Ocupante de veículo deve estar mais protegido a partir de 2020

Novos modelos de carros terão mais airbags e controle de estabilidade

Veículos trafegam na ligação leste-oeste, no centro de São Paulo

Veículos trafegam na ligação leste-oeste, no centro de São Paulo Eduardo Knapp/Folhapress

Eduardo Sodré
São Paulo

Os carros novos vendidos no Brasil terão mais itens de segurança. A partir de 2020, todos os lançamentos deverão passar por testes de colisão lateral e receber controles de tração e de estabilidade. Outros equipamentos serão adotados até 2030.

As obrigações fazem parte de um pacote definido pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). As montadoras já atendem a algumas das futuras exigências em seus veículos mais caros, mas falta aumentar o nível de proteção dos populares. 

Eric Carneiro, vice-presidente da empresa de tecnologia automotiva Aptiv, diz que a regulamentação possibilita a produção nacional de itens de segurança, já que haverá ganho de escala e consequente redução dos custos.

O executivo explica que esses equipamentos estreiam nos carros premium e depois vão sendo estendidos a veículos mais em conta.

Os airbags frontais, que desde 2014 são obrigatórios em todos os automóveis novos vendidos no Brasil, chegaram ao país em 1990: eram opcionais em modelos Mercedes e BMW, que custavam mais de US$ 100 mil na época.

Para serem aprovados em testes de colisão mais rigorosos, os veículos deverão ser equipados com as bolsas infláveis laterais. A partir de 2021, luzes de direção diurna passam a ser exigidas em todos os lançamentos, que terão também sinal de frenagem de emergência. Esse sistema faz as setas piscarem quando o motorista pisa forte no freio.

As mudanças foram incluídas no programa de incentivo Rota 2030, que reduz a tributação para montadores que atinjam metas de segurança e eficiência energética.

Apesar dos benefícios, a queda nas vendas entre 2014 e 2016 e os investimentos necessários para modernizar os veículos reduziram a rentabilidade no setor.

“O importante é ter regras claras, os investimentos para produzir no país são enormes”, diz Ricardo Gondo, presidente da Renault no Brasil.

A montadora de origem francesa foi a primeira a instalar airbags laterais em um carro popular. O equipamento é item de série no Kwid, que custa a partir de R$ 33.290. Porém, modelos bem mais caros da marca, como o utilitário Duster (R$ 68 mil), ainda não trazem esse item.

Gondo afirma que os próximos automóveis da Renault terão novidades que aumentarão a proteção aos ocupantes. A empresa prepara as atualizações dos compactos Sandero e Logan, que chegam às lojas no segundo semestre.

Devido aos custos e ao momento ainda difícil do mercado brasileiro, a adoção de itens de segurança precisa ser mesmo gradual, segundo Ricardo Jacomassi, diretor da empresa de consultoria TCP Latam.

“O setor automotivo vem se adequando, e as tecnologias já existem, mas o que traz receio é o custo adicional na montagem do carro, que pode impactar nos preços”, diz Jacomassi. Ele acredita que uma eventual melhora da economia abra espaço para acelerar a evolução dos automóveis.

Além do que já foi definido, o Denatran estuda incluir sistema de frenagem autônoma entre as exigências futuras. São sensores capazes de detectar veículos e pedestres à frente e acionar os freios para evitar a batida caso o motorista não esboce reação.

Esse equipamento está presente em alguns carros de luxo e utilitários à venda no Brasil. O modelo de menor preço a trazer o item no país é o Citroën C4 Cactus Shine Pack, que custa R$ 100 mil.

A Anfavea (associação das montadoras instaladas no país) tem feito estudos de viabilidade para adoção das novas tecnologias, mas cobra também outros avanços.

“Essas exigências são necessárias para reduzir o número de acidentes fatais no trânsito, mas serão insuficientes se não forem acompanhadas de melhorias na pavimentação das rodovias, na sinalização e no treinamento dos condutores”, diz Henry Joseph Jr, diretor técnico da entidade.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.