Documentário debate exploração sexual de crianças e adolescentes

Curta-metragem 'Mundo Sem Porteira' reúne reflexões de especialistas e relatos de vítimas

São Paulo

Aos 12 anos, Thaís Cristina já tinha saído de casa e era vítima de exploração sexual infantil. Hoje coordenadora da associação Meninas da Lua, que ajuda crianças na mesma situação, ela conta sua história no documentário “Mundo Sem Porteira”, dirigido por Gisela Arantes.

O curta-metragem, feito com assessoria técnica da Childhood Brasil, reúne relatos de vítimas e entrevistas com especialistas com o objetivo de estimular o debate sobre o crime da exploração infantojuvenil no país. Estima-se que apenas sete em cada cem casos são denunciados, segundo dados do Disque 100 de 2012 e 2015.

Cena do documentário "Mundo Sem Porteira", de Gisela Arantes
Cena do documentário "Mundo Sem Porteira", de Gisela Arantes - Luís Villaça

A produtora Umiharu, responsável pelo lançamento do filme, criou também um guia para debate, disponível no site do documentário. Além de roteiros e sugestões para conduzir a exibição e a  conversa sobre o curta, o documento também esclarece, por exemplo, a diferença entre abuso e exploração sexual e as causas da exploração pelas perspectivas das vítimas e dos especialistas.

Luciana Temer, diretora-presidente do Instituto Liberta, que atua no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, afirma que qualquer material a abordar o tema de maneira adequada é importante para introduzir a reflexão no país. 

“É um não-tema no Brasil, um assunto não discutido”, diz. Ela esclarece que o recorte de abuso infantil é mais presente em relatórios e debates do que a exploração, que envolve algum tipo de remuneração.

O documentário também traz depoimentos de pessoas cujas vidas são atravessadas por esse tipo de exploração com frequência, caso do grupo de caminhoneiros que discute o assunto durante o filme. Eles afirmam já terem sido testemunhas de casos. 

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal de 2017 e 2018, há 2.487 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias federais.

Diferentemente da prostituição, condição em que a pessoa que comercializa sexo é maior de idade e, portanto, capaz de tomar uma decisão, crianças e adolescentes sujeitos a essa situação são considerados vítimas. “Nossa legislação escolheu cuidar dessas crianças até os 18 anos”, diz Luciana.

Assista ao filme:

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