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Jornal questiona proximidade entre Murdoch e governo britânico
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O jornal "The Independent" questionou neste sábado a proximidade entre o governo britânico o o magnata da mídia, Rupert Murdoch, dono de vários de seus concorrentes no Reino Unido.
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O jornal afirma em reportagem publicada neste sábado que o primeiro-ministro David Cameron teve diversas reuniões com executivos de mídia nos últimos 15 meses, incluindo 26 com Murdoch e seus executivos.
O filho de Murdoch, James, a sua ex-presidente-executiva Rebekah Brooks, e o ex-editor do tabloide "News of The World" Andy Coulson ficaram na casa de campo de Camron, Chequers.
A visita de Coulson à casa ocorreu em março passado, dois meses depois dele ter renunciado como diretor de Comunicações e porta-voz de Cameron, em meio ao escândalo cada vez mais profundo de escutas ilegais e suborno da polícia que teriam sido usados pelo tabloide para obter informações exclusivas.
Coulson foi uma das nove pessoas a serem presas em consequência do escândalo. Ninguém foi indiciado.
Críticos dizem que o convite mostra o mau julgamento de Cameron e revela a relação próxima entre os líderes políticos e a News Corp., o império de mídia de Murdoch.
O chanceler britânico, William Hague, disse contudo que não está envergonhado "de forma nenhuma" pela relação do governo com os executivos de Murdoch.
"Não é nenhuma surpresa em um país democrático que haja contato entre líderes e chefes de mídia", disse à BBC. "Eu não estou envergonhado de forma alguma".
Hague admitiu, contudo, que há "alguma coisa errada no país" e que precisa ser corrigida. Na semana passada, Cameron reconheceu que a relação entre políticos, a imprensa e a polícia no Reino Unido ficou muito próxima e precisa ser mudada.
Hague explicou que o convite para Coulson ficar em Chequers foi para agradecê-lo por seu trabalho. "Ele trabalhou para ele por muitos anos, isto é o normal, a coisa humana a se fazer", disse.
Os meios de Murdoch, especialmente o sensacionalista "The Sun", o tablóide mais vendido do Reino Unido, apoiaram o conservador Cameron em sua campanha eleitoral.
Desde o recrudescimento do escândalo, os tories distanciaram-se de Murdoch e foram os trabalhistas os encarregados de botar lenha na fogueira.
DESCULPAS
Murdoch pediu desculpas neste sábado pelo escândalo dos grampos telefônicos e escutas ilegais em seu conglomerado de comunicação em uma tentativa desesperada de controlar a espiral que ameaça seu império e que em 24 horas custou a cabeça de dois altos executivos.
"Pedimos desculpas", diz uma mensagem pessoal publicada neste sábado por Murdoch de página inteira em sete jornais do Reino Unido, a três dias de comparecer diante da Câmara dos Comuns para falar sobre as escutas ilegais de políticos, famosos e até vítimas de crimes do já extinto "News of the World".
O presidente e executivo-chefe da "News Corporation", que reúne veículos como os americanos "Fox Television" e "Dow Jones" e os britânicos "The Times" e "The Sun", admite em sua mensagem que atuaram tarde, reconhece que "pedir perdão não é suficiente" e promete "medidas concretas" iminentes em resposta à crise.
Na véspera, ele já pedira desculpas pessoalmente à família de Milly Dowler, uma menina assassinada que teve seu celular grampeado por um detetive contratado pelo tabloide --estopim da nova fase da crise dos escândalos, existente desde 2006.
Em uma semana após a divulgação dessa notícia, Murdoch teve de renunciar ao dominical e ao interesse da compra total do canal de televisão britânico BSkyB.
Ele enfrentará ainda processos policiais, judiciais e de ética jornalística pelo escândalo.
Nesta sexta-feira, o último capítulo do drama teve nomes próprios, os da britânica Rebekah Brooks e o americano Les Hinton, dois de seus mais estreitos colaboradores que Murdoch sacrificou após 22 e 52 anos de serviços prestados, respectivamente.
Brooks, que dirigia o "News of the World" na época das escutas, coordenava agora a News International, braço britânico do grupo e Hinton, que ocupou esse posto no passado, atuava como presidente da agência "Dow Jones" e editor do "The Wall Street Journal".
Suas saídas deixam sozinho diante da crise o magnata e seu filho James, 38, atual presidente na Europa da News Corp, após ter dirigido a News International entre 2007 e 2009.
Neste sábado, o ex-vice-primeiro-ministro trabalhista John Prescott, um dos espionados pelo "News of the World", diminuiu a importância do pedido de desculpas público de Murdoch e o relacionou com a proximidade de seu comparecimento ao comitê dos Comuns.
"Estamos falando de um homem desesperado para salvar sua empresa e que teme o afundamento de seu império", disse Prescott à rede pública britânica "BBC".
Os dois Murdoch e Rebekah Brooks deverão apresentar-se na terça-feira, dia 19 de julho, ao Comitê de Meios de Comunicação da Câmara dos Comuns para explicar as atividades jornalísticas ilegais do "News of the World".
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