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Carreira tem a ver com missão, não com felicidade, diz especialista americana

Para Susan Peppercorn, satisfação profissional não está relacionada a sentimentos efêmeros, mas a valores

Anna Satie
São Paulo

Quem quer ser um profissional satisfeito não deve almejar a felicidade no trabalho.

Essa é a tese da americana Susan Peppercorn, coach executiva e especialista em transições de carreira.

A americana Susan Peppercorn, autora do livro “Abandone seu crítico interno no trabalho: estratégias baseadas em evidências para prosperar em sua carreira”
A americana Susan Peppercorn, autora do livro “Abandone seu crítico interno no trabalho: estratégias baseadas em evidências para prosperar em sua carreira” - Divulgação

Peppercorn diz que a felicidade é uma emoção efêmera e que, portanto, não deve guiar as escolhas no trabalho.

Para encontrar uma satisfação mais duradoura, ela recomenda ao profissional avaliar seus propósitos e valores.


Como encontrar satisfação duradoura dentro do trabalho? Algumas vezes, as pessoas acreditam que o dinheiro trará satisfação. Mas estudos têm mostrado que, uma vez que você tem o suficiente para atender suas necessidades de maneira confortável, a satisfação trazida pelo dinheiro não aumenta. Então, faz todo o sentido tentar encontrar um jeito de se sentir feliz com o trabalho. Porém, é um ardil: se a felicidade é sua meta, você pode acabar sentindo exatamente o oposto, porque a felicidade, como todas as emoções, não é permanente. Uma maneira de encontrar satisfação real dentro do trabalho é encontrar uma missão, um valor, algo pelo qual você esteja disposto a lutar. Não é só sobre o emprego, mas sobre as qualidades dele e como estão ligadas aos valores.

As qualidades de um emprego são mais importantes que as tarefas diárias para encontrar satisfação? A cultura de uma organização é tão importante quanto as tarefas diárias. A maneira pela qual você realiza suas tarefas e o apoio que você têm para fazê-las é tão importante quanto as tarefas em si. Alguém que está procurando emprego deve tentar entender a cultura da organização tanto quanto as atribuições do cargo.

Como descobrir como é a cultura de uma organização? A melhor maneira de fazer isso é encontrar alguém que trabalhe ou já tenha trabalhado lá. É muito difícil descobrir como é a cultura de uma organização durante uma entrevista de emprego, porque uma entrevista é como um encontro. 

Como assim? Nos primeiros encontros, as pessoas querem mostrar apenas o melhor de si. Uma empresa é assim também e, certamente, não revela tudo durante uma entrevista. A melhor maneira de contornar isso é conversar com seus funcionários, perguntar como é trabalhar lá, quais são as vantagens e pontos negativos. Para isso, você pode usar o LinkedIn ou outras redes sociais.
 
Se a pessoa está confusa em relação a sua carreira, como deve agir? Uma maneira de começar é pensar em pessoas conhecidas que estão fazendo coisas consideradas interessantes —podem ser amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho— e pedir uma conversa de 20 ou 30 minutos para que elas lhe expliquem como é o trabalho delas no dia a dia. 

Qual é a relação entre propósito e felicidade no trabalho? Acho que há uma forte relação entre as duas. Se você é leal aos seus propósitos, você tende a estar mais satisfeito com o seu emprego. Se, no seu trabalho você tem de fazer algo em que você não acredita —por exemplo, um ambientalista que vai trabalhar numa companhia de petróleo—, você vai ficar infeliz porque há um choque entre os seus valores e os valores do seu empregador.

Como descobrir quais são os seus valores? Eu acredito que todo mundo saiba quais as coisas que considera mais importante. O que muitos não sabem é como esses valores podem se aplicar no mercado de trabalho. Conhecer a si próprio e entender bem seus atributos é fundamental antes de procurar por um trabalho.

Então, a felicidade duradoura vem de estar em um trabalho que está de acordo com os seus valores? Uma felicidade que dura mais que títulos e dinheiro, com certeza.

Susan Peppercorn, 50, é nascida em Boston, nos EUA, foi gerente financeira na Hewlett-Packard e consultora na Escola de Administração da Universidade de Boston. Há 15 anos, virou coach executiva e obteve certificação na área pela Universidade de Stanford

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