Manifestantes protestam contra morte de Marielle Franco em Nova York

Cerca de 150 pessoas compareceram a ato na Union Square

Silas Martí
Nova York

Um ato de protesto contra o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, reuniu cerca de 150 pessoas na Union Square, em Nova York. Grande parte dos manifestantes era composta por brasileiros, mas havia também estrangeiros.

“Precisamos mandar um sinal para o Brasil. Estão tentando tomar conta do nosso belo país e precisamos evitar isso. O Brasil não está à venda e a vida de Marielle não estava à venda”, disse uma manifestante num megafone. “Ela denunciou a morte de jovens inocentes. Devemos resistir.”

Em volta dela, nessa praça do sul de Manhattan, manifestantes seguravam cada um uma letra soletrando a frase “ela foi assassinada”. Cartazes com retratos de Marielle Franco e estatísticas sobre a morte de negros no Brasil também foram mostrados no protesto.

Ativistas negros americanos também se juntaram ao ato, descrevendo como uma execução o que aconteceu nesta semana no Rio, quando a vereadora foi morta com quatro tiros na cabeça e no pescoço.

Em coro, segurando flores e cartazes dizendo “Marielle presente”, o grupo recitou um discurso afirmando que a vereadora foi executada pela polícia. Também houve gritos de “fora, Temer”.

Crime

assassinato a tiros da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista e a repercussão nacional e internacional do crime reforçaram a pressão sobre os interventores federais no Rio, deixando encurralados os militares do Exército responsáveis pela segurança do estado.

Veja tudo o que se sabe sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco 

Decretada pelo presidente Michel Temer (MDB) com a justificativa de frear a escalada da violência, a intervenção completa um mês nesta sexta-feira (16), dois dias depois da morte de Marielle, 38, e do motorista Anderson Pedro Gomes, 39, em uma rua do Estácio, na zona norte, à noite, a menos de 200 metros de uma cabine da Polícia Militar.

Nascida e criada no complexo de favelas da Maré e crítica frequente da violência policial em áreas pobres, a vereadora levou quatro tiros na cabeça quando voltava de um evento. Nada foi roubado, e os criminosos fugiram. O motorista levou três tiros, e uma assessora sobreviveu. A principal hipótese dos investigadores é de crime premeditado.

Integrantes da cúpula da intervenção federal disseram à Folha que a ação criminosa contra uma autoridade, com potencial de repercussão política e social, foi vista como uma afronta ao trabalho dos militares do Exército.

Sob comando do general Walter Braga Netto, eles participaram de uma série de reuniões e cobraram da Polícia Civil, que teve seu comando trocado na última semana, um desfecho rápido sobre os autores do crime. Ao menos oito equipes da Delegacia de Homicídios trabalham no caso.

Oficialmente, Braga Netto evitou se expor. Limitou-se a divulgar nota dizendo repudiar ações criminosas e monitorar a investigação em contato permanente com Richard Fernandez ​​Nunes​, general nomeado secretário da Segurança.

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