Múcio admite preocupação com atraso da votação do Orçamento
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro José Múcio (Relações Institucionais) admitiu nesta quinta-feira que o governo está preocupado com o atraso na votação do Orçamento Geral da União de 2008. Múcio disse que o Congresso não pode "paralisar o país" sem aprovar a proposta como conseqüência da disputa política entre governo e oposição.
"Não podemos por conta não termos encontrado um ponto comum paralisar o país. Vamos trabalhar para que se tenha celeridade na votação", afirmou.
O ministro disse esperar que até a próxima quarta-feira, quando está prevista a votação do Orçamento no plenário do Congresso, os parlamentares cheguem a um acordo para a votação da matéria.
Múcio disse que trabalha para evitar o envio de medidas provisórias ao Congresso que compensariam os recursos previstos no Orçamento, caso a proposta não seja aprovada. Mas reconheceu que, se não houver outra alternativa, o governo vai recorrer às MPs.
"Trabalhamos para evitar isso [o envio das MPs], mas nós não podemos parar o país. A Casa conhece bem as dificuldades", afirmou.
Reforma tributária
O ministro foi ao Congresso nesta quinta-feira em companhia de integrantes do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) para entregar parecer emitido pelo órgão sobre a proposta de reforma tributária do governo.
Múcio considerou "natural" o questionamento de pontos da proposta de reforma do governo que será analisada pelo Congresso.
"Nós temos que aprender a conviver com as dificuldades da democracia. A comissão [que analisa a reforma tributária] vai estudar, ouvir pessoas e apresentar o relatório final", disse.
O ministro disse não acreditar que a discussão sobre a reforma tributária paralise os trabalhos do Congresso. "Não podemos por conta disso deixar de produzir", afirmou.
Integrantes do CDES entregaram parecer sobre a reforma tributária aos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). O senador teria se comprometido a agilizar as discussões sobre a reforma no Senado enquanto a Câmara discute a matéria.
"É possível a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado já começar a analisar a reforma para agilizar o seu trâmite. O presidente Garibaldi garantiu que vai priorizar a reforma para que o Senado acompanhe a sua tramitação na Câmara", disse o ex-governador Germano Rigotto (RS), um dos integrantes do CDES.
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