Microinfluenciadores priorizam nichos para faturar até R$ 8 mil

Maioria no mercado, pequenos com até 150 mil seguidores usam Instagram e Tiktok para atrair clientes e parcerias

São Paulo

Longe do mundo das megacelebridades que cobram mais de R$ 3 milhões por uma postagem para divulgar produtos e serviços em suas redes sociais, há um contingente de nano e microinfluenciadores, com cachês mais em conta e abertos a permuta para fazer publicidade.

“Eles têm menos seguidores, mas um engajamento maior, porque produzem conteúdo para nichos do mercado, são especialistas em segmentos, ou seja, falam do que dominam e ajudam quem quer informações específicas”, diz Ariadne Mecate, consultora de marketing do Sebrae-SP.

São considerados nanoinfluenciadores perfis com entre 1.000 e 10.000 seguidores; os micros têm até 150 mil. Muitos deles também são empresários e aproveitam o engajamento para, além das parcerias, ampliar a base de clientes.

É o caso da fisioterapeuta Giulianna Ferrero, 33, dona de uma clínica na zona sul de São Paulo. Ela resolveu usar suas redes sociais para dar informações e tirar dúvidas sobre a esclerose múltipla, mal que atinge parte de seus pacientes.

“A doença tem um nome horrível, e muita gente não sabe o que é, e acham que o diagnóstico significa que a vida acabou. Eu tento mostrar o contrário”, afirma ela.

Com cerca de 3.300 seguidores no Instagram (@dra.giuliannaferrero) e quase 1.800 no Tiktok (na plataforma, um de seus vídeos teve mais de 100 mil visualizações), Giulianna conta que já atraiu pacientes por esses meios, fez parceria com médicos para que indiquem seu trabalho e até postou um vídeo patrocinado por uma empresa da indústria farmacêutica. Cobrou R$ 250.

Para o futuro, ela avalia usar sua influência nas redes para lançar um curso sobre o tema.
Nanos e microinfluenciadores são os mais numerosos no mercado. De acordo com a Squid, plataforma que presta serviços gratuitos a influenciadores de todas as grandezas, 77% de seus 50 mil clientes têm até 30 mil seguidores.

“Os nanos e micros conseguem ter a atenção das pessoas sem destruir a experiência do usuário nas redes. É diferente de um banner que fica aparecendo toda hora porque você pesquisou sobre algum tema na internet”, diz Felipe Oliva, 30, fundador da Squid.

“E, quanto mais de nicho, melhor. Quase todo mundo gosta de chocolate, por exemplo, mas tem gente que só pode consumir esse produto se ele for sem lactose, e vai procurar alguém que
fale para eles”, exemplifica.

Daniele Pechi, 32, achou um nicho: ela capacita professores de idiomas —não para ensinar regras gramaticais ou estruturas, mas como passar conteúdo aos alunos.

Formada em letras e em jornalismo, ela já atuou como professora de alemão e identificou a oportunidade quando estava nesse mercado.

“Eu vinha mapeando essas dores há muito tempo. Tem gente que dá aula por necessidade, porque fez um intercâmbio, mas só sabe o idioma em si, e não passar conteúdo, ou brasileiros que moram fora e ensinam português”, afirma.

Na conta @papodeprofes, no Instagram, ela tem 2.870 seguidores bem engajados: 500 pagam R$ 47 por mês por um curso ministrado por ela. Há alunos em 20 países.

Em sua página, Daniela posta vídeos com dicas de como passar conteúdo e recomenda aplicativos úteis para os professores, entre outras coisas.

Com o perfil, além de atrair alunos, ela já foi chamada por uma associação de professores de português do Peru para dar palestras —cobra US$ 100 por hora. Também tem uma parceria de permuta com a editora de livros de idiomas SBS: cada um divulga o trabalho do outro para sua base de clientes.
“Eles são famosos no meio e já tive feedbacks de gente dizendo que os conheceu por causa de mim. Printei e mandei para eles na hora”, conta.

Saindo um pouco dos nichos, microinfluenciadores também conseguem ser relevantes regionalmente.
É o caso de Emily Aguiar, 25, de Rio Branco (AC). Ela tem 54 mil seguidores no perfil @emyaguiarr, metade deles locais, numa cidade de 410 mil habitantes. Ou seja, cerca de 27 mil cidadãos de Rio Branco —6,5% da cidade, a acompanham. Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do estado, é também a segunda colocada entre os seus seguidores.

Ela diz que tem parcerias ativas, todas com empresas locais, de concessionárias a lojas de roupas e sapatos. Cobra por visita ao local (de onde faz a maioria das postagens), e fatura, em média, de R$ 7.000 a R$ 8.000 por mês.

“Não é só postar. A gente tem que saber horários corretos, hashtags apropriadas, legendas, saber lidar com o algoritmo do Instagram. É bem corrido, cobra bastante do psicológico e tem muita exposição”, diz ela, que acabou de se formar em direito.

Emily virou influenciadora por acaso, quando viu seu número de seguidores aumentar exponencialmente depois que foi ao Rio assistir à final do Big Brother Brasil 18, vencida por sua amiga Gleici. Acabou abraçando a chance.

“Pretendo atuar na área que me formei no futuro. Hoje, sou influenciadora porque gosto, mas não quero que isso se torne uma obrigação para mim. Nunca.”

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