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Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina.

Os tempos atuais nos trazem lembranças de Alex e de Aldir Blanc

Recordo-me da categoria do meia e do comovente lirismo do compositor

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Assisti, pelo SporTV, à vitória do Cruzeiro sobre o Flamengo, por 3 a 1, no Mineirão, a do título da Copa do Brasil de 2003. O Cruzeiro, dirigido por Luxemburgo, tinha um timaço e foi também campeão estadual e do Brasileiro.

Alex jogava demais, um dos craques brasileiros que não atuaram em uma Copa do Mundo. Era minimalista, de poucos gestos e movimentos. Talento é tornar simples o que é complexo.

Alex (à dir.) comemora a vitória sobre o Goiás na campanha do título brasileiro do Cruzeiro em 2003 - Emmanuel Pinheiro-20.abr.03/Estado de Minas

O Cruzeiro, como era frequente nas equipes brasileiras, jogava com um trio de volantes e com Alex entre os três e os dois atacantes (4-3-1-2). Não havia meias abertos. O avanço era feito pelos laterais. Os europeus, desde aquela época, na maioria das vezes, atuam com um trio no meio-campo, um centroavante e dois jogadores pelos lados, que marcam e atacam.

Como os setores são muito próximos, não existe o clássico meia de ligação. São os dois meio-campistas que avançam, um de cada lado do volante centralizado. Além disso, os dois jogadores pelos lados também entram pelo centro para armar as jogadas.

No Brasil, por causa dos enormes espaços entre os setores, continua a dependência de um clássico meia de ligação. Se for um Alex, ótimo. Esses meias são cada vez mais bem marcados.

Quando Luxemburgo foi dirigir o Real Madrid, armou um sistema tático como o do Cruzeiro, com Zidane na função de meia de ligação. Os espanhóis criticaram muito o técnico, por não ter jogadores pelos lados, uma característica do futebol europeu.

Luxemburgo teve uma boa média de aproveitamento no Real Madrid. A causa principal de sua demissão foi a derrota para a Juventus, pela Liga dos Campeões. O jogo estava empatado em 0 a 0, o que dava a classificação ao Real, e Luxemburgo tirou Ronaldo Fenômeno e Zidane, dois craques. Queria ser mais sábio que a sabedoria.

A Juventus, sem se preocupar com os dois, foi para frente e ganhou por 2 a 0, eliminando o Real.
No domingo, a TV Globo mostrou a magistral e heroica atuação da seleção brasileira, na vitória sobre a Espanha, por 3 a 0, na final da Copa das Confederações de 2013.

Apesar de o Brasil só ter feito uma grande exibição na final contra a Espanha, criou-se a ilusão de que o Brasil tinha uma excepcional equipe, com muitos craques, e que, em casa, seria impossível não ser campeão do mundo. Terminou em 7 a 1.

Na coluna anterior, falei dos 5 a 4, de virada, do Botafogo sobre o Atlético, no Independência, em 1958. Além de Garrincha, Didi e Nilton Santos, jogava no Botafogo o centroavante Paulo Valentim, que tinha atuado no Galo. Valentim foi personagem real do belíssimo romance “Hilda Furacão”, um dos grandes sucessos do escritor mineiro Roberto Drummond. Paulo Valentim foi jogar no Boca Juniors e, apaixonado pela prostituta Hilda Furacão, a levou para a Argentina.

Muitas vezes, me encontrava com Roberto Drummond, atleticano, na Savassi. Conversávamos, caminhávamos e tomávamos um café. De vez em quando, o vejo, imortalizado em uma estátua.

Nesse devaneio literário, lembro de Aldir Blanc, mais uma vítima da Covid-19. Aldir, formado em medicina, era apaixonado pelo Vasco. Entrevistei-o, no Rio, em 1998, para a ESPN Brasil. Suas letras e crônicas tinham um comovente lirismo. Em 1979, escreveu, em parceria com João Bosco, a bela música

“O bêbado e a equilibrista”, quando sonhou “com a volta do irmão do Henfil” e de tantos outros que foram perseguidos pela nefasta ditadura.

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