Descrição de chapéu Legislativo Paulista

Tropa de choque de deputado que apalpou colega em SP inclui ex-petista, delegado, veterano e pastores

Conheça o perfil dos cinco parlamentares que votaram a favor de pena mais branda a Fernando Cury

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São Paulo

Na última sexta (5), cinco deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo votaram por abrandar a punição de Fernando Cury (Cidadania), que apalpou Isa Penna (PSOL) no plenário.

Wellington Moura (Republicanos), Alex de Madureira (PSD), Estevam Galvão (DEM), Adalberto Freitas (PSL) e Delegado Olim (PP) votaram pela suspensão de 119 dias, o que permite a Cury manter seu gabinete em funcionamento.

A proposta do relator Emidio de Souza (PT), por afastamento de seis meses, obteve quatro votos.

A deputada Isa Penna (PSOL) no plenário da Assembleia de SP - Marlene Bergamo/Folhapressa

O resultado vai à votação no plenário, onde Isa acredita ser possível pleitear a cassação. Deputados próximos a Cury creem que não cabe modificar a pena.

Nesta quinta (11), o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB), deu seguimento à tramitação levando o caso ao conselho, responsável por elaborar o projeto de resolução a ser votado.

Os deputados que formam a tropa de choque de Cury são integrantes da base do governo João Doria (PSDB) na Assembleia.

O deputado Fernando Cury (Cidadania), acusado de importunação sexual após tocar no seio da deputada Isa Penna (PSOL) em plenário
O deputado Fernando Cury (Cidadania), acusado de importunação sexual após tocar na deputada Isa Penna (PSOL) em plenário - 5.fev.21/Divulgação Assessoria Fernando Cury

Conheça o perfil de cada um dos integrantes da tropa de choque de Cury.

Adalberto Freitas (PSL), 60

Deputado de primeiro mandato, foi eleito na onda bolsonarista, mas hoje se diz 50% fiel ao presidente —decepcionado com a falta de combate à corrupção e o desincentivo às máscaras. Foi membro do PT e deixou o partido para fundar o PSOL, mas se afastou da esquerda.

Empresário de Itupeva (SP), teve aprovada a lei que institui a Semana de Conscientização da Síndrome Pós-Pólio.

Chegou a ser denunciado pela ex-mulher por injúria e ameaça no âmbito do divórcio, mas diz ter revertido a ação para apontar calúnia dela. Também foi alvo do Conselho de Ética por ter intimidado a deputada Professora Bebel (PT) ao afirmar que tinha funcionários armados em seu gabinete.

"Hoje convivo pacificamente com minha ex-mulher e sou amigo da Bebel. Pedi desculpas à deputada, isso está superado", diz.

Teve quase 30 mil votos na capital e Grande SP. Sua campanha custou R$ 14,5 mil, e seu patrimônio é de R$ 17,7 mil.

O deputado gasta cerca de R$ 16 mil da cota parlamentar mensal, o que inclui aluguel de veículo (R$ 3,7 mil), auxílio moradia (R$ 2,8 mil) e aluguel de imóvel para escritório político (R$ 8 mil).

Adalberto Freitas (PSL)
Adalberto Freitas (PSL) - Carol Jacob - 9.mar.2021/Divulgação Alesp

Alex de Madureira (PSD), 45 

De Piracicaba (SP), Alex, está no primeiro mandato e é pastor da Assembleia de Deus.

É autor de projeto de lei contra o abandono de animais e contra venda de álcool em terminais de ônibus. É autor de lei que proíbe farmácias de exigir CPF sem informar sobre a concessão de descontos.

Em 2019, votou por punição de advertência a Isa Penna pela leitura do poema "Sou puta, sou mulher", de Helena Ferreira, na tribuna.

Teve 118 mil votos espalhados pelo interior e sua campanha teve custo de R$ 508 mil. Tem patrimônio declarado de R$ 290 mil.

Nos últimos meses, gastou cerca de R$ 11 mil de cota parlamentar, incluindo aluguel de carro de R$ 4,4 mil.

Alex de Madureira (PSD) - Divulgação Alesp

Wellington Moura (Republicanos), 42 

Deputado pelo segundo mandato e nascido em Santos (SP), é pastor da Igreja Universal e vice-líder do governo Doria.

Ele é autor de projeto de lei para proibir a "ideologia de gênero" nas escolas e foi autor da CPI para investigação de repasses de verbas às universidades públicas. No âmbito da CPI, Moura diz ter identificado supersalários e desvios.

