Beba, produza e compre vinho entre Santiago e Valparaíso, no Chile

Vinícolas oferecem visitas guiadas em que o turista pode brincar de enólogo e desenvolver sua bebida

Marcelo Toledo
Santiago

Sobre a mesa, peças de laboratório como provetas dividem espaço com taças. Desse cenário, sairá um vinho único criado pelo turista. 

Conhecido como um destino de enófilos, o Chile tem se preocupado nos últimos anos não apenas em vender a bebida, mas em proporcionar ao turista experiências como a descrita acima, em que o visitante faz seu vinho.

Segundo o Serviço Nacional de Turismo do Chile, o país tem atualmente 325 vinícolas, das quais 200 recebem turistas e oferecem de um simples passeio a tours sofisticados.

A partir deste mês, começam a aparecer os primeiros brotos nas plantações das vinícolas chilenas e, na primavera, as parreiras —em parte adormecidas— estarão todas verdes. Com menos frio e preços mais baixos que em julho e agosto, setembro é uma boa época para visitar o país.

A vinícola orgânica Emiliana, a 65 quilômetros de Santiago, tem roteiros privativos em que o turista recebe aulas de como preparar vinho a partir de rótulos da casa.

Num ambiente tranquilo, em que galinhas passeiam em meio às parreiras, o visitante aprende sobre coloração, cheiro e aspectos como frutosidade e acidez da bebida.

Após as degustações, ele é convidado a produzir o seu blend a partir de rótulos de merlot, carménère e cabernet sauvignon. Provetas ajudam a ajustar as quantidades.

Quando a bebida fica pronta, o turista ainda pode colocar etiqueta, lacrar num equipamento próprio e, claro, levar a garrafa para casa.

O passeio dura cerca de quatro horas e custa a partir de R$ 240. Os vinhos produzidos na Emiliana ficam entre R$ 25 e R$ 200.

Um dos destaques dessa e de outras propriedades é a uva carménère, que tem o Chile como seu principal e quase único produtor global.

A cepa foi devastada por uma praga, mas obstáculos naturais como o deserto do Atacama ao norte, as cordilheiras, o Pacífico e as geleiras, ao sul, protegeram a uva, que não teve a mesma sorte na França, de onde é originária. 

Uma das regiões mais desenvolvidas do país nessa área é o vale de Colchagua, que terá em 2019 um congresso mundial de enoturismo e se destaca na produção de carménère, merlot, syrah, malbec e cabernet sauvignon.

Já na capital chilena, outro tipo de experiência com vinhos passou a ser oferecida desde o ano passado pela Vinolia, restaurante com um programa noturno composto por três momentos.

Diariamente, os turistas são recebidos num espaço com explicações sobre a região vinícola escolhida para a noite —Colchagua, Casablanca e Maipo são as opções que se revezam no cardápio semanal.

Em seguida, são levados para a sala dos sentidos, onde tentam reconhecer, às cegas, os aromas presentes em cada um dos recipientes ali guardados. Há aromas primários, secundários (manteiga e banana, por exemplo) e terciários (madeira e café são alguns deles). Alguns são de fácil assimilação, outros nem tanto.

A parte final —e a mais esperada— é a degustação. Os turistas, a maioria composta por brasileiros, são levados para uma sala de cinema em que veem uma videoaula com enólogos de vinícolas que estão no cardápio da casa. Depois, todos são convidados a degustar cinco tipos de vinho. O programa custa R$ 195.

“Na temporada, 99,9% dos visitantes são brasileiros”, disse a sommelier paulistana Rosana Brito, que foi para o Chile fazer curso de sommelier e assumiu o comando do Vinolia. 

Desde junho deste ano, 243.291 turistas brasileiros foram ao Chile —21,4% a mais do que no mesmo período do ano passado, segundo o Serviço Nacional de Turismo. No ano passado, 544.857 brasileiros visitaram o país.

Funiculares expõem cores e grafites de cidade litorânea

Quem vai a Santiago pode aproveitar para conhecer a cidade litorânea de Valparaíso, localizada a 120 quilômetros da capital chilena.

