Descrição de chapéu Obituário Oscar González-Quevedo Bruzón (1930 - 2019)

Padre Quevedo, estudioso da parapsicologia, morre aos 88 anos em Minas

Religioso ficou famoso em programas de televisão pelo bordão 'isso non ecziste'

São Paulo

Padre Quevedo, jesuíta espanhol radicado no Brasil, morreu na madrugada desta quarta-feira (9) aos 88 anos, em Belo Horizonte (MG). Segundo a Companhia de Jesus do Brasil, de Minas Gerais, o religioso morreu por problemas cardíacos. 

Quevedo estava na casa de repouso dos jesuítas, na capital mineira, quando foi encontrado sem vida. O enterro será nesta quinta (10) no Cemitério Bosque da Esperança a partir das 11h. De acordo com a organização, as cerimônias serão reservadas para familiares, amigos e religiosos.

Padre Quevedo, que morreu nesta quarta (9), em Belo Horizonte
Padre Quevedo, que morreu nesta quarta (9), em Belo Horizonte - FAJE (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia)

Era o programa Fantástico da Globo, começo do ano 2000. No horário nobre da televisão brasileira, aquele homem de ar grave, então aos 69, mostrava um sapo morto, com a boca costurada.

Disse que o animal foi encontrado dentro de um pequeno caixão, e em sua boca havia uma foto dele próprio. "Peço por favor que todos os feiticeiros me façam feitiços. Venham todos contra mim. Não tem poder nenhum."

O cético senhor era padre Quevedo, renomado parapsicólogo —estudioso de fenômenos que parecem transcender as leis da natureza.

Oscar González Quevedo nasceu na Espanha e era filho de um deputado tradicionalista de Madri. Após a prisão e fuzilamento de seu pai, Quevedo precisou fugir com a família por conta da perseguição política, o que os levou ao território de Gibraltar, localizado no extremo sul da península Ibérica. ​

Aos 15 ingressou na Companhia de Jesus —a Ordem dos Jesuítas, congregação católica com propósito missionário e educacional. Às vésperas de completar 29 anos, veio ao Brasil concluir a formação teológica. Naturalizou-se, e dedicou a vida aos estudos da parapsicologia.

O padre jesuíta Oscar Quevedo
O padre jesuíta Oscar Quevedo - Luiz Carlos Murauskas - 20.nov.2010 /Folhapress

Fundou o Centro Latino Americano de Parapsicologia (Clap) —hoje substituído pelo Instituto Padre Quevedo de Parapsicologia—​ e deu aulas do tema no Clap e no Unisal.

Referência na área, o religioso escreveu diversos livros sobre o tema, como "O que é parapsicologia", "A Face Oculta da Mente" e "As Forças Físicas da Mente".

Famoso pelo bordão "isso non ecziste", Quevedo se tornou conhecido por rechaçar pessoas que se declaravam paranormais e se dedicou a ações que tinham como objetivo desmascarar falsos curandeiros e médiuns, além de explicar fenômenos considerados sobrenaturais.

Na TV, teve passagens também por programas como Programa do Ratinho, Superpop e Domingo Legal. Em entrevista ao Estado de S.Paulo em 2011, disse lamentar o afastamento da mídia. "As pessoas começaram a dizer que eu insultava outras religiões, mas a verdade é que não encontravam formas de me contestar e isso incomodava. No final, já não me deixavam falar."

Segundo o padre João Mac Dowell, Quevedo tinha uma "missão educativa em problemas fora do comum, à qual cumpriu com muita competência e generosidade".

Aposentado desde 2012,   quando foi para a casa de repouso dos jesuítas, em Belo Horizonte, ​o caçador de enigmas morreu aos 88 nesta quarta-feira (9), por problemas cardíacos. Deixa familiares, amigos e uma linhagem de semelhantes que se dedicam a esclarecer o oculto.


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Felipe Pinheiro , Guilherme Machado e Paulo Gomes UOL
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