Programa habitacional de Doria vai financiar obras da iniciativa privada

Construídos em terrenos das prefeituras, empreendimentos terão parte das unidades de moradia popular

Mariana Zylberkan
São Paulo

​O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou na manhã deste sábado (2) programa habitacional que irá financiar a construção de empreendimentos da iniciativa privada com parte das unidades destinadas para a moradia popular. 

A partir de terrenos doados pelas prefeituras e com isenção fiscal, as construtoras que erguerem os empreendimentos vão poder oferecer parte das unidades ao mercado após cumprirem a cota mínima prevista pelo programa para atender a população de baixa renda.

O percentual será calculado a partir do preço de referência de cada empreendimento, a ser definido de acordo com a localização. Foi estabelecido um percentual mínimo de 30% das unidades de cada construção ao programa.

 
Doria, de paletó azul marinho e camisa branca, sem gravata, se serve de feijoada em um buffet montado na sede do governo paulista
O governador de SP, João Doria (PSDB), almoça feijoada no Palácio dos Bandeirantes, após reunião com o secretariado, neste sábado (2) - Paulo Guereta/Photo Premium/Folhapress

Dessa forma, o governador prometeu entregar 60 mil unidades habitacionais em todo estado em até quatro anos. O programa Nossa Casa irá demandar investimento de R$ 1 bilhão, segundo o governador. "Cerca de 250 mil pessoas que não têm casa própria passarão a ter", disse. Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas, o estado tem um déficit habitacional de 1,8 milhão de unidades.

Os beneficiados serão selecionados pelas prefeituras de acordo com a renda e terão prioridade as famílias que recebem auxílio-moradia ou vivem em áreas de risco. Cada uma irá receber um cheque-moradia no valor de R$ 30 mil e arcar com o financiamento de até R$ 60 mil em parcelas de R$ 450 mensais. 

Segundo a gestão Doria, o programa vai permitir redução do custo das unidades para a população de baixa renda a partir da negociação de preços e condições especiais com as incorporadoras. 

A prioridade de investimento será para a região metropolitana de São Paulo, onde há maior déficit habitacional, segundo a gestão Doria. "É [um programa] complementar aos programas que já existem", disse o secretário Flávio Amary, que é diretor-executivo do Secovi, sindicato da construção civil. 

Tempo contado

Na entrevista à imprensa realizada na sede do governo paulista, Doria delimitou em até 30 segundos as falas dos secretários durante anúncios de programas nas áreas da Saúde, Habitação e Educação. O governador, porém, extrapolou o cronômetro ao responder pergunta sobre balanço do primeiro mês de governo. "Vou ter que ser sucinto para [avaliar] 30 dias em 30 segundos", disse o governador. 

Doria também comentou a excepcionalidade de ter feito os anúncios em um sábado. "A nossa reunião de secretariado, excepcionalmente, foi realizada hoje, tendo em vista que ontem [sexta-feira] eu estava em Brasília para a posse dos congressistas."

Neste sábado, a gestão Doria anunciou também a contratação de 3.230 professores para a rede estadual neste início de ano letivo.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do informado em versão anterior, o secretário estadual da Habitação de São Paulo, Flavio Amary, não é mais diretor-executivo do Secovi. Ele se afastou da presidência da entidade em dezembro de 2018. O erro foi corrigido.
 

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