Sucesso nas redes sociais, Leandro Assis e Triscila Oliveira estreiam como chargistas da Folha

Crítica à desigualdade social, dupla usa os quadrinhos para 'constranger a elite branca brasileira'

São Paulo

O roteirista e quadrinista Leandro Assis, 46, e a escritora e ativista Triscila Oliveira, 35, são os novos chargistas da Folha. A dupla faz sucesso nas redes sociais com críticas à desigualdade social e ao racismo nas séries de quadrinhos "Os Santos" e a "A Confinada".

Os artistas passam a ocupar o espaço de Hubert, um dos fundadores do Casseta & Planeta. A publicação será sempre às quartas-feiras, na página A2 e nas demais plataformas do jornal.

Leandro e Triscila, ambos cariocas, não se conhecem pessoalmente. Ele vive em Portugal há dois anos e descobriu a niteroiense pela internet. Hoje, a dupla trabalha via WhatsApp.

“Eu buscava alguém para me ajudar a tratar desses assuntos, porque sou um cara branco, de classe média do Rio. A partir dos trabalhos da série ‘Os Santos’, que retrata o dia a dia das domésticas, eu comecei a receber muitos agradecimentos e também colaborações. Comecei um papo com a Triscila e a chamei pra trabalhar comigo”, conta Leandro.

Foi o governo de Jair Bolsonaro que fez os quadrinhos de Leandro ganharem fama na internet. "Antes eu fazia uma sátira das lives dele. Depois comecei a retratar mais o perfil de eleitores dele que quer a volta da ditadura militar e o fim do Ministério da Cultura", diz o ilustrador.

Após "Os Santos", a dupla também lançou "A Confinada", que faz as mesmas críticas sociais tendo como contexto a pandemia do coronavírus. ​

Ativista contra a desigualdade social e o racismo, Triscila já trabalhou como empregada doméstica e vem de uma família que atua há gerações na profissão. Até pouco tempo, trabalhava no comércio.

“Amo cinema e sonho em ser roteirista desde os 12 anos. Hoje, estou estudando para entrar profissionalmente na área.”

A crítica social será mantida no trabalho da dupla na Folha. “Não precisamos fazer nada político, porque o jornal já faz bem isso. Acho que podemos fazer as pessoas refletirem sobre si mesmas e sobre a desigualdade, que foi escancarada pela pandemia. Quem não a via antes, agora teve de enxergá-la. Há muitos Brasis dentro do nosso país”, diz Triscila.

Leandro vê a necessidade de focar a crítica mais na elite brasileira do que na classe política.

“Meu ponto de vista é que precisamos constranger mais os brancos, a classe alta, os ricos. A elite brasileira continua sendo escravocrata, quer manter seus privilégios. Já se fala muito de racismo, mas ainda sinto que os brancos, entre eles, ainda continuam falando da mesma forma e achando engraçado certas piadas.”

Antes desenhista por hobbie, Leandro trabalhou como roteirista filmes, como “A Mulher Invisível” (2009) e “Sob Pressão” (2016), e em séries, entre elas “Surtadas na Yoga”, com Fernanda Young, e “Magnífica 70”, da HBO, Brasil. Hoje, ele também dedica seus dias a ilustração em livros e história em quadrinhos.

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