Inteligência artificial ganha primeiro curso público superior

Universidade Federal de Goiás investe R$ 1 mi em computador para graduação pioneira; aulas começam em março

Renan Marra
São Paulo

A área de inteligência artificial vai ganhar seu primeiro curso público superior em 2020. A disciplina hoje é oferecida apenas em especializações e módulos de curta duração.

A UFG (Universidade Federal de Goiás) levou em conta as demandas dos vários setores que já usam inteligência artificial para desenvolver o curso pioneiro, que terá início em março, em período integral.

A universidade investiu R$ 1 milhão em um supercomputador com capacidade de processamento equivalente a 2.000 máquinas convencionais. Ele é capaz de processar milhões de informações simultaneamente, algo fundamental considerando o aumento do volume de dados e a evolução das tecnologias.

Para a primeira turma, serão ofertadas 40 vagas através do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que usa nota do Enem. As inscrições serão abertas no começo de 2020.

“A corrida global pelo domínio da tecnologia justifica essa formação”, diz Anderson Soares, professor do instituto de informática da UFG. Ele diz que Estados Unidos e China já adotaram políticas para promover o desenvolvimento de IA.

Pesquisa da empresa de tecnologia IBM, divulgada em setembro, indica que mais de 120 milhões de profissionais das 12 maiores economias do mundo terão de se recapacitar nos próximos três anos como resultado do impacto da utilização da IA no mercado de trabalho.

No Brasil, a estimativa é que 7,2 milhões de trabalhadores vão precisar se atualizar para acompanhar as demandas dos vários setores que já usam inteligência artificial.

A IA possibilita que máquinas identifiquem e aprendam com padrões, sem a interferência humana. A tecnologia é empregada para desenvolver soluções e aprimorar processos em administração, marketing, saúde e segurança, por exemplo.

Na UFG, o curso terá tempo mínimo de quatro anos. Nos dois primeiros, a grade curricular prevê formação sólida em computação.

Nos dois últimos, as aulas terão conteúdos específicos de IA, e os alunos deverão desenvolver projetos como chatbots, robôs que interagem com os internautas, ou sistemas de automação de tarefas, como agendamento de exames médicos.

O curso terá viés empreendedor. O objetivo é ensinar os alunos sobre as diferentes possibilidades da tecnologia na área de negócios.

“Os alunos serão capazes de construir soluções artificiais para criar projetos inovadores que potencializem a competitividade das empresas”, afirma Soares.

Ele aponta que o novo curso acompanha um movimento mundial da área acadêmica. A americana Carnegie Mellon, por exemplo, criou bacharelado em IA em 2018.

A graduação em IA exige que os alunos tenham conhecimento sólido em matemática e estatística, segundo Vivaldo José Breternitz, professor da faculdade de computação e informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

Ele diz que a taxa de evasão dos cursos desse conteúdo é alta, o que pode ser oneroso para as faculdades particulares. Hoje, a Mackenzie oferece pós-graduação na área.

Na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a solução encontrada foi ampliar o conteúdo. A universidade terá, a partir do primeiro semestre de 2020, curso de graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial, com duração mínima de 3,5 anos.

Segundo o professor David Lemes, além de desenvolver algoritmos e aplicações inteligentes, os alunos vão aprender também a extrair, estruturar e analisar grande quantidade de dados.

Onde estudar

Inteligência Artificial (UFG)
Ensina aos alunos técnicas computacionais desenvolvidas como soluções inteligentes e automatizadas em diversas áreas, como saúde, marketing e agronegócio
Duração 4 anos
Local campus Samambaia, em Goiânia (GO)

Ciência de Dados e Inteligência Artificial (PUC-SP)
Forma profissionais capacitados a resolver problemas da área de negócios com recursos e técnicas orientadas a dados e inteligência artificial
Duração 3,5 anos
Local campus Monte Alegre, em São Paulo (SP)
Mensalidade R$ 1.820

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