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Linha 5 do metrô de SP tem atraso e fila na estreia de gestão privada

Concessionária diz que trem indicou falha nas portas e teve de ser trocado

Luciano Cavenagui
São Paulo

O primeiro dia útil de operação da concessionária ViaMobilidade na linha 5-lilás do metrô de São Paulo foi marcado por atrasos, confusão e maior espera nas estações nesta segunda-feira (6).

A empresa administrará a linha pelos próximos 20 anos, conforme concessão firmada pelo governo paulista. Até a última sexta (3), a operação era feita de forma direta pelo Metrô, atualmente ligado à gestão Márcio França (PSB).

A linha conta atualmente com 12 estações, entre Capão Redondo e Moema, na zona sul. Estão ainda em obras estações que conectarão a linha às estações Santa Cruz, da linha 1-azul, Chácara Klabin, da linha 2-verde.

Fila na estação Capão Redondo da linha 5-lilás - Juan Perazzo/Folhapress

Na estação Campo Limpo, na zona sul, por volta das 7h, era grande a concentração de pessoas que não conseguiam embarcar. A jornalista Giovanna Manucelli, 25, relatou que avisos sonoros indicaram problemas técnicos nos trens.

“O trem ficou parado cerca de seis minutos na plataforma. Depois veio o aviso sonoro de que todos deveriam sair da composição, por problemas técnicos, pois o trem não poderia seguir viagem”, afirmou Giovanna.

“Fomos orientados a aguardar outro trem que chegaria na plataforma, mas o local ficou lotado. Tive de esperar três composições para conseguir entrar. Foi um transtorno muito grande”, relatou. Ela afirma ter chegado uma hora e meia atrasada no trabalho por causa dos transtornos.

Outro usuário prejudicado foi o professor da rede pública Carlos Alberto Porto, 59. “Não explicaram direito o motivo do problema técnico. Acho que não devem estar fazendo a manutenção adequada dos equipamentos. A população sempre acaba sendo prejudicada e pagando a conta.”

“Tentei entrar na estação Campo Limpo e fiquei mais de 30 minutos para passar a catraca. Cheguei atrasado no trabalho. Espero que melhorem o serviço prestado”, contou o designer Vagner da Silva Martins, 34.

A concessionária ViaMobilidade alegou que um trem apresentou “indevida sinalização” no sistema de portas e precisou ser evacuado na estação Borba Gato.

De acordo a empresa, o trem precisou ser retirado de operação, sendo substituído por outro para conduzir os passageiros até o final da viagem.

A reportagem solicitou mais detalhes sobre os transtornos, incluindo os motivos dos problemas e os horários afetados pelos passageiros. Entretanto, não obteve resposta da nova concessionária.

A ViaMobilidade é um consórcio formado pela gigante do setor de mobilidade CCR, além da Rua Invest, braço de um dos mais tradicionais grupos de ônibus que atuam na cidade de São Paulo.

As duas empresas já participam da operação da linha 4-amarela, que até o último sábado era a única linha da rede de metrô paulista concedida à iniciativa privada.

Além da linha 5-lilás, a ViaMobilidade conquistou ainda o direito de operar a linha 17-ouro, que ainda está em construção e deverá ligar o aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da CPTM, na marginal Pinheiros.

Em construção desde 2012, a linha 17-ouro deveria pronta em 2014, para a Copa do Mundo. Após vários atrasos, deverá ser entregue até 2019.

A linha 5-lilás também chegou a ser prometida para 2014, mas sofreu seguidos atrasos. As obras ficaram suspensas em 2010, depois que uma reportagem da Folha mostrou que as empresas que venceriam os lotes para a segunda etapa do ramal (entre as estações Largo Treze e Chácara Klabin) já eram conhecidas seis meses antes da licitação.

No início deste ano, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) comemorou a concessão das linhas 5-lilás e 17-ouro. Fazem parte do plano de concessões ainda o monotrilho da linha 15-prata, na zona leste, e também a futura linha 6-laranja (que ligará a Brasilândia à estação São Joaquim).

Antes de deixar o governo para concorrer à Presidência, Alckmin disse ter planos de conceder a linha 2-verde.

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