Setor privado mira investimentos estruturais em mobilidade

Em evento, debatedores discutiram entraves logísticos, políticos e legais do setor

São Paulo

Com a recuperação econômica lenta e o orçamento federal para infraestrutura cada vez mais limitado, há uma expectativa de que as grandes obras para a mobilidade no Brasil dependam, cada vez mais, de capital privado. Essa foi uma das conclusões da 3ª edição do seminário Mobilidade e Inovação, promovido pela Folha nesta quarta-feira (30) em São Paulo.

As PPPs (parcerias público-privadas) integrais, nas quais o setor privado constrói e administra os projetos, podem ser mais frequentes no futuro. Luís Valença, presidente da CCR Mobilidade, citou o sistema integrado de transporte público de Salvador (BA).

Depois de cinco anos paralisadas, as obras da Bahia ficaram prontas rapidamente, e o modelo é considerado case de sucesso. 

Quatro homens sentados em poltronas no palco de um auditório
Allan Magalhães (esq.), coordenador-geral de manutenção e restauração rodoviária do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Joubert Flores, presidente do conselho administrativo da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), Luís Valença, presidente da CCR Mobilidade, e Fabricio Lobel, jornalista da Folha - Reinaldo Canato/Folhapress

Do lado do Estado, é preciso haver garantias de que ele irá arcar com suas obrigações financeiras. Luís Valença defende a revisão do marco regulatório para concessões, citando “uma dificuldade enorme” de fazer isso acontecer. “Você entra no negócio, não dá certo, o governo não te paga e você é obrigado a continuar o serviço.”

Joubert Flores, que foi diretor do metrô carioca por 12 anos e hoje preside o conselho administrativo da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), deveria haver um consórcio metropolitano nas capitais que administrasse a política de mobilidade —em vez das prefeituras.

Com isso, seria possível criar uma integração física e tarifária dos modais, o que necessariamente passa por subsídios. "Que deveriam ser pagos por quem anda de carro", disse.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério da Infraestrutura, gasta R$ 4 bilhões —de um orçamento anual de R$ 7 bilhões— com a manutenção de rodovias já existentes. Os projetos em andamento da responsabilidade do órgão estão avaliados na casa dos R$ 50 bilhões.

“A prioridade é concluir empreendimentos”, disse Allan Magalhães, coordenador-geral de manutenção e restauração rodoviária do órgão. A qualidade da manutenção das rodovias, frisou, é diretamente proporcional ao investimento.

O Dnit conseguiu economizar R$ 200 milhões ao criar sistemas digitais para supervisionar a execução das obras e executar trâmites burocráticos. “Temos que otimizar, buscar eficiência nos processos”, afirmou.

O evento, que aconteceu no Unibes Cultural, teve patrocínio da CCR.

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