Após chegada de óleo, visitação ao Parque Nacional de Abrolhos é suspensa

'Não tenho bola de cristal', diz ministro da Defesa sobre extensão de vazamento

Salvador

Após a chegada de manchas de óleo ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) determinou no domingo (3) a suspensão por três dias da visitação ao local.

Nesta terça (5), o instituto estendeu a proibição até a próxima quinta-feira (14). "A decisão de continuar com o Parque fechado deve-se à maré de sizígia, que provoca uma amplitude na variação do nível do mar e mais força na circulação de correntes marinhas, podendo aparecer novos fragmentos de óleo", diz comunicado, 

A medida se dá para não atrapalhar as atividades de prevenção, controle e remoção do óleo e minimizar possíveis danos à saúde dos visitantes. A depender do possível avanço das partículas de óleo na região, a suspensão das visitas pode ser prorrogada. 

Neste domingo, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, sobrevoou o parque, onde o óleo foi detectado pela primeira vez no sábado (2). Em Porto Seguro (a 715 km de Salvador), o ministro afirmou que “não tem bola de cristal” para estimar o volume e a dinâmica do vazamento do óleo que atingiu as praias do litoral nordestino.

“É um óleo difícil, que vem a meia água. O radar não pega, o sonar não pega, o satélite não pega. A gente tem uma visualização dele quando chega na água. É difícil, a gente não tem um bola de cristal em relação a isso”, afirmou.

O ministro respondia a um questionamento sobre a possível quantidade de óleo vazada e a possibilidade de novas manchas continuarem atingindo praias do litoral brasileiro.

Isso porque neste sábado, novas manchas de óleo em grande quantidade foram registradas em praias de Salvador. Somente na praia do Rio Vermelho, uma das mais icônicas da cidade por abrigar a festa de Iemanjá, foi retirada mais de uma tonelada de óleo entre sábado e domingo.

Após o sobrevoo em Abrolhos, o ministro informou que não houve registro de novas manchas de óleo no arquipélago.

Fernando Azevedo e Silva ainda destacou o trabalho da força-tarefa montada em torno do Arquipélago de Abrolhos, considerado o principal berçário de biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

Quatro navios da Marinha e dois da Petrobras patrulham a região. Equipes de mergulhadores estão fazendo vistorias periódicas nos recifes de coral e uma equipe de 30 pessoas está atuando na limpeza das praias.

Questionado sobre as investigações me torno dos responsáveis pelo vazamento do óleo, o ministro afirmou que as investigações estão em curso e que a petroleira grega Delta Tankers, apontada pela Polícia Federal como principal suspeita pelo vazamento, foi notificada.

O ministro não quis comentar sobre a nota emitida pela Delta Tankers que negou responsabilidade sobre o vazamento de óleo que vem atingindo a costa brasileira. Mas afirmou que todos os indícios apontam apara um vazamento do navio grego Bouboulina.

Percorrendo o litoral nordestino desde a última quinta-feira (31), o ministro Fernando Azevedo e Silva tem assumido o protagonismo das ações de monitoramento, contenção do óleo e limpeza das praias atingidas.

“Fiz questão de passar aqui em Abrolhos pelo sinal de ontem, o aparecimento de pequenos fragmentos [de óleo]. É um sinal”, disse o ministro, que chamou o parque de Abrolhos de “santuário ecológico”.

Criado pelo Governo Federal em 1983, o Parque Nacional de Abrolhos é a primeira unidade de conservação marinha do país e inclui ilhas do Arquipélago de Abrolhos.

A área concentra alguns principais bancos de corais do litoral brasileiro, incluindo espécies ameaçadas de extinção como os corais-de-fogo. Também registra cerca de 1.300 espécies de plantas e animais, incluindo as baleias-jubarte, que buscam as águas calmas do santuário para o acasalamento.

A última atualização do Ibama, de sexta (1°), aponta que 296 locais em 101 cidades de todos os estados do Nordeste foram atingidos pelo petróleo.

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