Desenvolvimento de indivíduos clonados ainda enfrenta limitação
CLAUDIO ANGELOda Folha de S.Paulo
A geneticista Lygia da Veiga Pereira, que pesquisa células-tronco na USP (Universidade de São Paulo), respirou aliviada ao saber que os cientistas da ATC haviam produzido apenas um embrião -não um clone humano.
"Peguei um recado de uma jornalista dizendo que haviam clonado um ser humano. Fiquei gelada", contou à Folha. Mas disse que é "bárbaro" que se tenha obtido um embrião clonado para extração de células-tronco.
O temor de Pereira, defensora da clonagem terapêutica, é o mesmo de governos, cientistas e líderes religiosos de todo o mundo: que um embrião humano clonado possa ser implantado num útero, para dar origem a um ser humano. Há muitas incertezas sobre a técnica e quem a propõe para a criação de seres humanos é chamado de louco. "Animais clonados nascem com aberrações genéticas", afirmou. "Na melhor das hipóteses, a tentativa de clonar um humano levaria a um aborto. Estamos cruzando um limiar perigoso".
O próprio feito da ATC é algo que os cientistas têm tentado desde 1996, sem sucesso.
Para produzir seus clones eles usaram duas técnicas distintas: a transferência nuclear, que originou Dolly, e a partenogênese.
A primeira foi a que teve o pior resultado. Foram fundidas com 17 óvulos vazios células chamadas cirros (de ovários de três doadoras) e fibroblastos (da pele de Judson Sommerville). Somente uma delas chegou a se desenvolver, numa massa de seis células que não pode ser chamada de embrião, e que parou espontaneamente de se dividir.
A partenogênese consiste em ativar os óvulos -que, ao amadurecer, só têm metade do DNA necessário para produzir um indivíduo- para que eles comecem a se dividir formando um embrião antes do amadurecimento. De 22 células estimuladas dessa forma, 6 chegaram à fase de blastocisto. "Mas nenhum continha a massa celular que fornece células-tronco", dizem os pesquisadores. E mais: por enquanto, a técnica só pode ser aplicada a óvulos. Homens ficam de fora.
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