Mônica Bergamo

Mônica Bergamo é jornalista e colunista.

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Sou uma adolescente normal que não cresceu num meio comum, diz Maisa

Apresentadora diz temer espionagem de intimidade pelo celular e que não cabe a ela mudar Silvio Santos

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Retrato da apresentadora Maisa

Retrato da apresentadora Maisa Karime Xavier/Folhapress

“Going to the beach [indo para a praia]”, avisa Maisa Silva, 17, aos seus 5,2 milhões de seguidores no Twitter. São 11h de um sábado, e a apresentadora e atriz, que estreou na TV aos três anos de idade no “Programa Raul Gil”, deixa o condomínio em que vive com os pais, em Tamboré (SP), a caminho de um fim de semana de folga com a família.

Cerca de duas horas depois, os três almoçam juntos na varanda do Sofitel Guarujá Jequitimar, que dá vista para a praia de Pernambuco, no litoral sul de SP. A coluna acompanha a refeição.

Maisa come uma feijoada vegana enquanto usa os seus dedos com unhas pintadas de cores diferentes para atualizar as redes sociais pelo smartphone. Ao mesmo tempo, participa animadamente da conversa à mesa. Na sobremesa, come churros.

“Gêmeos é o melhor signo!”, diz a jovem geminiana, que se empolga quando o assunto chega ao Zodíaco. “Se bem que homem de Gêmeos pode ser meio traíra”, emenda.

“Eu sou de Gêmeos”, lembra o pai da garota, Celso Andrade. Ele e a mulher, Gislaine, cuidam da carreira da filha. “É verdade! Menos você, pai!”, recorda-se Maisa, que gargalha da própria gafe.

Em março, a paulista de São Bernardo do Campo estreou o “Programa da Maisa”, no SBT, emissora em que trabalha há 12 anos e na qual vira e mexe ela confronta o patrão Silvio Santos em discussões e saias justas que depois viralizam.

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Entre os convidados da atração já estiveram Usain Bolt e Ronnie Von. Maisa quer levar Bruna Marquezine e Pedro Bial ao programa. A TV Globo teria dificultado num primeiro momento, quando o apresentador enviou a ela uma “cartinha super fofa” agradecendo o convite. A emissora depois liberou a ida dele.

Além do programa, ela é embaixadora de marcas de telefone, refrigerante, sorvete, roupa, absorvente, gilete, universidade e xampu. Recentemente, virou a adolescente mais seguida do mundo no Instagram, com 23,8 milhões de fãs.

O almoço termina e a família pede licença para que Maisa se arrume. Uma hora depois, o trio chega à suíte presidencial do hotel do Grupo Silvio Santos, cedida para a entrevista. O dono do SBT fica lá quando vai ao Guarujá. Funcionários da emissora têm desconto nas diárias.

ADOLESCÊNCIA

Acho que sou exatamente uma adolescente normal. Óbvio, uma adolescente normal que não cresceu num meio comum. Trabalhei desde muito pequena. Mas eu não tinha essa noção. Pra mim, sempre foi muito lúdico. Achava demais, e fico encantada com as coisas até hoje. Tento aprender, absorver o máximo que consigo.

ROTINA

Às vezes eu não tenho nem tempo de fazer cocô —e não faço [risos]. O meu tempo para fazer as coisas que todo mundo tem pra fazer é escasso. Como estudar. Não vou ter o dia inteiro para isso. Tenho que prestar atenção na aula. E, quando presto atenção em uma coisa, consigo ir impressionantemente bem. [Acompanhando a entrevista, o pai de Maisa acrescenta que a jovem é uma das melhores alunas da sala dela].

As gravações do programa acontecem às quartas e sextas. Eu entro na aula às 7h05 e saio ao meio-dia e meia [ela estuda no colégio Avanço, em São Paulo]. Tenho que saber dividir o meu tempo. Isso é uma responsabilidade que eu me cobro bastante.

Tudo o que acontece, tanto nas minhas redes sociais como na TV, é resolvido comigo. E, embora meus pais tentem me poupar, tenho essa iniciativa de querer estar a par das coisas. Tem reunião até em casa. No almoço de família a gente já discute a semana.

Cada semana eu recebo o meu cronograma. E aí encaixo todas as atividades para não ficar sem tempo para mim, que é muito importante. Gosto de usar os meus espaços livres para sair para jantar, ir a festas com amigos. E eu namoro [o estudante Nicholas Arashiro].

Fui criada assim, com pouco tempo para fazer tudo, porque queria fazer tudo.

TERAPIA

Vou à psicóloga uma vez por semana. E é muito legal. Geralmente as pessoas vão à terapia porque têm algum diagnóstico. Eu fui por curiosidade e descobri que não é só [para tratar] um caso específico. Pode ser pela sua vida inteira, para autoconhecimento. E autoconhecimento não deve ser negado a ninguém.

