Descrição de chapéu Jaboticabal Brasileira

Superficialidade, temas inusitados e crise da água marcam propostas de candidatos em Jaboticabal

Propostas oficiais em disputa pela prefeitura vão de novo título à cidade até produção de fraldas geriátricas

Ribeirão Preto
As propostas de governo dos candidatos à Prefeitura de Jaboticabal (a 342 km de São Paulo) protocoladas com os registros das candidaturas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) são marcadas pela superficialidade nos temas tratados e também por propostas inusitadas.

Ao mesmo tempo em que há informações sobre tributação, saúde e economia nos planos, também há propostas como de fazer a cidade ser reconhecida como a “capital do filtro de cerâmica”, da criação de um barracão para a produção de fraldas geriátricas e do encerramento de transmissões de lives do prefeito em alto-falantes nas ruas de Jaboticabal.

Formas de reduzir a falta d’água, problema crônico da cidade nos últimos meses, está presente nos cinco planos apresentados. Já a pandemia do novo coronavírus, seja por questões sanitárias ou econômicas, aparece em três programas —de José Giácomo Baccarin (PT), Professor João (DEM) e Vitorio de Simoni (MDB).

imagens de cinco homens, todos olhando para a câmera
Os candidatos à Prefeitura de Jaboticabal Professor João (DEM), Baccarin (PT), Vitorio de Simoni (MDB), Professor Emerson (Patriota) e Marcos Bolsonaro (PSL) - Eduardo Anizelli/Folhapress e Facebook Vitorio de Simoni

Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal pode também passar a ostentar o título de capital do filtro de cerâmica se depender da proposta apresentada pelo candidato Professor Emerson (Patriota).

No tópico sobre cultura de seu plano de governo, ele propõe buscar diálogo com os governos estadual e federal para o reconhecimento do título.

“Ele [título] é tão importante como a capital nacional do amendoim, que Jaboticabal também é. A cidade foi construída na base de olarias, que começaram a ser instaladas por imigrantes italianos e portuguesas. Alavancaram a cidade e hoje somos um polo com mais de dez empresas”, disse.

Marcos Bolsonaro (PSL), por sua vez, propôs na assistência social a implantação de um barracão com máquina para que menores aprendizes produzam fraldas geriátricas. É, conforme o plano de governo, uma forma para dar agilidade no atendimento a quem necessita.

Por conta da pandemia, o prefeito José Carlos Hori (Cidadania) passou a fazer lives diárias informando o andamento dos casos do novo coronavírus na cidade, além de falar de outros temas do dia a dia da administração.

Em tese, é algo que deixará de ocorrer após o fim da pandemia (ou ao fim do governo Hori), mas, mesmo assim, Baccarin incluiu em suas propostas o encerramento imediato da transmissão “ao vivo e compulsória” das palavras do prefeito em alto-falantes instalados nas ruas Rui Barbosa e na avenida Pintos.

O boletim é transmitido ao vivo, às 11h, nas redes sociais do prefeito e de veículos de comunicação locais, além dos equipamentos de som instalados por meio de parceria nas vias.

“É um absurdo ter essa comunicação compulsória com a população, ela precisa ter a liberdade de desligar caso não queira ouvir, e ali não tem como”, disse.

Os planos de governo protocolados têm tamanhos variados, de 13 a 52 páginas, mas têm em comum a ausência de informações sobre como fazer as obras propostas ou onde buscar os recursos para os programas neles apresentados.

Há casos pontuais em que o “endereço do dinheiro” é citado, e palavras como incentivar, valorizar, identificar e avaliar fazem parte dos textos nos planos dos candidatos.

João, que propõe a ampliação das cirurgias eletivas, por exemplo, disse que uma dificuldade para prever a origem dos recursos é que o orçamento de 2021 não é feito por quem assumir a prefeitura, mas pela atual gestão.

“Para instituir algum programa [já no ano que vem] teríamos de fazer uma suplementação, transferência de verbas, ou buscar dinheiro via emendas parlamentares.”

Emerson, que propõe a implantação de uma sinfônica e a gratuidade do ônibus para o centro no primeiro sábado após o quinto dia útil, disse que, se fosse detalhar todo o programa, ficaria muito extenso.

“Se esse material fosse impresso, imagine o tanto de papel, e a questão sustentável defendemos como pauta. Nas conversas que temos tido em redes sociais estamos explicando cada ponto.”

Baccarin, ex-prefeito (1989-1992), propõe reduzir o total de alunos nas escolas e creches, com adequação do expediente ao horário de trabalho dos pais e mães --sem citar como fazer isso.

“Reduzir pela metade os cargos de confiança e jogar [o dinheiro] na saúde, que é a área mais pressionada. Na educação, a alternativa é o Fundeb permanente, que começa a vigorar ano que vem. Não dá para divulgar todos os detalhes [no plano], ficaria muita coisa.”

Entre as propostas de Bolsonaro estão criar um sistema de avaliação educacional municipal, implantar escola cívico-militar e adotar um cartão para a compra de materiais escolares em estabelecimentos cadastrados. A Folha o questionou sobre a última proposta --sua família é dona de uma papelaria--, mas o candidato não respondeu.

Atual vice-prefeito, Vitorio planeja a criação de um novo centro industrial e empresarial, com a “aquisição de uma grande nova área”, construir novas creches e escolas —com recursos dos governos estadual e federal— e contratar na educação equipe multidisciplinar para acompanhamento de alunos com autismo e dificuldades e aprendizagem.

Segundo ele, uma das bandeiras de seu governo será a geração de empregos e, por isso, terá de enxugar os recursos de alguns setores para priorizar outro. "Mas tem de buscar recursos fora também. Tem de ter representatividade política, já que a receita é insuficiente para atender todas as demandas."

Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal tem cobertura completa da Folha durante as eleições municipais deste ano.

Uma campanha parelha, problemas estruturais e a atuação restrita da imprensa profissional são alguns dos ingredientes que tornam interessante a cobertura jornalística nessa cidade de 77 mil habitantes.

Jaboticabal, ao contrário do que já ocorre em outras localidades menores, não tem uma TV (comunitária ou educativa) para a transmissão do horário eleitoral gratuito, o que faz com que a campanha seja diferente das disputas dos grandes centros.

Os candidatos, e a própria dinâmica local, são acompanhados diariamente pelo jornal, assim como ocorre nas eleições em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Além dos ingredientes políticos colocados na disputa deste ano, Jaboticabal foi escolhida pela Folha por ser uma cidade com forte peso educacional, com quatro universidades ou centros universitários, e também se destacar economicamente na agricultura e nas indústrias de alimentação e cerâmica.

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