No rádio, candidatos de Jaboticabal ignoram crise hídrica e adotam estilo paz e amor

Políticos tentam colar imagem aos governos de SP e federal na primeira participação no rádio

Ribeirão Preto

No primeiro dia do horário eleitoral gratuito no rádio, candidatos à Prefeitura de Jaboticabal (a 342 km de São Paulo) tentaram colar suas imagens aos governos do estado e federal e adotaram o maior estilo “paz e amor” possível.

Contaram parte de sua trajetória de vida, sem nenhuma menção específica a problemas do cotidiano da cidade, como a crônica falta d’água registrada nos últimos meses, ou críticas a quem quer que seja.

Jaboticabal, com 77 mil habitantes, diferentemente de algumas cidades menores, não tem uma retransmissora local de TV para a transmissão da propaganda eleitoral gratuita, o que obriga os candidatos a levarem suas propostas aos eleitores por meio do rádio e de lives em redes sociais.

Dos cinco candidatos na disputa, três falaram sobre a necessidade de ter ligação com a União e o governo estadual como forma de obter recursos para obras e programas no município.

Marcos Bolsonaro (PSL), o segundo na programação e que estreia na política, foi o primeiro a tentar colar a imagem ao governo federal, presidido por seu primo, Jair Bolsonaro (sem partido).

“Tá no nome, tá no sangue. Então cante o Mito chegou, Deus, nós e o povo”, diz trecho do jingle de campanha, que dominou 70% do pouco mais de um minuto de tempo do candidato.

A música ainda diz que “Jaboticabal agora pode ter seu mito”, numa alusão ao parente distante. Bolsonaro, registrado Borsonaro no nascimento, apenas se apresentou, em seis segundos.

retrato de cinco homens de camisa em imagem, candidatos à prefeitura de jaboticabal
Os candidatos Professor João (DEM), Baccarin (PT) Vitorio de Simoni (MDB), Professor Emerson (Patriota) e Marcos Bolsonaro (PSL) - Eduardo Anizelli/Folhapress e Facebook Vitorio de Simoni

Atual vice-prefeito, Vitorio de Simoni (MDB), que veio na sequência, afirmou que entre as três coisas básicas para ser um bom prefeito está a necessidade de representatividade política.

“Precisamos ter representatividade política, ter bom relacionamento, portas abertas em São Paulo e Brasília, para trazer as verbas necessárias e importantíssimas para fazer as obras que a cidade precisa”, disse ele, que está em sua primeira disputa como candidato a prefeito.

Outro a falar sobre o tema foi o candidato Professor Emerson (Patriota), em sua terceira tentativa de chegar à prefeitura. Ele encerrou o primeiro dia do horário eleitoral e citou a relação de sua legenda com outras esferas governamentais.

“Sou filiado ao Patriota, partido que tem boas relações com o governo do estado e com o governo federal, tenho bons contatos, e meus parceiros também possuem boas ligações”, disse.

O primeiro dia do horário eleitoral foi aberto por José Giácomo Baccarin (PT), que tenta voltar à prefeitura após governar a cidade entre 1989 e 1992.

Ele apresentou a candidata a vice, a ex-prefeita Maria Carlota Niero Rocha (PT), que também administrou a cidade, de 1997 a 2004, e disse que será preciso investir na geração de emprego e renda, na saúde e na assistência social.

Já Professor João (DEM), também estreante na disputa à prefeitura, fez um programa ao lado do seu vice, Claudio Almeida (PSDB), contando a trajetória de vida familiar e profissional de ambos.

Ele, ex-secretário da Saúde, qualificou o momento como “especial” em sua vida e afirmou ter propostas concretas para governar a cidade.

Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal terá cobertura completa da Folha durante as eleições municipais deste ano.

Uma campanha que promete ser parelha, problemas estruturais e a atuação restrita da imprensa profissional são alguns dos ingredientes que tornam interessante a cobertura jornalística nessa cidade de 77 mil habitantes.

Jaboticabal, ao contrário do que já ocorre em outras localidades menores, não tem uma TV (comunitária ou educativa) para a transmissão do horário eleitoral gratuito, o que faz com que a campanha seja diferente das disputas dos grandes centros.

Os candidatos, e a própria dinâmica local, serão acompanhados diariamente pelo jornal, assim como ocorre nas eleições em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Além dos ingredientes políticos colocados na disputa deste ano, Jaboticabal foi escolhida pela Folha por ser uma cidade com forte peso educacional, com quatro universidades ou centros universitários, e também se destacar economicamente na agricultura e nas indústrias de alimentação e cerâmica. ​

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