Aquecimento global pode levar à extinção de ursos polares antes de 2100, diz estudo

Com dificuldade para encontrar alimento, os animais perdem peso e correm riscos ao se aproximarem de regiões habitadas

Amélie Bottollier-Depois
Paris | AFP

As mudanças climáticas podem levar à extinção de ursos polares antes do final do século, incapacitando esses animais de se alimentarem quando as calotas polares desaparecerem no oceano, segundo um estudo publicado na segunda-feira (20) na revista científica Nature Climate Change.

Se as emissões de gases de efeito estufa continuarem no mesmo ritmo de hoje, o declínio na reprodução e sobrevivência comprometerá a permanência de quase todas as subpopulações de ursos polares até 2100, afirmam os pesquisadores. Segundo eles, mesmo no cenário mais favorável a extinção desses mamíferos seria apenas adiada.

Para estimar o tempo que resta aos ursos polares, os pesquisadores analisaram o desaparecimento progressivo de seu habitat: as calotas de gelo onde caçam as focas, parte essencial da sua alimentação.

Mais de 50 ursos polares invadem a aldeia russa
Mais de 50 ursos polares invadem a aldeia russa - Reproduçao The Sun

Animal carnívoro que vive em regiões árticas onde a temperatura pode cair para -40 °C no inverno, o urso polar é capaz de jejuar por meses.

Com o aquecimento global, duas vezes mais rápido no Ártico, o degelo dura cada vez mais tempo. Incapazes de encontrar outros alimentos tão ricos quanto as focas em seu ambiente, ursos famintos se aventuram longe de seu território, perto de áreas habitadas.

O derretimento do gelo é um desafio especial para as fêmeas, que entram em seus abrigos no outono para dar à luz no inverno, de onde saem somente na primavera com seus filhotes.

"Eles precisam caçar focas suficientes para poupar gordura e produzir o leite necessário para alimentar os pequenos", diz Steven Amstrup, um dos autores do estudo e principal cientista da ONG Polar Bears International.

"Estimamos o peso máximo e mínimo dos ursos além de seu gasto de energia, então calculamos o número máximo de dias de jejum que um urso polar pode suportar antes que a taxa de sobrevivência de adultos e filhotes comece a declinar", afirma Peter Molnar, da Universidade de Toronto.

Um macho da subpopulação de Hudson Bay, com peso 20% abaixo do normal no início do jejum, sobreviverá apenas 125 dias em vez de 200 no peso normal.

Os cerca de 25 mil ursos polares estão divididos por 19 subpopulações distintas no Canadá, no Alasca, na Sibéria, no arquipélago de Svalbard e na Groenlândia.

Se as emissões de gases de efeito estufa continuarem na taxa atual, "o declínio na reprodução e sobrevivência comprometerá a resistência de quase todas as subpopulações até 2100", dizem os pesquisadores.

Mesmo se o aquecimento fosse limitado a 2,4 °C em relação à era pré-industrial, isso não é garantiria salvar os ursos polares a longo prazo. Em todo o planeta, a temperatura aumentou 1 °C desde a era pré-industrial.

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