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Por que Monte Saint-Michel é um dos lugares mais visitados da França

Vilarejo medieval atrai 2,5 milhões de turistas ao ano com história, fé e natureza

Vista aérea do Monte Saint-Michel na maré alta, quando o nível do mar pode subir em até 15 metros

Monte Saint-Michel durante a maré alta Secretaria de Turismo do Monte Saint-Michel/Divulgação

Clara Balbi
Monte Saint-Michel (França)

Não é de agora que o Monte Saint-Michel, na Normandia, noroeste da França, atrai multidões de visitantes.

O lugar, cujo topo abriga uma abadia em homenagem ao arcanjo São Miguel, foi um importante centro de peregrinação cristã na Idade Média. Ainda hoje, está entre os lugares mais sagrados da Europa para os católicos.

Na maré cheia, quando o nível da água pode subir em até 15 m, o monte se transforma em ilha, razão pela qual devotos antigos o descreviam como a visão do paraíso na terra.

Vocação religiosa e força da natureza se juntaram num mesmo ponto. Resultado: o Monte Saint-Michel é hoje o local mais visitado da França fora de Paris, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos francês, e recebe quase 2,5 milhões de viajantes ao ano.

A popularidade se traduz em vielas lotadas no verão —em agosto último, 30 mil pessoas visitaram o local em um dia, um recorde de acordo com a Secretaria de Turismo do Monte Saint-Michel— e em preços de restaurantes e hotéis que beiram o abusivo.

Mas o passeio vale, em especial quando se trata da abadia que batiza o monte. Erguida em 966 por monges beneditinos, ela também serviu de fortaleza militar a prisão antes de se tornar um monumento oficial, em 1874. Em 1979, restaurada, foi declarada patrimônio mundial da Unesco.

 

Os quase dez séculos da construção se refletem em sua arquitetura. A igreja do conjunto, erguida no estilo românico, típico do início da Idade Média, ganhou um coro (espécie de tribuna) gótico depois que o original desabou em um cerco, durante a Guerra dos Cem Anos.

No segundo andar, há uma enorme roda de madeira que era usada para içar alimentos, nos tempos em que o lugar serviu de cadeia, no século 19.

Em todos os cantos, há vestígios dos monges que ocuparam o prédio até a Revolução Francesa: da estrutura da abadia, que reproduz a pirâmide social da Idade Média, às mesas e cadeiras viradas para a parede do refeitório —a Ordem de São Bento proíbe os religiosos de conversar durante as refeições.

Essas e outras curiosidades históricas são explicadas em visitas guiadas em inglês e francês, realizadas duas vezes ao dia. Em julho e agosto, ainda há versões em alemão, espanhol e italiano, incluídas na entrada de € 10 (R$ 43).

Embora a abadia seja o ponto alto, o Monte Saint-Michel oferece mais. Por isso, é bom destinar um dia todo à visita.

É importante escolher a data da viagem de acordo com o calendário de marés, disponível no site da Secretaria de Turismo do Monte Saint-Michel (ot-montsaintmichel.com/en/horaire-marees/mont-saint-michel.htm). A baía que circunda o monte é atingida pelas correntes mais fortes da Europa continental.
É possível observar o local ser cercado pelo mar nas fases de lua cheia e nova, mas sua transformação em ilha só ocorre em sete dias por ano.

A melhor maneira de chegar ao monte, situado a quatro horas de Paris, é de carro.

Outras possibilidades incluem trem, partindo da estação de Paris-Montparnasse em direção à Granville e saltando em um ônibus de Villedieu-les-Poêles para o monte, ou as visitas de um dia oferecidas por companhias de turismo.

Até 2012, quando o estacionamento ficava no sopé do monte, era preciso atenção às marés para não ter o carro arrastado pela água. Hoje, os veículos são deixados a três quilômetros de Saint-Michel.

A partir de lá, o percurso pode ser feito em 12 minutos de ônibus gratuito, que opera de sete da manhã à meia-noite, ou a pé, em 45 minutos.

Quem optar pela segunda alternativa ganha uma experiência mais parecida com a dos peregrinos medievais. Os mais aventureiros podem atravessar a faixa de terra instável, pontilhada por areia movediça, acompanhados de guias.

Já em Saint-Michel, subindo em direção à abadia, não deixe de conferir a igreja paroquial de São Pedro, construída entre os séculos 15 e 16.

Apesar do nome, a igreja é repleta de referências ao patrono original do monte, o arcanjo São Miguel. Em frente aos portões há uma estátua de Joana D’Arc, devota do santo. Dentro, é o próprio que surge em uma escultura de ferro.

Mais mundanos, outros destaques de Saint-Michel incluem o Museu do Mar e da Ecologia, que explica o funcionamento das marés; o Museu Histórico, que exibe artefatos e reproduz as celas dos tempos de prisão; e a casa de Tiphaine de Raguenel, esposa do cavaleiro Bertrand du Guesclin, que morou no vilarejo no século 14.

