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Perguntas retrospectivas

Visualize o cenário nos bastidores do dia de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, ontem. Enquanto Dilma e Obama aguardavam juntos para fazer seus discursos, será que Obama indicou estar aberto ao chamado dela de reconhecer o direito à privacidade como direito humano, civil, e soberano?

Terá Dilma desejado sorte a Obama na busca de apoio por uma resolução sobre a Síria? Duvido. As divergências deles em relação a questões importantes de governança global e segurança internacional parecem pronunciadas, novamente.

Longe das câmeras, porém, quem sabe eles tenham se cumprimentado até calorosamente, com um suspiro de alívio --felizes, por motivos diferentes, por terem "adiado" a visita de Estado e o jantar oficial.

Dilma não precisa mais se preocupar com a inevitável e superficial crítica da imprensa ao seu vestido de baile. Mais seriamente, não precisa sentir-se frustrada pelo fato de a agenda bilateral, mesmo antes do escândalo da NSA, não possuir a ambição substantiva à qual faria jus um evento tão carregado de simbolismo. E Obama, conhecido por sua aversão às exigências sociais da Presidência, talvez se alegre com a perspectiva de passar uma noite tranquila com Michelle e suas filhas ou cuidando de questões mais importantes para seu legado.

O escândalo da NSA, a resposta da Casa Branca e a decisão de Dilma de cancelar a visita revelaram a fraqueza do relacionamento EUA-Brasil. Tirando grandes empresas, nem Dilma nem Obama têm bases eleitorais que estejam pedindo o fortalecimento dos laços. Com notáveis exceções, a linguagem corporal das burocracias de Washington e Brasília agora corre o risco de reverter para a de uma era anterior, marcada pelo ceticismo mútuo.

Terá Brasília novamente concluído que Washington se opõe fortemente à ascensão do Brasil? Terá Washington voltado a supor que o Brasil prefira exercer o papel de alternativa à hegemonia americana --quer seja em relação à governança da internet, na América Latina ou em uma série de questões globais? Espero que não, mas a percepção corre o risco de virar realidade.

Uma análise retrospectiva do "adiamento" da visita impõe o reconhecimento de verdades difíceis: Obama não pediu desculpas ao povo ou às empresas americanas pela espionagem da NSA. Ele demorou a reconhecer os excessos e violações de privacidade cometidos e de maneira alguma obrigou a NSA a suspender a espionagem. É difícil imaginar o Brasil recebendo resposta melhor que a que a população americana recebeu até agora.

Em vista do legado de espionagem de Estado no Brasil --cometida por um regime militar apoiado pelos EUA--, será que autoridades americanas esperavam que os brasileiros se orgulhassem da espionagem da NSA, enxergando-a como sinal da importância que Washington atribui ao Brasil no sistema global?

Com relação à vigilância da NSA, Washington tem uma divergência política séria com o Brasil e várias outras democracias importantes. A diplomacia não poderia resolver essa diferença. Mas, em vista da importância do Brasil como centro de passagem de cabos transatlânticos de fibra ótica, Dilma e Obama realmente têm o que discutir.

julia sweig

Julia Sweig é diretora do programa de América Latina e do Programa Brasil do Council on Foreign Relations, centro de estudos da política internacional dos EUA. Escreve às quartas-feiras, a cada duas semanas.

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