Polícia encontra R$ 1,2 milhão em endereços ligados a João de Deus

Apreensões foram feitas em operação da Polícia Civil e da Promotoria de Goiás na sexta-feira (21)

João Pedro Pitombo
Salvador

A Polícia Civil de Goiás encontrou R$ 1,2 milhão em espécie em endereços ligados ao médium João de Deus.

As apreensões foram feitas em uma operação realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Goiás, nesta sexta-feira (21) em Abadiânia (a cerca de 90 km de Goiânia). O balanço da operação foi divulgado neste sábado (22).

Além do R$ 1,2 milhão em reais, encontrado em pilhas de notas de R$ 100 e R$ 50 enroladas em elásticos, a polícia apreendeu pequenas quantias em dólar e euro.

 

Um revólver também foi encontrado, além de pouco mais de uma centena de pedras que serão periciadas para que seus valores sejam estimados.

O novo montante encontrado irá se somar a outros cerca de R$ 400 mil apreendidos na última quarta-feira (19) em uma das casas do médium junto a cinco armas de fogo.

João de Deus foi indiciado pela Polícia Civil de Goiás sob suspeita de violação sexual mediante fraude. Ele é alvo de outros oito inquéritos policiais que investigam supostos abusos sexuais.

Os crimes teriam sido praticados durante atendimentos individualizados e em locais restritos na Casa Dom Inácio de Loyola, local onde o médium atendia em Abadiânia.

Ao todo, a Promotoria recebeu 596 relatos de assédios supostamente praticados pelo médium, que foi preso preventivamente no último domingo (16).

O caso

Os casos começaram a tornar-se público após 13 mulheres relatarem as denúncias no sábado (8) durante o programa Conversa com Bial, da TV Globo, e ao jornal O Globo.

Na segunda (10), Aline Saleh, 29 contou sua história à Folha: "Quem tem de sentir vergonha é ele, e não eu". Ela diz que, em 2013, esteve na casa e que foi levada para um banheiro, posta de costas e que João de Deus colocou a mão dela em seu pênis.

Em comum, a maioria das mulheres diz que recebeu um aviso de procurar o médium em seu escritório ao fim das sessões em que ele atende aos fiéis.

No local, segundo as vítimas, João de Deus dizia que elas precisavam de uma “limpeza espiritual” antes de abusá-las sexualmente. Entre as vítimas estariam mulheres adultas, crianças e adolescentes.

Na sexta (14), a Justiça decretou a prisão preventiva do médium. Ele ficou escondido num sítio na zona rural de Abadiânia até se entregar na tarde de domingo (16) e ser levado para a prisão em Aparecida de Goiânia. 

O momento da apresentação foi registrado com exclusividade pela colunista Mônica Bergamo, da Folha.

No depoimento que prestou à polícia, o médium negou qualquer tipo de culpa nos abusos sexuais dos quais é suspeito, e sua defesa tentou desqualificar as denunciantes. "Ele não admite [envolvimento]. Apresenta suas versões e cabe à polícia provar", afirmou o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, que acompanhou a oitiva.

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