Terça em SP é de postos ainda secos e restrição em mercados; atualize-se

Com crise de abastecimento, cirurgias são desmarcadas, e Uber fica mais caro

Thiago Amâncio Dhiego Maia
São Paulo

Com a paralisação dos caminhoneiros por todo o país, a cidade de São Paulo, em emergência, passa por crise de desabastecimento que ainda deve causar impactos na vida do paulistano nesta terça-feira (29). Veja, abaixo, a situação dos postos, transportes, escolas e hospitais da cidade.

 

O abastecimento está longe de se normalizar, mas a capital paulista já começou a receber as primeiras cargas de combustíveis na manhã desta terça (29). O Sincopetro, sindicato dos postos, ainda considera que 99% dos estabelecimentos estão secos. Quando há combustível, é, em geral, etanol, e ainda a preços elevados —no fim de semana, motoristas relataram ter pagado até R$ 3,89 por litro de álcool. O Sincopetro alerta também para a possibilidade de este combustível ser adulterado. Casos de sobre-preço ou de combustível adulterado devem ser denunciados ao Procon. 

Ainda há diesel remanescente em alguns locais. A reportagem encontrou postos em Pinheiros, na zona oeste, e na região central, com disponibilidade do óleo, usado para abastecer caminhonetes e vans.

A prefeitura tem feito operações para garantir combustível, em escolta, e aumentou de três para 14 o número de postos que atendem a serviços essenciais. Eletropaulo e Comgás também começaram a ser abastecidos nessas unidades.

TRANSPORTE

Cerca de 70% da frota de ônibus municipais circula nesta terça. As linhas noturnas estão autorizadas a operar com 50% da sua capacidade. Na quarta-feira, no entanto, a circulação ainda não está garantida.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos anunciou que as linhas da CPTM (trens), do Metrô e da ViaQuatro (linha 4-amarela do Metrô) funcionarão com horário estendido, abrindo às 4h e fechando à 1h, e não à meia-noite, como de costume. A exceção é a linha 13-jade da CPTM, que foi inaugurada no final de março e funciona em operação assistida das 10h às 15h. Desde a última quinta-feira (24), a CPTM e o Metrô já operam com 100% da frota de trens inclusive nos horários de menor fluxo.

A tendência é que, sem combustível, quem usa transporte por aplicativos tenha que esperar ainda mais para conseguir uma corrida e pagar tarifas mais caras —​nesta segunda, as tarifas chegam a custar 2,5 vezes mais que o preço normal. Motoristas estão recusando corridas que não estiverem mais caras (já que eles também pagam mais pelo combustível para rodar). As empresas que operam esses aplicativos estão orientando os condutores sobre onde conseguir abastecer e sobre as condições do trânsito.

O rodízio de carros está suspenso enquanto o serviço de ônibus estiver reduzido. As restrições à circulação de caminhões na cidade também estão suspensas, até 3 de junho, próximo domingo. 

Os agentes de trânsito não multarão motoristas que tiverem pane seca.

O congestionamento na cidade deve ser mínimo, assim como nos dias anteriores. A média de trânsito na cidade às 8h30 é de 98 km de vias congestionadas. Nesta segunda, no mesmo horário, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 8 km de vias paradas.

ALIMENTAÇÃO

A partir desta semana, começa a faltar carnes, frios, leite e derivados nos supermercados da cidade, além de frutas, verduras e legumes, produtos mais perecíveis cujo abastecimento já estava dificultado desde o início da paralisação. Os mercados menores são os que sofrem mais, já que têm menos espaço para estoque. Em hipermercados, a falta é menos notada. Itens como cebola e batata chegam a custar o dobro, onde ainda são encontrados. Segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados), os comércios tem ainda estoque para aguentar a paralisação por cerca de 15 dias. O setor estima que, ao fim da paralisação, seja necessário de 10 a 20 dias para recuperar a normalidade do abastecimento.

No Ceagesp, maior central do país de abastecimento atacadista de frutas, legumes e verduras, a situação também continua complicada. Só chegam produtos do cinturão verde da cidade, como hortaliças, temperos, folhas, pepino, tomate, chuchu, que chegam por rotas alternativas. Resta também frutas conservadas em geladeira, como maçã, pera e uva. Não há mais mamão, coco verde, melancia ou abacaxi. Nesta segunda, o centro só recebeu 10% do esperado.

As feiras livres da cidade também foram reduzidas.

ESCOLAS

As aulas nas escolas paulistas estão mantidas, mas há “uma grande falta” de professores e alunos, segundo a prefeitura, que não conseguem chegar seja pela falta de ônibus, seja por falta de transporte escolar —uma parte da categoria está parada, o que afeta 70 mil alunos, de um universo de um milhão de estudantes da rede municipal.

A oferta de merenda está garantida para esta terça, mas as empresas terceirizadas que preparam a alimentação escolar têm sofrido com falta de produtos e gás de cozinha. A ideia da prefeitura é priorizar a educação infantil, em detrimento dos alunos do ensino fundamental e médio, caso seja preciso haver racionamento.

SAÚDE

As cirurgias eletivas na rede municipal de São Paulo, cerca de 100 por dia, metade dos procedimentos feitos na cidade, estão suspensas para dar prioridade aos procedimentos de urgência em cinco hospitais da cidade: Carmino Caricchio (Tatuapé), Fernando Mauro Pires da Rocha (Campo Limpo), Ignácio Proença de Gouveia, José Soares Hungria e Mario  Degni. A ideia é garantir que não haja falta de medicamentos, produtos. Os serviços que demandam laboratório também.

Nas UBS (Unidades Básicas de Saúde), não haverá exames de rotina nesta terça. O Samu funciona regularmente.

Segundo o sindicato e a federação dos hospitais (Sindhosp e Fehoesp), as reduções de atendimento médico-hospitalar estão mantidas enquanto não houver normalização das entregas de materiais, medicamentos e alimentos. Há contenção no uso das roupas cirúrgicas e no enxoval de hospitais como toalhas, lençóis entre outros.

A recomendação das associações é que a população só recorra aos hospitais em caso de urgência.

Nos hospitais privados, segundo a Anahp, entidade que representa o setor, também há escassez de alimentos para a dieta dos pacientes internados, ambulâncias paradas por falta de combustível, falta de rouparia limpa e problemas no recolhimento do lixo hospitalar.

Segundo a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), há relatos de laboratórios de análises clínicas e de imagem com dificuldade de receber cargas de reagentes e contrastes porque não há priorização dessas cargas nas aeronaves.
Além do atraso no processamento de exames, isso coloca em risco a estabilidade das amostras coletadas dos pacientes. 

FERIADO

A prefeitura pode e considera decretar ponto facultativo ou feriado municipal caso a crise de desabastecimento se agrave, mas é receosa quanto à medida, que tem forte impacto na arrecadação —em uma semana, o impacto nos cofres públicos foi de até R$ 150 milhões. O prefeito Bruno Covas chamou a medida de “extrema”. “Estamos considerando, mas não é ainda o momento de decretação do feriado municipal. Os serviços municipais, ainda que de forma mínima, estão garantidos na cidade de São Paulo.”

LIXO E VARRIÇÃO

A coleta de lixo domiciliar e a varrição opera normalmente até a noite de terça. A coleta hospitalar, a limpeza pós-feiras livres e o recolhimento de animais mortos continua a ocorrer, mas a coleta seletiva está suspensa.

SERVIÇO FUNERÁRIO

O serviço funerário está garantido nesta terça, mas só há autonomia de 24 horas, já que não há espaço para estocar combustível.

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