Mancha gigante de óleo em praia de AL ameaça santuário de peixe-boi

Rastro de petróleo é o maior no litoral alagoano desde o início da crise ambiental, em setembro

Carlos Madeiro
Maceió | UOL

Uma extensa mancha de óleo surgiu entre a noite de terça (15) e a madrugada desta quarta (16), com uma faixa de praia de aproximadamente 200 metros atingida em Japaratinga, litoral norte de Alagoas.

Um sobrevoo feito pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) revelou que há também vários pontos da praia com o material, inclusive próximo ao santuário do peixe-boi, em Porto de Pedras.

Pedaços de óleo são encontrados em cerca de 200 metros da praia de Japaratinga, em Alagoas
Pedaços de óleo são encontrados em cerca de 200 metros da praia de Japaratinga, em Alagoas - Instituto do Meio Ambiente de Alagoas / Divulgação

Segundo o chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Ibama em Alagoas, Rivaldo Couto dos Santos Júnior, a mancha é a maior que surgiu no litoral alagoano desde o início da crise ambiental, no início de setembro.

"Estamos na maré baixa e grande parte do município de Japaratinga está manchado. Essa maior mancha deve ter uns 200 metros de extensão. Já estamos removendo, com várias pessoas ajudando, com carregadeiras, caçambas", disse.

Em Porto de Pedras, há um projeto de conservação para proteção do peixe-boi, espécie ameaçada de extinção.

O Instituto Biota informou que técnicos da ONG foram até o local para calcular o dano e analisar os prejuízos possíveis ao local da espécie protegida.

De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que participou do sobrevoo sobre o litoral de Alagoas, "aparentemente o estuário do peixe-boi não foi atingido, mas as praias do entorno foram". Ele afirmou ainda que a região já está sendo limpa.

Segundo o mais recente balanço do Ibama, até a terça (15) foram registradas 167 praias contaminadas, em 72 municípios do Nordeste.

As manchas de petróleo têm aparecido mais no norte da Bahia e no norte de Alagoas, com uma distância superior a 300 km entre os pontos dos novos surgimentos. Na terça, além de Alagoas, vestígios do óleo foram achados também em Jandaíra, no litoral norte baiano.

A força-tarefa federal afirmou em nota que não havia registros de novos aparecimentos em um período de 24 horas, mas a situação mudou de forma brusca mais uma vez.

Para o oceanógrafo Flávio Lima, da UERN (Universidade Estadual do Rio Grande do Norte), há duas hipóteses para explicar o "retorno" do óleo a áreas que já tinham sido afetadas.

"Uma suspeita é que a fonte do óleo não cessou e estaria continuando a jorrar. Ou pode ser uma movimentação recludente das correntes oceânicas. Então o material pode estar sob efeito dessa movimentação, ou seja, pelo ciclo voltou a ser incidente em áreas já afetadas", explica.

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