Importante rota portuária até a abertura do canal do Panamá, em 1914, Valparaíso é sede do poder legislativo chileno até hoje e também abriga o órgão equivalente ao Ministério da Cultura.

A cidade surgiu em morros na costa do Pacífico e é cheia de ladeiras. Para desbravá-las, tênis e roupas confortáveis são os principais aliados, assim como garrafas d’água.

Se o cansaço apertar, é possível apelar para os funiculares, que, a um custo de R$ 0,60 a viagem, livram moradores e turistas de subir os trechos mais íngremes.

Valparaíso já chegou a ter cerca de 30 funiculares no início do século passado. Hoje restam pelo menos cinco em operação —e nem todos estão o tempo todo disponíveis. 

Dois são clássicos: o Artillería, aberto há 104 anos e que fica próximo ao Museu Naval, e o Conception, inaugurado na década de 1880.

Do alto, é possível ver os grafites espalhados por todo o centro histórico, que transformam a cidade numa galeria a céu aberto. 

Quem quiser explorar mais o lado cultural da região pode ir até La Sebastiana, uma das casas do poeta Pablo Neruda (1904-1973), ganhador do prêmio Nobel —as outras são La Chascona, em Santiago, e Isla Negra, em El Quisco. A casa-museu fica aberta de terça a domingo, das 10h às 18h, e a visita custa R$ 42.
Além da arte de rua, são onipresentes na paisagem de Valparaíso o oceano Pacífico e o monte Aconcágua, na Argentina, que com seus 6.961 metros de altitude pode ser avistado em dias de céu limpo.


PACOTES

R$ 1.045
3 noites em Santiago, na Agaxtur (agaxturviagens.com.br)
Acomodação em quarto duplo com café da manhã, traslados e passeio pela cidade. Não inclui aéreo
R$ 1.289
3 noites em Santiago, na RCA Turismo (rcaturismo.com.br)
Hospedagem em quarto duplo com café da manhã. Inclui traslados e city tour pela cidade. Sem aéreo
R$ 1.440
3 noites em Valparaíso, na Expedia (expedia.com.br)
Pacote entre 19 e 22 de outubro. Inclui hospedagem em quarto duplo sem café. Com aéreo a partir de Guarulhos
R$ 1.730
3 noites em Santiago, na Top Brasil (topbrasiltur.com.br)
Com café da manhã e acomodação em quarto duplo. Inclui passagem aérea a partir de São Paulo
R$ 2.134
3 noites no Valle Nevado, no hotel Puerta del Sol (vallenevado.com)
Válido para o período entre 11 e 14 de setembro. Acomodação em quarto duplo com meia pensão (café e jantar). Inclui Ski Pass, sem áereo
R$ 3.013
2 noites em Santiago, na New Age (newage.tur.br)
Com city tour, traslados e seguro viagem. Acomodação em quarto duplo com café da manhã. Com aéreo a partir de São Paulo
R$ 3.097 
4 noites em Santiago, na CVC (cvc.com.br)
Hospedagem em quarto duplo com café da manhã. Inclui aéreo a partir de São Paulo e traslados
R$ 3.735
7 noites em Santiago e Puerto Montt, na 55destinos (55destinos.com)
Quatro noites em Santiago e três em Puerto Montt (ou Puerto Varas). Com city tour em Valparaíso. Sem aéreo
R$ 4.268
4 noites em Santiago, na Tereza Ferrari Viagens (terezaferrariviagens.com.br)
Hospedagem em quarto duplo com café da manhã. Com traslados e passeios para as vinícolas Emiliana e Matetic e Valparaíso. Sem aéreo
R$ 4.909
5 noites em Santiago, na CVC (cvc.com.br)
Pacote para o período do ano novo. Hospedagem em quarto duplo com café da manhã e traslados. Com passagem aérea a partir de São Paulo
R$ 8.361
4 noites entre Santiago e Valparaíso, na Queensberry (queensberry.com.br)
Pacote para o período de ano novo, de 29 de dezembro a 2 de janeiro. Com café da manhã, city tour e visita à vinícola Concha Y Toro. Sem aéreo

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.