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Texto em que Shell confirma vazamento de óleo no Brasil é de dezembro

Notícia antiga sobre vazamento de óleo circula como se fosse atual

São Paulo

Desde a noite de domingo (20), circula pelas redes sociais uma reportagem de dezembro da agência Reuters sobre um vazamento de petróleo ocorrido em uma operação da companhia petrolífera Shell. A divulgação do conteúdo tem provocado confusão nos debates sobre a contaminação por petróleo que afeta atualmente o Nordeste brasileiro.

Publicação no facebook com o link da matéria da Reuters afirma "alguém avisa o Bozo que a própria Shell reconhece o vazamento
Texto que viralizou esta semana é de dezembro de 2018 e se refere a vazamento na Bacia de Santos. - Reprodução/Projeto Comprova

Intitulada "Shell confirma pequeno vazamento de óleo em transferência marítima nas águas brasileiras" (tradução livre), a reportagem foi publicada pela agência de notícias em 10 de dezembro de 2018 e se refere a um episódio ocorrido na Bacia de Santos, que fica no litoral de São Paulo. Não há, portanto, relação entre o episódio descrito e a contaminação atual no Nordeste.

Desde o fim de agosto, manchas de óleo começaram a aparecer em praias de todos os estados do Nordeste brasileiro. Análises realizadas pela Petrobras e pela Marinha indicaram que o material é petróleo cru e não algum derivado. 

Na madrugada desta terça (22), um dos principais destinos turísticos da Bahia, a praia de Morro de São Paulo, foi atingida por grandes manchas de óleo.

Até esta segunda (21), ao menos 200 locais de pelo menos 77 municípios em nove estados foram atingidos pelas manchas de óleo. Veja a lista.
 

A Polícia Federal, a Marinha e o Ministério do Meio Ambiente estão investigando o caso, mas até agora não se sabe qual é a origem do petróleo que afeta a costa brasileira.

Em meio à contaminação do litoral do Nordeste, foram encontrados tambores da empresa Shell no Sergipe e no Rio Grande do Norte. A empresa afirma que o conteúdo dos barris não tem relação com o óleo cru encontrado nas praias da região. A PF investiga os clientes que compraram os barris. Segundo a Shell, os compradores são dos Emirados Árabes Unidos e da Libéria. 

O link acumula mais de 40 mil interações no Facebook, de acordo com a ferramenta de monitoramento de redes Crowdtangle, e circulou recentemente em páginas como “Rede de Informações Anarquistas” e “Blog Vamos Resistir ao Golpe” e no perfil @renatinhois no Twitter.

Projeto Comprova

O Comprova é uma coalizão de veículos jornalísticos que visa identificar, checar e combater rumores, manipulações e notícias falsas sobre políticas públicas. É possível sugerir checagens pelo WhatsApp da iniciativa, no número (11) 97795-0022.

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