Aplicativo de microvídeos TikTok tenta atrair público brasileiro

Com virais de gatos gordos e caubóis, rede disputa mercado com Instagram e Youtube

Ricardo Ampudia
São Paulo

Você já deve ter visto o vídeo do gatinho que bate palmas ao som de Mr. Sandman, das Chordettes, ou o desafio lançado pelo rapper Lil Nas X, no qual os participantes usam um truque de vídeo para se transformar, de repente, em caubóis. 

Todos eles saíram de uma rede social ainda pouco conhecida do brasileiro, o TikTok. O aplicativo chinês tem crescido exponencialmente no número de usuários e receita. Em 2018, foi o quarto aplicativo mais baixado do mundo, segundo pesquisa da Sensor Tower.

Tela com logo do app TikTok - Joel Saget/AFP

O conteúdo é diverso, mas gira em torno de interpretação de músicas, esquetes de humor caseiras, desafios e muito monólogo adolescente.

Os virais têm uma mecânica peculiar. Logo após viralizarem entre o público do aplicativo, atinge o público maior através de repostagens na ferramenta Stories do Instagram ou Twitter.

"A intenção é falar sobre o conteúdo com as pessoas que não estão lá. Esse movimento só diminui com a migração dos usuários", comenta a chefe de planejamento e sócia da consultoria Youpix, Rafaela Lotto.

A TikTok, que já tem representação no Brasil, diz que está animada com a boa recepção do app no país e que testa parcerias com anunciantes e empresas de mídia, como Tastemade Brazil, Amaro e Vice.

Lá fora, a NFL já firmou contrato com a plataforma para publicação de conteúdo e o Washington Post mantém um canal, capitaneado pelo jornalista Dave Jorgenson, mostrando de forma divertida os bastidores da redação.

Conhecido na terra natal como Douyin, já tem mais de 500 milhões de usuários ativos mensais, com mais da metade na China, segundo o relatório China Internet Report. A empresa não divulga números.

A base de usuários ainda é bem jovem, na faixa dos 12 aos 15 anos. "O público é aquele que estava no Instagram, mas começou a achar chato o fato de os pais também estarem lá", diz Rafaela.

Mas o público tem mudado e amadurecido. Segundo a consultoria Comscore, o número de adultos utilizando a ferramenta saltou de 3,9 milhões em março de 2018, para 14,3 milhões, em março de 2019.

A TikTok afirma, sem divulgar dados, que a rede de usuários tem faixas etárias bastante diversa e os Millenials (nascidos no começo da década de 1980) e geração Z (nascidos após os anos 1990) também fazem parte da base.

O sucesso da rede começou quando a ByteDance comprou o aplicativo Musical.ly, famoso pelos vídeos de lipsync, e fundiu as plataformas, unindo ferramentas de edição de vídeo e filtros com músicas, e herdando uma base de milhões de usuários.

Para Isabela Ventura, CEO da Squid, empresa especializada em marketing de influência, o TikTok tem potencial para disputar o público do Youtube, mais do que com o Instagram Stories. "As ferramentas nativas de edição são mais acessíveis, o que deixa a criação de vídeos criativos muito mais fácil", comenta.

Estima-se no mercado que a receita anual da Byte Dance, proprietária do TikTok, gire em torno de US$ 2,5 bilhões (R$ 10 bi). Até agora, a empresa se financiou com sete rodadas de investimentos, que captaram cerca de US$ 4,3 bilhões (R$ 17,2 bi) e teve a participação de fundos como Morgan Stanley e Goldman Sachs, além de SoftBank e Bank of China.

O IPO da empresa, que vale cerca de US$ 76 bilhões (R$ 304 bi), é um dos mais aguardados de 2019/2020, apesar de a empresa negar repetidamente a intenção de fazê-lo tão cedo.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do informado o nome da CEO da Squid é Isabela Ventura. O texto foi corrigido.

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