O último vale a visita pela história da moça. Astróloga e cartomante, diz a lenda que ela encantou o futuro marido ao prever sua vitória em uma batalha. Seu gabinete de astrologia é uma das curiosidades do espaço, assim como um cinto de castidade (cuja veracidade histórica é questionada), que exibe seus dentes em um mostruário de acrílico.

As vielas que saem da rua principal são outro convite a voltar no tempo, com algumas construções remanescentes do século 15, quase todas ocupadas por lojas de souvenir, pousadas e restaurantes.

Entre os últimos, o mais conhecido é o La Mère Poulard. Inaugurado no final do século 19 pelo casal Anette e Victor Poulard, ganhou fama servindo aos viajantes da época uma omelete que se tornou a comida típica de Saint-Michel.

O preço reflete o sucesso acumulado ao longo dos séculos: uma simples omelete custa € 36 (R$ 155) —um prato em um bistrô parisiense sai por menos da metade.

Outros restaurantes da área servem a mesma receita por menos, mas a opção mais em conta é o menu pronto ou “formule”, que inclui entrada, prato principal e sobremesa por cerca de € 20 (R$ 86). Para acompanhar, peça sidra de maçã, típica da da Normandia.

A Mére Poulard também tem pousada, com diárias entre € 200 e € 300 (R$ 866 a quase R$ 2.000) na baixa temporada, preço semelhante aos das poucas hospedagens dentro dos portões de Saint-Michel.

Atravessando a ponte em direção ao estacionamento, os hotéis do centro comercial conhecido como La Caserne oferecem diárias pela metade do preço.

Uma boa opção, no entanto, é aproveitar a viagem para se hospedar em alguma cidade turística próxima, como Saint-Malo e Rennes, na Bretanha, oeste da França, ambas a uma hora de distância de carro do monte.

A história do monte através dos séculos

708 Afirmando ter sido instruído pelo arcanjo São Miguel em sonho, o bispo Aubert de Avranches ergue uma capela dedicada ao santo no então monte Tombe. A igreja atrai os primeiros peregrinos

966 Monges da ordem de são Bento assumem o local e começam a construir a abadia sob as ordens do duque da Normandia Ricardo I

1203 Edificação da parte da abadia conhecida como “La Merveille” ou “a maravilha”, em estilo gótico

1256 Monte ganha fortificações militares

1300 a 1600 Durante a Guerra dos Cem Anos (1337–1453), Saint-Michel é um dos poucos locais que não é capturado pelos ingleses e torna-se símbolo da resistência francesa

1622 Abadia passa a ser usada como prisão, e monte é apelidado de “bastilha no mar”

1793 Com a Revolução Francesa (1789–1799), monges são afastados e local se torna prisão para padres refratários

1811 Decreto transforma a abadia em reformatório para prisioneiros comuns e políticos

1863 Fim da utilização da abadia como prisão

1874 Classificação da abadia como monumento histórico nacional e início da restauração

1979 Classificação do monumento como patrimônio da Unesco

Pacotes

€ 535 (R$ 2.311) 
1 noite, na Tereza Ferrari Viagens ( terezaferrariviagens.com.br
Em Caen, com café da manhã. Inclui traslado de ida e volta a partir de Paris, visita a outras cidades da Normandia (Monte Saint-Michel, Rouen, Honfleur e Saint-Malo) e guia lusófono. Por pessoa. Sem passagens aéreas

€ 569 (R$ 2.458) 
3 noites, na Maringá Turismo (maringalazer.com.br
Entre Paris, Caen, Rennes e Amboise, com café da manhã e um jantar em Amboise. Inclui passeios, com guia em português, a Monte Saint-Michel, Saint-Malo, Rennes, Tours, Villandry (com entrada para o palácio da cidade), Arromacnches, Giverny (com entrada para os jardins de Monet), Rouen, Dinan, Castelo de Chenonceau e parque do castelo de Chambord (com entrada). Preço por pessoa. Sem aéreo
 

€ 750 (R$ 3.240) 
2 noites, na França Tur (francatur.com.br
Entre Caen e Angers, com café da manhã. Inclui passeios a Monte Saint-Michel, Rouen, Honfleur, Saint-Malo, além de traslados, um jantar, visita ao vale do Loire, aos castelos de Chenonceau e Langeais e degustação de vinho. Preço por pessoa. Sem aéreo

US$ 1.410 (R$ 5.442) 
7 noites, na Venice Turismo (veniceturismo.com.br
Entre Paris, Caen, Rennes e Tours, com café da manhã. Inclui passeios à baixa Normandia e ao vale do Loire, incluindo Monte Saint-Michel e Saint-Malo. As entradas ao monte e aos castelos de Chenonceau e Blois também estão no pacote. Preço por pessoa. Sem aéreo

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