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Advogada, escritora e dramaturga, é autora de 'Caos e Amor'

Como sobreviver às férias escolares

Acumular o papel de educador com o de animador de festa não é tarefa fácil

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Começo com uma boa e uma má notícia: as férias chegaram. As crianças gritam de alegria, os pais, de desespero. Acumular o papel de educador com o de animador de festa não é tarefa fácil. Mas se estivermos bem preparados, faremos das férias uma experiência inesquecível.

A primeira dica é: seja otimista. As férias estão quase terminando, faltam apenas 29 dias.

Para quem terá o privilégio de viajar, não leve a casa inteira na mala. Não carregue marmitas, além de ser cafona, seus filhos não vão morrer de fome no caminho. Não faça das suas férias uma gincana: não tente desvairadamente conhecer todos os pontos turísticos, todas as praias, todos os restaurantes, a viagem pode ser melhor com menos. Se permita, pelo menos uma noite, fazer um programa adulto, deixe seus filhos no quarto do hotel pulando na cama e libere a batata frita, essas são as melhores lembranças das férias.

Para quem, como eu, que não vai viajar, recomenda-se fortemente não abrir o Instagram nesse período. Não caia na armadilha de compactuar com a provocação das fotos dos amigos (e inimigos) com sorrisos e pompas em cenários esplendorosos. Caso você não aguentar a tentação, não dê likes e se concentre no transtorno que é carregar malas, pegar uma virose na praia, ter o voo cancelado, usar roupas amassadas e banheiros estranhos.

Solidariedade nessas horas é fundamental. Junte-se a outros pais, inventem programas e se revezem. Seja generoso com eles e faça questão de deixá-los aproveitar o dia dos parques aquáticos, da bicicleta, do arvorismo, do impulso park. Quando for a sua vez, se abasteça de biscoitos e balas e chame os amiguinhos para assistirem a filmes na sua casa a tarde toda, enquanto você cuida deles descansando no seu quarto.

Aproveite a oportunidade e reserve momentos de intimidade com seu filho para ter conversas significativas e fortalecer o vínculo entre vocês. Por exemplo, como arrumar a cama, como não deixar as roupas no chão do quarto, como apagar a luz quando sair. Aproveite o tempo que eles estão em casa para fazê-los descobrir que as roupas sujas não andam sozinhas para a máquina de lavar e que pratos e talheres não são autolimpantes.

Se você trabalha em home office, informe para sua família que, excepcionalmente, durante o mês de julho você foi obrigado a trabalhar no escritório, regras da empresa. Saia de casa com o seu notebook, sente-se num café que tenha wi-fi, faça dele seu coffee office e passe a tarde inteira trabalhando, tomando milkshakes e comendo croissants.

Aplique a regra das máscaras de oxigênio dos aviões: em caso de despressurização —ou pressão— primeiro você, depois eles. Cuide-se bem, aproveite o inverno para cuidar da sua pele e "invista" em alguns procedimentos, já que você economizou não viajando. Você ainda ganha um bônus: ninguém vai te ver com o rosto inchado e, quando terminar as férias, sua pele estará radiante, enquanto a dos outros, ressecada e manchada pelo sol.

Esqueça a ideia de que seu filho tem que estar sempre entretido. Não preencha todos os seus vazios, ele tem que saber lidar com o tédio. Tudo bem se ele ficar chateado por não ter nada a fazer, ele vai dar um jeito de encontrar rapidinho alguma coisa, provavelmente algo mais criativo do que você proporia.

Nos dias de preguiça, vá ao cinema com seu filho. Escolha um filme com três horas de duração, compre um balde GG de pipoca e aproveite esse momento especial para tirar o atraso do sono. Dê preferência aos filmes 3D, para reduzir o risco de ser flagrada de olhos fechados.

Deixe-os dormirem tarde, para que você não tenha que acordar cedo.

Por fim, e o mais importante: divirta-se! Não importa onde, nem quando, nem com o quê. No fim das férias, talvez você já tenha perdido o medo delas e conhecerá uma nova maneira de fazer que elas aconteçam a qualquer dia do ano.

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