REDES SOCIAIS

Me exponho nas redes sociais de uma maneira saudável. Não uso a internet como se eu fosse uma pessoa pública. Falo tudo, até que o meu intestino é preso. Não sei se é por conta da minha idade que eu esteja um pouco mais inconsequente. Não ligo.

Fico perplexa com uma coisa que é: famosos não podem errar. De onde tiraram isso? Parece que quando o famoso erra, ou tem uma opinião com a qual a galera não concorda, é a pior pessoa do mundo. Sendo que todo mundo é hipócrita. Às vezes você está ali metendo o pau em alguém sendo que está brigado com a mãe por ter feito um bagulho horrível.

Para mim, [rede social] é como se fosse uma conversa com meus amigos, mesmo sabendo que não é. Eu nunca quis ter um distanciamento [de seus seguidores], para a galera ver que eu sou uma adolescente, sabe? E não só um produto, um objeto. Já sou diferente por conta do meu estilo de vida. Mas não quero que ninguém me ache super inacessível.

NEURA

Lembra uns anos atrás, quando parece que tinha um pedófilo observando crianças através do [aplicativo] Talking Angela? [O software grava a voz do usuário e a reproduz na boca de um gatinho virtual; o boato de que o aplicativo foi hackeado por pedófilos circulou em redes sociais em 2014]. Eu usava aquele aplicativo. Desde aquilo, fiquei com muito medo [de ter a privacidade invadida sem consentimento por meio de câmeras de smartphones].

Sempre tomei muito cuidado com isso. Sou meio neurótica até de ficar com o celular no banheiro. Tenho um pouco de medo dos robôs que podem estar nos observando. Ponho o dedo [para tapar a câmera]. Se estou me trocando, jogo o celular na cama com a tela virada pra baixo. Não confio em celular de jeito nenhum.

NUDES

Nunca mandei. Acho bobo. Mas respeito quem faz, lógico.

BRASIL

Fico bem triste que as pessoas estejam brigando tanto por política [ela não tirou o título de eleitor a tempo de votar nas eleições do ano passado]. Sei que pode parecer horrível a opinião de alguém para você, mas a gente tem que tentar ouvir. Espero que a minha geração seja capaz de mudar [o país]. Que, quando eu tiver 30 anos e o pessoal que estudou comigo estiver no governo, eles sejam bem legais. Espero da galera que já cresceu mais conectada à internet uma visão mais aberta do mundo.

FEMINISMO

Feminismo é liberdade. É você conhecer os seus direitos e não estar sozinha. É reflexão. Ninguém nasce feminista. A gente vai aprendendo. E nunca é uma coisa formulada. Gosto disso, de saber que as ideias podem mudar, mas, mesmo diferentes, a gente [mulheres] tem que estar do mesmo lado e lutar por nós.

Outro assunto que a gente está aprendendo agora é essa questão de transsexuais não binários [cuja identidade não se limita às categorias masculino e feminino], sabe? Acho que essa é a nova pauta que pra galera de cinco aninhos de idade [no futuro] vai ser: ‘Ai, estou super acostumada [com a convivência com trans]’. Tipo: ‘Sério que vocês estavam falando disso dez anos atrás?’. Essa é a pauta do momento.

SILVIO SANTOS

Evito falar sobre o Silvio ao máximo, porque ele é meu patrão e seria até meio antiético. Mas, assim: ele é um senhor de idade. Não tem como eu, que tenho 17 anos e vivo numa era digital, ficar do nada tentando ligar uma chave nele para que ele entenda que algumas coisas não são mais aceitáveis [nos últimos anos o apresentador foi criticado por comentários considerados homofóbicos e misóginos].

Ele é um idoso, tipo, extremamente. Tem 88 anos. Antes, tudo bem o que ele falava. Hoje, a galera não reage mais da mesma maneira porque tá rolando esse movimento de ouvir as minorias, de respeitar o próximo.

Tento corrigir ele sempre que vou ao programa. Tipo explicando que bicha não é uma coisa ok pra você chamar alguém. Mas isso [corrigi-lo] não é uma função minha. Eu reprovo, sempre mostro. Nunca fiz questão de fazer média com ele. [O pai da apresentadora acrescenta: ‘Ele faz para provocar a Maisa’].

Nunca me senti intimidada em mostrar a minha personalidade, as coisas em que eu acredito. Acho que é por isso que ele fica falando essas coisas. Porque sempre me posiciono ou demonstro, com as minhas expressões, que de certas coisas eu não gosto. Ele sabe disso. Eu não gosto, ninguém gosta, mas enfim.

CASTIGO

Você me pegou em um dia bem curioso, porque eu acabei de me recuperar de uma inflamação [na garganta]. Parecia que eu estava deprê ao extremo. [‘A tristeza dela é ficar rouca!’, diz a mãe dela, que também acompanha a conversa]. Quando eu fico com a garganta inflamada, são os piores dias da minha vida. Por não poder falar. É o meu castigo. Eu falo pelos cotovelos.

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