Presidente do Chile defende ajuda europeia para recuperação da Amazônia

Em encontro com Bolsonaro, Piñera ressaltou, no entanto, que países sul-americanos têm soberania para decidir que recursos quer receber

Gustavo Uribe
Brasília

​O presidente do Chile, Sebastián Piñera, defendeu nesta quarta-feira (28) que os países sul-americanos aceitem ofertas das nações europeias para a preservação da floresta amazônica.

Na saída de encontro com o presidente Jair Bolsonaro, em reunião no Palácio do Alvorada, ele ressaltou que ajudas bilaterais são bem-vindas, mas que devem respeitar a soberania das nações da região amazônica.

O presidente do Chile, Sebastian Pinera em coletiva de imprensa com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta quarta (28)
O presidente do Chile, Sebastian Pinera em coletiva de imprensa com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta quarta (28) - REUTERS

"A Amazônia do Brasil está sob a soberania brasileira e isso tem de reconhecer e respeitar sempre. Mas é também certo que muitos países querem colaborar com um país amigo e irmão como o Brasil", disse.

O chileno defendeu a ajuda financeira dos países do G7, de US$ 20 milhões, ressaltou que está disposto a ajudar no diálogo entre europeus e americanos, mas observou que cada país sul-americano tem a liberdade de escolher que recurso quer ou não quer receber.

"O Chile está muito satisfeito em colaborar e em poder organizar a colaboração de outros países, que também querem ajudar, mas sempre respeitando a soberania do Brasil e do presidente brasileiro", afirmou.

Se alguns países querem colaborar, respeitando a soberania do Brasil, e o Brasil acredita que a ajuda é satisfatória, muitos países estão dispostos a ajudar", afirmou.

Piñera disse ainda que o aporte de US$ 20 milhões pode se tornar ainda maior caso as nações sul-americanas aceitem fazer negociações bilaterais com países desenvolvidos, que estão dispostos a colaborar.

Após o encontro, Bolsonaro disse que no dia 6 de setembro os presidentes de países da região amazônica irão se reunir em Leticia, na Colômbia, para discutir políticas ambientais.

"Nós estaremos reunidos com esses presidentes, exceto o da Venezuela, para discutirmos uma politica única de preservação do meio ambiente, bem como de exploração de forma sustentável", afirmou.

Na reunião desta quarta-feira (28), foi anunciado um empréstimo ao Brasil de 4 aviões e 40 brigadistas do Chile para combater a série de queimadas recentes na floresta amazônica.

Em pronunciamento, Bolsonaro voltou a criticar o presidente francês, Emmanuel Macron, e afirmou que ele tem tentado se cacifar perante o mundo com um discurso em defesa da Amazônia. Segundo ele, essa bandeira não é dele, mas do Brasil.

"No meu entendimento, houve um aproveitamento por parte do senhor presidente Macron para se capitalizar perante o mundo como aquela pessoa única, exclusiva e interessada em defender o meio ambiente", disse.

O presidente voltou a dizer que só aceitará a oferta de US$ 20 milhões se o francês se retratar sobre crítica feita ao brasileiro de que ele é mentiroso.

"Quando vocês olham pro tamanho do Brasil, a oitava economia do mundo, parece que US$ 20 milhões é o nosso preço. O Brasil não tem preço. US$ 20 milhões ou US$ 20 trilhões é a mesma coisa para nós", disse.

Bolsonaro afirmou também que Macron ofendeu a ele e relativizou a soberania do Brasil. Ele acrescentou que o francês "desrespeitou o sentimento patriótico do povo brasileiro".

"Somente após ele se retratar do que falou no tocante à minha minha pessoa, que representa o Brasil como presidente eleito, bem como o espirito patriótico do nosso povo", disse. "Havendo isso aí, sem problema, voltamos a conversar", ressaltou.

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