Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Forças armadas fazem operação na Rocinha e detêm 16 pessoas

Ação foi a primeira feita por militares e policiais federais desde início da intervenção no Rio

Rocinha
Homens das Forças Armadas no início da operação na favela da Rocinha neste sábado - Luis Kawagut/UOL
Luis Kawaguti Nicola Pamplona
Rio de Janeiro
As Forças Armadas, a Polícia Federal e as polícias do Rio de Janeiro iniciaram na manhã deste sábado uma operação para ocupar a Rocinha e outras três favelas da zona sul da capital fluminense. Até as 16h, 16 pessoas haviam sido presas. Um suspeito foi ferido em confronto. 

Esta é a primeira vez desde o início da intervenção federal no Rio, em fevereiro deste ano, que as Forças Armadas são mobilizadas para atuar na Rocinha —considerada uma área altamente instável e que vem registrando tiroteios frequentes desde 2017.

Segundo o Comando Conjunto da intervenção, além da Rocinha, a operação deste sábado abrange as favelas do Vidigal, Chácara do Céu e Parque da Cidade. O comando da intervenção disse que foram apreendidas armas e drogas durante o dia, mas ainda não informou as quantidades.

 Por volta das 6h, os soldados e os policiais entraram nas favelas com o apoio de blindados de transporte de tropas e de helicópteros. A ação provocou o fechamento de vias na região, entre elas a estrada Lagoa-Barra, uma das mais importantes do Rio.

Ao ver a chegada dos policiais, traficantes do Comando Vermelho soltaram fogos de artifício para avisar os colegas sobre a operação e dispararam do alto do morro contra a polícia. A resistência durou apenas alguns minutos, e os tiros pararam.

O objetivo da ação é prender procurados, derrubar barricadas erguidas pelo tráfico e revistar pedestres e veículos. Pela primeira vez, policiais federais participam da operação. Eles cumprem mandados relacionados a investigações federais e não estão subordinados ao Comando Conjunto da intervenção.

A intervenção não divulgou o número de agentes que participam da operação, mas afirmou que a ação ocorre de forma articulada à ocupação da favela da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio, iniciada na última quinta-feira (7). Segundo o Comando Conjunto, o efetivo total de ambas as operações é de 4.600 militares e mais de 700 policiais.

Ao contrário da operação em curso na Cidade de Deus, a atuação na Rocinha foi planejada para ocorrer apenas durante o dia de sábado. Na Cidade de Deus, as forças de segurança permanecerão por tempo indeterminado.

 O comando da intervenção não comentou as razões para a desmobilização na Rocinha no fim do dia, alegando que não pode comentar estratégias de emprego tático.

A ação também ocorre simultaneamente a um mutirão de ações sociais promovido pelo Gabinete de Intervenção Federal no bairro da Praça Seca, no qual militares oferecem serviços como atendimento médico e odontológico, confecção de documentos e orientação jurídica, entre outros.

Esta também é a primeira vez que a intervenção coloca em prática em um mesmo dia todas as vertentes da estratégia de operações de "amplo espectro" —ou seja, ações de força armada em determinados pontos da cidade e ao mesmo tempo iniciativas sociais para ganhar a confiança da população em outra região.

Conflitos na Rocinha

No ano passado, a favela da Rocinha foi palco de uma guerra de facções criminosas que resultou em ocupações das Forças Armadas e um reforço permanente de tropas especiais da Polícia Militar.

A onda de conflitos começou em 17 de setembro de 2017, quando criminosos leais ao ex-chefe do tráfico na Rocinha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), tentaram retomar a favela, que vinha sendo controlada por um ex-aliado do criminoso, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157.

As Forças Armadas ocuparam toda a região e lá permaneceram por uma semana, com base em um então recém assinado decreto federal de Garantia da Lei e da Ordem, que permite o uso de militares em operações de segurança pública e ainda está em vigor. Os militares ainda voltaram à região em outras ocasiões no ano passado a fim de cercar a favela para que policiais tentassem prender foragidos da Justiça.

Segundo a polícia, atualmente, a Rocinha vive um conflito de facções, com um novo chefe do tráfico vinculado ao Comando Vermelho. Porém, haveria relatos de que integrantes da ADA estariam tentando brigar pelo poder na região.

A favela é uma das maiores do Brasil. As operações deste sábado ocorrem em uma área habitada por cerca de 120 mil pessoas.

A Rocinha conta desde 2012 com uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), que continua em funcionamento. Desde o ano passado, porém, com o reforço diário de unidades de elite da PM. Mesmo assim, em março, já durante a intervenção federal, foi palco de intensos confrontos entre traficantes e policiais.


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