Tem 18 leis aprovadas, a maioria estabelece datas festivas. Mas ele destaca a que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina.

Suas contas na eleição de 2018 foram reprovadas, e Moura agora tem que pagar uma multa de R$ 21,5 mil devido a recursos de origem não identificada, gastos irregulares pagos com fundo partidário e multa por recursos protelatórios.

Em 2019, votou por punição de advertência a Isa Penna pela leitura do poema "Sou puta, sou mulher", de Helena Ferreira, na tribuna.

Teve 80 mil votos concentrados no litoral e sua campanha custou R$ 922 mil. Tem patrimônio de R$ 47 mil.

Gasta de R$ 20 mil a R$ 30 mil de cota parlamentar, com auxílio moradia de R$ 2,8 mil, aluguel de veículo de R$ 4,2 mil e aluguel de imóvel para escritório político de R$ 5,6 mil.

Wellington Moura (Republicanos)
Wellington Moura (Republicanos) - Bruna Sampaio - 18.nov.2020/Divulgação Alesp

Estevam Galvão (DEM), 78 

Veterano, Estevam exerce o quinto mandato na Assembleia, o quarto consecutivo. A trajetória política começou nos anos 70, como vereador pela Arena, partido de apoio ao regime militar. Como deputado federal, na década seguinte, votou pelo candidato da ditadura, Paulo Maluf, que acabou derrotado por Tancredo Neves.

Com base eleitoral na região do Alto Tietê, na Grande São Paulo, Estevam foi prefeito por quatro vezes de Suzano, município com população hoje estimada em 300 mil habitantes. A passagem mais recente foi de 1997 a 2004.

Em sua biografia na Assembleia, o deputado destaca prêmios recebidos como gestor no enfrentamento à tuberculose, qualidade da merenda e ações para crianças e jovens, mas há questionamentos.

O governo que o sucedeu no cargo, do PT, informa que em 2005, quando o município tinha 55 anos de emancipação, apenas 45% das mais de 1,8 mil ruas da cidade eram pavimentadas. Consultado pela reportagem, o deputado diz que o percentual chega a 70% e feito com mão de obra própria.

Pelo período como prefeito, o deputado responde a três ações na Justiça de São Paulo por improbidade administrativa, uma delas com condenação em 2015 em primeira instância por atrasos que elevaram o custo de construção de uma escola. O processo está em tramitação na segunda instância do tribunal.

Em relação ao patrimônio informado à Justiça eleitoral, Estevam passou de pouco mais de R$1,5 milhão em bens declarados em 2006 para mais de R$ 6 milhões em 2018.

Teve 60 mil votos no Alto Tietê, Vale do Paraíba e Ubatuba. Sua campanha custou R$ 485 mil, e ele bancou 74%. Costuma gastar cerca de R$ 11 mil de cota parlamentar. Nos últimos meses do ano passado, registrou gasto de R$ 8 mil mensais em pesquisa e consultoria.

A maior parte das suas leis tratam de denominações, mas ele destaca o programa Visão do Futuro, de tratamento oftalmológico a crianças, e a isenção de ICMS a alimentos.

"Tenho uma história política bonita, de seriedade e honestidade. Tenho muitas leis excelentes, importantes", afirma, destacando prêmios recebidos.

Estevam Galvão (DEM)
Estevam Galvão (DEM) - Assessoria Deputado Estevam Galvão

Delegado Olim (PP), 62 

Delegado desde os 34 anos, está no segundo mandato e ficou conhecido por investigar o caso Mércia Nakashima.

A maior parte de seus projetos trata de denominações ou classificação de cidades como turísticas, mas também aprovou assistência jurídica gratuita a policiais e tem projetos para crianças com deficiência.

​Chegou a ser investigado por tortura, após relatos de agressões de uma pessoa suspeita de manter um cativeiro, mas não houve comprovação e o caso foi arquivado. "Não fomos nem processados. Fiquei 14 anos com essa dor de cabeça", disse. ​

Em 2019, votou por punição de advertência a Isa Penna pela leitura do poema "Sou puta, sou mulher", de Helena Ferreira, na tribuna.

Teve 161 mil votos na capital, Grande SP e interior. Sua campanha custou R$ 539 mil, e seu patrimônio é de R$ 156 mil.

Costuma gastar cerca de R$ 19 mil de cota parlamentar mensal, com aluguel de carro de R$ 4,4 mil e aluguel de imóvel para escritório político de R$ 10,9 mil.

 Delegado Olim (PP)
Delegado Olim (PP) - Bruna Sampaio - 18.nov.2020/Divulgação Alesp
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