gravada em vídeo. “A partir de São Paulo e de cada cidade desse país, vamos juntos reconstruir o nosso querido Brasil”, disse.

O PT foi o último partido a definir o nome de vice na corrida eleitoral paulistana. Na tarde desta quarta, ao confirmar sua candidatura pelo Republicanos, o deputado federal Celso Russomanno anunciou que terá a companhia de Marcos da Costa (PTB).

Costa já havia sido escolhido candidato a prefeito por seu partido, que recuou na decisão e resolveu embarcar na campanha de Russomanno, que deve contar com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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