Mourão diz que militares da ativa e Forças Armadas devem ficar fora da política

Vice reforça posição do comandante do Exército; governo Bolsonaro tem militares da ativa no primeiro e segundo escalão

Brasília

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira (13) que os militares não devem se envolver com política, especialmente os oficiais que se encontram na ativa .

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mantém alguns militares da ativa em cargos de segundo e primeiro escalão. Dentre eles estão o ministro Eduardo Pazuello (Saúde) e o almirante Flávio Rocha, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

"Nós que somos da reserva é uma outra situação. Os militares da ativa, esses realmente não podem estar participando disso [política]", disse Mourão no fim da manhã, ao sair de seu gabinete.

"A nossa legislação foi mudada no período de 64 porque exatamente o camarada era eleito, participava do processo eleitoral e depois voltava para dentro do quartel. Isso não era salutar", completou.

“Política não pode estar dentro do quartel. Se entra política pela porta da frente, a disciplina e a hierarquia saem pela porta dos fundos”, disse o vice-presidente.

No dia anterior, o comandante do Exército abordou a questão ao responder um questionamento durante transmissão ao vivo do IREE (Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa).

Não queremos fazer parte da política governamental ou política do Congresso Nacional e muito menos queremos que a política entre no nosso quartel, dentro dos nossos quartéis. O fato de, eventualmente, militares serem chamados a assumir cargos no governo, é decisão exclusiva da administração do Executivo”, disse na ocasião Pujol.

Mourão afirmou que essa é uma posição clara dos militares, principalmente após o regime militar (1964-1985).

“Nós já vivemos isso [política nas Forças Armadas] antes do período de 1964, que foi um problema muito sério de politização dentro das forças e que só serviu para causar divisão”, afirmou o vice-presidente, acrescentando que a legislação foi mudada durante o regime militar.

“A política tem paixões, então você vai ter dentro dos quarteis um cara é que é do partido A, outro que é do partido C. Vai ter uma discussão que termina por causar divisões”.

Ao assumir o governo, o presidente Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, convidou diversos militares da ativa e da reserva ou pessoas com formação militar para cargos no governo, como Walter Braga Netto (Casa Civil); Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo); Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); Fernando Azevedo e Silva (Defesa); Eduardo Pazuello (Saúde); e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

O vice-presidente foi também questionado sobre as declarações de Pujol afirmando que o Exército enfrenta dificuldades financeiras e que atualmente é um dos “menores do mundo”.

A situação ganhou ainda mais destaque nesta semana, quando o presidente Jair Bolsonaro, ao responder pressão do presidente eleito Joe Biden em relação ao desmatamento na Amazônia, disse que “quando acabar a saliva [diplomacia], tem que ter a pólvora”.

"Pequenos países na Europa têm o número de aeronaves de caça para defender seu espaço aéreo mais do que todo o Brasil, países que são do tamanho ou menores que muitos estados brasileiros. Nós estamos muito aquém do que o Brasil precisa, que é ter Forças Armadas à sua altura para cumprir suas missões constitucionais, muito aquém“, disse Pujol durante a transmissão.

"As nossas Forças Armadas e o nosso Exército Brasileiro, na minha visão, proporcionalmente, são dos menores do mundo em relação ao tamanho do nosso território e da nossa população e à importância geopolítica, geoestratégica e econômica do nosso país", afirmou.

Mourão novamente concordou com o comandante do Exército, mas informou que os militares entendem a difícil situação econômica enfrentada pelo país.

“É o objetivo permanente das forças [melhorar a estrutura]. Já foi colocado diversas vezes que gente atingisse um patamar de 2% do PIB. Porque as forças vivem com dificuldades”.

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