Descrição de chapéu Eleições 2020

José Sarto (PDT) bate Capitão Wagner e será prefeito de Fortaleza

Médico e deputado estadual supera deputado federal do PROS apoiado por Bolsonaro

Salvador e Fortaleza

O médico e deputado estadual José Sarto (PDT) foi eleito como novo prefeito de Fortaleza pelos próximos quatro anos. Com 100% das urnas apuradas na capital do Ceará, Sarto registrou 51,69% dos votos válidos e superou o deputado federal Capitão Wagner (PROS), que obteve 48,31%.

A vitória de Sarto representa o sucesso de uma ampla frente que se formou em torno do candidato nesse segundo turno, com o apoio de partidos que que vão da esquerda do PT —do governador Camilo Santana, que declarou apoio— e PSOL até a centro-direita de DEM e PSDB, além dos irmãos Ciro e Cid Gomes, que tiveram presença tímida na campanha.

Também consolida uma hegemonia do PDT em Fortaleza, que parte para o seu terceiro mandato consecutivo na capital cearense.

homem de máscara amarela em palanque com outros homens de camisa vermelha
José Sarto (de máscara amarela), durante campanha em Fortaleza - Divulgação

Sarto disse que seu objetivo agora é unir a cidade.

"A minha função é unir Fortaleza. Campanha passou, eleição passou, não se constrói o futuro olhando pelo retrovisor. Meu sentimento, a minha mensagem, que foi acolhida pela maioria dos fortalezenses, é de união, reconstruir essa cidade, com pacificação, tolerância, compreendendo as diferenças que nós temos, mas acima de tudo de unir Fortaleza nesse sentimento de avançar no que já conquistamos e garantir as conquistas e de enfrentar esses desafios que são enormes que nós temos pela frente", disse Sarto.

Derrotado, Wagner afirmou que a população da capital cearense demonstrou que o apoio ao governador Camilo Santana e aos irmãos Gomes não é tão majoritário assim.

"A oposição no Ceará está mais do que viva", disse Wagner. "Quase 625 mil eleitores acreditaram no meu projeto e no da Kamila [Cardoso, sua candidata a vice] , uma quantidade expressiva. Espero que o próximo prefeito possa acertar para ganhar os eleitores que não acreditaram nele."

O governador celebrou a vitória do aliado.

"Fortaleza escolheu, de forma democrática e justa, Sarto prefeito pelos próximos quatro anos. Uma vitória da defesa da verdade, do respeito, da paz e do reconhecimento ao trabalho e à enorme disposição para enfrentar os muitos desafios que virão pela frente", escreveu Camilo em rede social.

No primeiro turno, o governador se manteve neutro porque seu partido, o PT, lançou a candidatura da ex-prefeita de Fortaleza e deputada federal Luizianne Lins. No segundo, porém, entrou de cabeça na campanha de Sarto, participando até de lives com o candidato e atacando Capitão Wagner citando o motim de policiais militares de fevereiro de 2020 que, segundo Camilo, Wagner participou. Ele nega.

"Temos um povo sábio, justo e trabalhador, que sempre buscará a escolha do melhor caminho, com a consciência tranquila e o coração desarmado. Passada a eleição, o momento deve ser da união de esforços em favor da nossa cidade, deixando para trás disputas e mágoas", escreveu Camilo.

Com sete mandatos seguidos como deputado estadual no Ceará, Sarto exercerá um cargo eletivo no poder Executivo pela primeira vez.

Ele foi escolhido como candidato pelo PDT após uma série de debates com outros quatro pré-candidatos. Não havia um nome de consenso, e a decisão por Sarto foi por ele ser mais conhecido da população.

O prefeito eleito entrou na campanha com apoio do prefeito Roberto Cláudio, que é bem avaliado e serviu como seu principal cabo-eleitoral na cidade.

A derrota de Capitão Wagner, por outro lado, representa mais um revés para o presidente Jair Bolsonaro, que apoiou o candidato desde o primeiro turno.

O apoio do presidente a Capitão Wagner esteve no centro do debate no segundo turno Fortaleza. Sarto e aliados como Cid e Ciro Gomes buscaram associar Wagner ao presidente, transformando a eleição na capital em uma espécie de cruzada contra o bolsonarismo.

Capitão Wagner, por outro lado, procurou se desvincular de Bolsonaro, tentando se afirmar como um candidato moderado e fazendo acenos até para os eleitores petistas, ao fazer elogios à ex-prefeita Luizianne Lins.

Ao ser questionado sobre o presidente, Capitão Wagner afirma que não tem padrinho político e construiu a sua vida pública com independência.

A uma semana do segundo turno, entretanto, ele deu uma guinada e passou a falar que seria importante uma parceria com Bolsonaro. No último debate realizado, na sexta (27), pela TV Verdes Mares, retransmissora da Globo no Ceará, chegou a citar ideologia de gênero nas escolas, pauta comum do bolsonarismo.

Essa foi a segunda derrota consecutiva dele para a Prefeitura de Fortaleza. Ex-policial, Wagner ganhou notoriedade ao ser um dos líderes do motim de policiais militares no Ceará em 2011. Em 2012 foi eleito vereador da capital, em 2014 chegou à Assembleia Legislativa do Ceará e em 2018 a Brasília como deputado federal.

No início da campanha, tentou ampliar o alcance de sua candidatura em temas distintos ao da segurança pública, sua especialidade, mas o assunto acabou sendo foco antes do primeiro turno por causa do mais recente motim de policiais, o de fevereiro deste ano.

Wagner nega ter atuado como líder do motim e afirma que atuou como negociador para encerrar o movimento grevista. Para reforçar esse argumento, levou ao ar um vídeo com um depoimento de Sergio Moro, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

No vídeo, Moro não declara apoio ao candidato, mas afirma que Wagner não liderou o motim e pediu ajuda ao Ministério da Justiça por uma solução rápida para encerrar o movimento grevista.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do publicado em versão anterior desta reportagem, o governador do Ceará chama-se Camilo Santana, e não Camilo Pitanga. O texto foi corrigido.

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