Presença de brasileiros em resorts de esqui europeus faz até feijão entrar no cardápio

Adaptações em hotéis locais seguem aumento de 400% de turistas até mesmo nas férias de verão

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Montvalezan (França)

Em plenas férias de verão, um número cada vez mais expressivo de brasileiros têm escolhido entrar numa fria –mas só no sentido literal. Eles têm trocado os roteiros típicos da estação mais quente do ano e de um país com tamanho litoral por temporadas de neve e esqui nas montanhas da Europa.

Nos 16 resorts de esqui que a rede Club Med mantém entre França, Suíça e Itália, a onda de hóspedes brasileiros vem crescendo 30% ao ano na última década. Entre 2019 e 2022, no entanto, o aumento das reservas de turistas do Brasil bateu nos 400%, segundo a rede hoteleira.

Na temporada de inverno de 2022, que se estende até abril, o Club Med afirma ter contabilizado a reserva de 18 mil brasileiros em seus resorts de esqui na Europa, mesmo com a desvalorização recorde do real em relação ao euro.

Neste ano, o destaque é para a nova unidade da rede, o Club Med La Rosière, localizado nas montanhas que ligam a região francesa da Savóia ao Vale de Aosta, na Itália. Fica a 1950 metros de altura e a pouco mais de duas horas do aeroporto de Lyon, na França.

Com 438 quartos –não inteiramente disponíveis, para diminuir a ocupação do resort em tempos de pandemia–, que o hóspede encontra desinfetados e lacrados, o La Rosière reúne conforto e conveniência, esporte, spa e gastronomia.

De um lado, o resort está rodeado por montanhas nevadas, de outro lado, ele é terraço para vistas deslumbrantes do Vale de Tarentaise, na França.

As paisagens às vezes parecem pinturas de branco sobre branco, pontuadas por pinceladas de rochas e pinheiros. Em alguns casos, o cenário inclui ainda vistas da famosa Montblanc, a montanha mais alta da União Europeia, outro destino clássico de esquiadores.

Erguido pelos moradores locais sobre o terreno onde um dia houve um aeroporto de pequeno porte, o hotel foi todo construído no típico design montanhês, em pedras, madeira e zinco. Tem dois restaurantes, academia, piscina aquecida defronte a uma parede de vidro que permite aos hóspedes nadar diante do visual das montanhas, o mesmo que se vê da sala de descanso do spa Cinq Mondes e da sala de yoga.

O crescimento dos brasileiros no turismo de esqui fez do país o segundo mercado da rede internacional de hotéis de luxo, atrás apenas dos próprios franceses, e promoveu algumas mudanças nos serviços dos resorts.

As renomadas cozinhas das unidades Club Med aprenderam a fazer feijão para incluir no menu infantil, os bares passaram a gelar mais as cervejas, bem ao gosto brasileiro, e as refeições tiveram horários flexibilizados e multiplicados, permitindo alimentação a qualquer hora, como gosta de fazer o turista do Brasil em férias. Além disso, a programação de shows das unidades foi incrementada.

"São detalhes que fazem diferença. Luxo é personalizar o serviço ao cliente", afirma Janyck Daudet, CEO do Club Med para a América do Sul, que comemora a alta de brasileiros nos resorts de esqui traçando estratégias de recepção dos brasileiros, que geralmente viajam em família ou em grupos de famílias.

Montanhas ao redor do hotel Club Med La Rosiére nos alpes franceses, que funciona no sistema ski-in/ski-out e tem pistas de ski de diversos níveis ao redor
Montanhas ao redor do hotel Club Med La Rosiére nos alpes franceses, que funciona no sistema ski-in/ski-out e tem pistas de ski de diversos níveis ao redor - Fernanda Mena/Folhapress

No Club Med La Rosière, 75% dos quartos são adaptados para famílias, e o foco nesse perfil de cliente fica evidente em outras alas do resort. O enorme mini club divide crianças por faixa etária e tem atividades, cozinha, salas de soneca e aulas de esqui para hóspedes a partir de dois anos de idade.

"Metade dos nossos hóspedes brasileiros são novos clientes. Muitos vêm esquiar pela primeira vez, seus filhos nunca viram neve e alguns não falam inglês. Por isso, além da facilidade estrutural, temos uma equipe de brasileiros e de funcionários que falam português", explica. "A experiência de esquiar precisa ser simples", diz Daudet.

Isso porque, via de regra, esquiar não é algo que possa ser chamado de simples. Ocorre em local específico, de difícil acesso. Requer roupas adequadas ao frio glacial, da cabeça aos pés, incluindo luvas e óculos. Demanda equipamentos caros e específicos, em geral alugados: esquis e snowboards, além de botas e bastões.

A familiaridade da rede com esse instrumental e o modelo ski-in/ski-out, em que as pistas de esqui são acessíveis diretamente do hotel, tornam, de fato, a experiência mais fácil.

Em uma sala ao lado do mini club, é possível encontrar o equipamento para esquiar com as características fornecidas por cada hóspede em locker específico de cada apartamento, aberto com a mesma pulseira utilizada para abrir a porta do quarto.

Daudet destaca que, nos resorts de esqui Club Med, ficam ampliadas as vantagens do sistema all inclusive –em que estão incluídas nas diárias refeições e bebidas, mesmo alcoólicas.

A tarifa inclui o chamado ski pass, que dá direito a aulas de todos os níveis e acesso ao teleférico que leva às pistas de diversos níveis de dificuldade, divididas por cor: para aprendizes (verde), iniciantes (azul), avançados (vermelha) e especialistas (preta).

Piscina aquecida do hotel Club Med La Rosiére, com vista para os alpes franceses. Hotel funciona no sistema ski-in/ski-out e tem pistas de ski de diversos níveis ao redor
Piscina aquecida do hotel Club Med La Rosiére, com vista para os alpes franceses - Fernanda Mena/Folhapress

Adquiridos de maneira avulsa, esses são serviços que costumam sair por pouco menos de 500 euros por dia, cerca de R$ 3.100.

Aqui, um adendo pessoal desta esquiadora de segunda viagem, um tanto traumatizada com o perrengue-chique de ter alugado roupas e equipamentos até então inéditos, carregados ao alto de uma montanha, para passar momentos de medo e delírio em cenário inóspito e encantador: comodidades como as do Club Med La Rosière podem ser importantes.

Isso porque elas tornam a experiência de esquiar uma aventura mais divertida, menos assustadora e, vá lá, um pouco mais simples.

Para ser ainda melhor, poderia haver a facilidade de alugar trajes de esqui no local. Trata-se, no entanto, de algo acessório num hotel em que pacotes de sete dias saem a partir de R$ 29 mil por adulto (crianças até três anos e 11 meses são isentas), e onde uma loja no hall de entrada oferece calças básicas de esqui por cerca de R$ 1.000.

A jornalista Fernanda Mena viajou a convite do Club Med.

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