Capital paulista não consegue reduzir número de mortes no trânsito em 2018

Diminuição de óbitos na cidade que já foi de 14% ao ano; em 2018, foi de 0,1%

Fabrício Lobel
São Paulo

A cidade de São Paulo registrou, em 2018, 884 mortes em seu trânsito. O número representa apenas uma morte a menos do que em 2017, o que para fins estatísticos, significa a estagnação da redução da mortalidade por esta causa na cidade.

Os dados são do Infosiga, vinculado ao governo do estado, e mostram que na capital paulista havia uma queda paulatina do número de mortes no trânsito. Em 2016, a redução foi de 14%. 

Entre as justificativas dessa redução apontadas por especialistas estão desde a crise econômica, que reduz o número de viagens feitas na cidade, às políticas públicas que visam a segurança viária, como a redução de velocidades máximas em algumas avenidas. 

Já em 2017, a queda nas mortes na capital foi de 9%. Em 2018, ficou apenas em 0,1%.

A estagnação dessa redução na capital está na contramão dos números do Estado de São Paulo, que viram a redução de 3,5% de suas mortes (ainda que mais tímida do que nos anos anteriores).


Se os dados estaduais forem  analisados sem contar com as mortes registradas na capital, o descompasso entre o estado e a cidade fica maior. Desde 2016, as reduções anuais foram de 6,7%, 4,2% e 4,1%. 

A estagnação das mortes no trânsito na capital é um alerta para a Prefeitura de São Paulo e para a CET Companhia de Engenharia de Tráfego). 

A meta da gestão João Doria/Bruno Covas (PSDB) é chegar em 2020 com o índice de 6 mortes do tipo a cada cem mil habitantes. Pelos dados do Infosiga, a taxa atual é de 7,26. Nova York tem taxa de 2,3.
Na capital paulista, a maioria das mortes está entre os pedestres, representando 42% dos casos. Essas vítimas diminuíram 5,8% em 2018, na comparação com o ano anterior. 

Em segundo lugar, estão os ocupantes de motos, com 41% dos casos. O dado alarmante é o forte aumento das mortes nesse segmento, entre 2017 e 2018, numa alta de 18%. Já no estado (sem considerar os dados da capital), a tendência foi de queda de 3% nas fatalidades de motociclistas.

As mortes de ocupantes de automóveis ficaram estáveis. As mortes de ciclistas teve forte queda, ainda que partindo de uma base menor (eram 37 em 2017 e 22 no ano passado).

Para o engenheiro e consultor em segurança viária, Horácio Figueira, era esperado a paralisação da queda das mortes na cidade, diante da perda de fôlego de novas políticas públicas de segurança e a saturação de antigas políticas.

“A diminuição das velocidades nas avenidas da cidade, feita em 2015, tiveram um peso satisfatório na segurança. Mas esse efeito é limitado e é possível que tenhamos chegado na capacidade de atuação desta política pública”, analisa.

Luiz Carlos Néspoli, da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) concorda. “Quando se reduz o número de mortes, como ocorreu desde 2015, é preciso reforçar as políticas já feitas e acrescentar estratégias novas. Só assim, as mortes cairão ainda mais”, analisa. “No caso das motocicletas, ainda falta política pública específica”.

Os dados do Infosiga, do governo do Estado, são diferentes dos contabilizados pela CET, vinculada à prefeitura, e que ainda não foram compilados para o ano de 2018. Entre as diferenças de metodologia, está o tempo que a análise aguarda para saber se uma vítima de trânsito morreu após ser hospitalizada.
Em nota, a CET diz que acompanha constantemente os acidentes na cidade e que os dados do Infosiga são mais uma contribuição nessa análise. A CET diz ainda que é preciso que a população tenha consciência de que mudanças de comportamento e respeito às leis salvam vidas. 

A CET diz ainda ter implantado diversas políticas de segurança viária na cidade como os programas Pedestre Seguro, Via Segura, Ruas Completas e Áreas Calmas. 

A CET cita ainda como uma ação de segurança o Via Segura, programa que depois de ser aplicado nas marginais Pinheiros e Tietê não reduziu o número de mortes nessas vias em 2016 e em 2017.

Dezembro de 2018 foi o terceiro mês mais violento desde 2015 São Paulo 

O último dezembro na capital paulista foi o terceiro mês mais violento de toda a série histórica do Infosiga (desde janeiro de 2015).

O sistema registrou 106 mortes no trânsito da cidade, mais de três por dia. Apenas dois meses de 2015 haviam tido um número tão alto de mortos.

Dezembro foi ainda o mês com maior número de mortes de motociclistas da série histórica: 56. 

Figueira argumenta que é preciso observar com maior cuidado a atividade de serviços de entrega por aplicativos, que têm se popularizado pela cidade. Segundo ele, os motociclistas deste modelo costumam manter a cultura da moto como um veículo de urgência. “Entregar a sua refeição quentinha não pode ser visto como uma urgência, não pode fazer com que as leis de trânsito sejam desrespeitadas”.

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