Descrição de chapéu Alalaô carnaval

Três dias após choque em folião, prefeitura faz vistoria em postes de SP 

Segundo departamento de iluminação, todos os equipamentos serão desligados

Mariana Zylberkan Luciano Cavenagui
São Paulo

O estudante de engenharia Lucas Antônio Lacerda da Silva, 22, eletrocutado em poste de SP
O estudante de engenharia Lucas Antônio Lacerda da Silva, 22, eletrocutado em poste de SP - Arquivo Pessoal

Três dias após um estudante ter sido eletrocutado ao encostar em um poste de São Paulo durante desfile de bloco do Carnaval, a gestão João Doria (PSDB) mandou vistoriar as 110 câmeras de segurança instaladas por uma terceirizada contratada pela Dream Factory, vencedora da concorrência para gerir um patrocínio de R$ 20 milhões da festa. Após a inspeção, decidiu desligar 38 dos equipamentos, que estavam irregulares.

A ordem de vistoria foi dada à AES Eletropaulo, distribuidora de energia, e ao Ilume, departamento de iluminação da cidade. No domingo (4), Lucas Antônio Lacerda da Silva, 22, recebeu uma descarga elétrica em um poste na rua da Consolação, na região central, onde tinham sido instaladas duas dessas câmeras de segurança.

O equipamento foi colocado em um poste de sinalização de pedestres pela GWA Systems, contratada pela Dream Factory para atender à exigência do edital de chamamento público de instalar 200 câmeras nas regiões de maior concentração de foliões.

Segundo a prefeitura, porém, as empresas não tinham autorização da CET para instalar as câmeras no poste –nem da Ilume para esticar um fio de um outro poste para ligar esses equipamentos.

"Outras 72 câmeras foram montadas em locais privados, estão regulares e serão utilizadas durante a folia, disse Cláudio Carvalho, secretário das Prefeituras Regionais. Vamos solicitar a contratação de nova terceirizada para colocar câmeras, mas agora com autorização", afirmou.

"No planejamento do Carnaval, foram definidas apenas as regiões para a instalação, não os locais exatos. É obrigação da empresa que instala pedir autorização", disse.

O dono da GWA Systems, Arthur José Malvar de Azevedo, afirmou à Folha que teve apenas três dias para instalar as câmeras de segurança e que a Secretaria de Prefeituras Regionais e a Dream Factory definiram os locais onde deveriam ser instaladas.

Sobre as vistorias, a secretaria informou que recebeu só na noite de terça (6) a lista com os locais onde os equipamentos foram instalados.

Por ter demorado em fornecer as informações e não ter avisado sobre seu contrato com a GWA Systems, a Dream Factory será notificada pela prefeitura. A empresa não se manifestou.

O Ilume informou que, apenas na rua Consolação, localizou 16 câmeras de segurança instaladas de forma irregular. Os aparelhos foram desligados. 

Questionamentos


Nesta terça-feira (6), a Folha encaminhou uma série de questionamento à prefeitura a respeito da instalação irregular das câmeras no poste de sinalização, mas não obteve respostas. A administração não esclareceu, por exemplo, sobre a falta de fiscalização do serviço prestado pelas empresas terceirizadas.

A gestão Doria apenas frisou que os órgãos municipais não foram comunicados pelas empresas sobre a instalação das câmeras no poste. Mas não esclareceu se funcionários da prefeitura deveriam ter acompanhado e fiscalizado a qualidade da instalação nem se o poste de iluminação, onde foi conectado o fio para ligar as câmeras, havia sido inspecionado. A gestão Doria também não esclareceu se funcionários da CET realmente não perceberam a presença das câmeras no poste de sinalização na esquina das ruas da Consolação e Matias Aires. 

Também nesta terça, Doria afirmou que a prefeitura aguarda o laudo da polícia para se manifestar oficialmente sobre a morte de Silva, que chamou de "lamentável acidente". Ele disse que a instalação das câmeras não estava autorizada e não representava um "instrumento da prefeitura". Tanto o TCM (Tribunal de Contas do Município) como o Ministério Público pediram esclarecimentos à prefeitura.

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