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15/07/2010 - 08h42

Bebê vive com a mãe em cela da cadeia de Tambaú (SP)

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JULIANA COISSI
ENVIADA ESPECIAL A TAMBAÚ

Um bebê nascido no último dia 6 em Tambaú (255 km de São Paulo) está há uma semana vivendo na cela da cadeia da cidade junto com a mãe e outras detentas.

A delegacia alega que não conseguiu vaga para a detenta Tatiane Janaína Januário, 24, em uma penitenciária adaptada para receber mulheres com seus bebês. Tatiane foi presa acusada de tráfico e está na cadeia desde novembro --ela descobriu que estava grávida em janeiro.

Márcia Ribeiro/Folhapress
Tatiane Janaina Januário, 24, presa na Cadeia Feminina de Tambaú (SP) com seu filho Ruan Pablo de nove dias
Tatiane Janaina Januário, 24, presa na Cadeia Feminina de Tambaú (SP) com seu filho Ruan Pablo de nove dias

Ontem, às 18h, a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) enviou um e-mail à Folha informando que foi autorizada a transferência da presa para uma ala própria na Penitenciária Feminina da capital.

A secretaria informou ainda que a vaga já tinha sido comunicada à delegacia. Porém, na mesma hora, quando a Folha deixava a cadeia, o delegado José Guilherme Torrens de Camargo ainda não havia recebido nenhuma resposta.

Como é comum em outras cidades da região, a cadeia feminina de Tambaú está superlotada. Projetada para receber 20 presas, a unidade abriga 37.

FILA DE ESPERA

Ruan Pablo nasceu na Santa Casa de Tambaú. Mãe e filho ficaram internados por três dias. "Quando tive alta, minha irmã disse que poderia cuidar dele, mas eu quis ficar com ele para amamentá-lo", conta.

Tatiane disse que pensou que a vaga para ir com o filho para São Paulo sairia logo, como ocorreu com outra colega de cela.

Apesar do pedido oficial, no último dia 12, o delegado recebeu um comunicado de que o centro hospitalar do sistema penitenciário estava com as cem vagas existentes já ocupadas e que Tatiane era a 13ª mãe na fila de espera.

Por causa do bebê, uma das cinco celas, onde ficam duas presas que cuidam da limpeza, recebeu mais um colchão para abrigar Tatiane e Ruan Pablo.

A irmã da presa lhe trouxe roupas e fraldas. A banheira de plástico para o bebê não precisou vir de fora: já estava na própria cadeia. É que, no começo deste ano, outra presa também ficou por uma semana com o filho na cadeia esperando vaga até ser transferida para a unidade da capital paulista.

O bebê dorme com Tatiane em um colchão esticado no chão. "Quando faz frio, eu embrulho bem ele no cobertor, junto de mim, para não ficar gelado. Mas é ruim isso, cadeia não é lugar de estar uma criança", disse Tatiane.

O choro do recém-nascido nos primeiros dias acordava as colegas de cela, que contam agora já terem se acostumado. Fernanda de Oliveira, 30, detenta que divide o mesmo espaço com Tatiane, também teve a filha na cadeia e esperou dois dias pela transferência para São Paulo.

De acordo com a Lei de Execuções Penais, a mulher que dá à luz estando presa tem direito de permanecer junto com o filho por até seis meses em uma unidade apropriada para que possa amamentá-lo. Depois, o bebê fica com familiares.

 

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