Descrição de chapéu Eleições 2020 datafolha

82% dos moradores de SP são a favor de auxílio mensal pago pela prefeitura, mostra Datafolha

Proposta foi feita inicialmente por Russomanno e levou vereadores a aprovarem projeto semelhante com apoio de PSDB e PT

São Paulo

A população de São Paulo apoia de forma maciça, segundo pesquisa Datafolha, que a prefeitura da cidade pague um auxílio mensal para pessoas sem renda ou com renda muito baixa. A proposta ganhou força em meio à pandemia de Covid-19.

Defendem a medida 82% dos entrevistados. Declaram-se contrários 16%, enquanto 1% é indiferente e 1% não soube responder.

O Datafolha ouviu 1.204 eleitores na capital paulista nos dias 20 e 21 de outubro. A margem de erro da pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O projeto do auxílio municipal, inspirado na renda emergencial federal criada pelo Congresso após iniciativa do Executivo, tornou-se um cabo de guerra político na cidade de São Paulo.

A proposta inicialmente foi feita pelo candidato Celso Russomanno (Republicanos), e rapidamente se tornou uma de suas principais bandeiras de campanha.

Para abrir espaço no Orçamento municipal, ele propôs renegociar a dívida de São Paulo com a União, o que depende do Senado. Deputado federal, Russomanno alardeia que teria a seu favor a boa relação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e trânsito fácil no Congresso para aprovar e medida.

A ideia foi concebida pelo marqueteiro da campanha, Elsinho Mouco, para se tornar uma de suas marcas. Ela não consta do programa de governo apresentado por Russomanno ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no registro da candidatura.

Em resposta à iniciativa, outros candidatos e partidos começaram a defender ações semelhantes.

Uma articulação liderada pelo PSDB do prefeito Bruno Covas, candidato à reeleição, e pelo PT, que lançou Jilmar Tatto à prefeitura, levou a uma mobilização na Câmara Municipal para resgatar um projeto do vereador petista Eduardo Suplicy.

Suplicy tem como bandeira histórica a criação de um projeto de renda mínima universal, que garante um valor em dinheiro a todos os cidadãos.

A ideia nunca prosperou na cidade, no entanto, até ser retirada da gaveta a toque de caixa. O vereador não gostou do modelo implementado, contudo, e disse que não representava fielmente a sua proposta.

Pela versão aprovada pelos vereadores em sessão na última quinta-feira (22), famílias cadastradas no Bolsa Família e trabalhadores ambulantes receberão um valor mensal de R$ 100 por integrante do grupo familiar durante três meses —outubro, novembro e dezembro.

O benefício teve como justificativa o momento de crise econômica provocado pela pandemia. A previsão é que atenda 1,3 milhão de pessoas.

A proposta foi vista como estratégia para esvaziar o discurso de Russomanno, que está tecnicamente empatado com Covas segundo a última pesquisa Datafolha, com o tucano numericamente a frente.

O candidato do Republicanos vem desidratando e perdeu sete pontos desde o levantamento anterior, recuando de 27% para 20%. Covas tem 23% das intenções de voto.

Previsivelmente, o apoio ao auxílio emergencial é mais acentuado nas camadas de menor renda do eleitorado, como mostra o Datafolha.

Ele chega a 88% entre os que recebem até dois salários mínimos, índice que cai para 73% no grupo dos que têm renda mensal superior a dez salários mínimos.

Entre os contrários ao auxílio municipal, o maior patamar ocorre na faixa que recebe entre cinco e dez salários mínimos mensais, com 28%.

A pesquisa mostra que 50% dos entrevistados em São Paulo relataram que sua renda familiar diminuiu em razão do coronavírus. Para 30%, ela diminuiu muito, e para 20%, um pouco.

Dos entrevistados, 43% disseram que a renda ficou igual, e apenas 7% relataram ter havido aumento.

O candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomanno, que defende a criação de um auxílio emergencial paulistano, em carreata no Grajaú, na zona sul da capital
O candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomanno, que defende a criação de um auxílio emergencial paulistano, em carreata no Grajaú, na zona sul da capital - Marcello Fim/Republicanos

O levantamento indica ainda que o estrato mais rico da população foi relativamente menos penalizado com a queda de renda em razão da pandemia.

Na faixa dos que ganham mais de dez salários mínimos, 12% relataram aumento de renda, 60% disseram que ela ficou igual e apenas 28% afirmaram que diminuiu.

Os dados também reforçam o potencial eleitoral da criação do auxílio paulistano, e o espaço para o crescimento do papel da prefeitura na renda familiar.

Apenas 16% dos entrevistados afirmaram que recebem algum tipo de auxílio financeiro ou de alimentação da Prefeitura de São Paulo. Na faixa mais pobre, dos que têm renda mensal de até dois salários mínimos, esse percentual sobe para 25%.

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