Estradas federais têm queda em número de mortes na Semana Santa

Com 50 mortes, índice é o menor em 12 anos, seguindo tendência das estradas federais

Fabrício Lobel
São Paulo

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 759 acidentes e 50 mortes em quatro dias da Semana Santa nas estradas federais do país. Os números são os menores dos últimos 12 anos.

Em relação ao número de acidentes, a redução foi de 11% em relação ao mesmo feriado em 2018. Já entre as mortes, a redução foi de 28,6%.

Esse ainda é um levantamento preliminar da Polícia Rodoviária Federal. A PRF diz ter abordado mais de 109 mil veículos, resultando em mais de 35 mil autuações. Segundo a Polícia Rodoviária, os desrespeitos mais frequentes às normas de trânsito foram a ultrapassagem irregular e o excesso de velocidade, como nos últimos feriados. 

​Há sete anos, as estradas federais têm registrado contínua redução em seus número de mortes. Especialistas na área, porém, têm expressado preocupações com medidas anunciadas pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) que visam flexibilizar a fiscalização das normas de trânsito no país. 

Entre essas medidas estão o aumento do limite de pontos que um motorista pode acumular em sua CNH (carteira nacional de habilitação) e a validade desse documento. Outro anúncio recente de Bolsonaro é a retirada de radares que fiscalizam a velocidade de veículos nas estradas federais.

Uma decisão na Justiça suspendeu a retirada dos equipamentos, mas empresas do setor dizem que há uma suspensão extraoficial dos contratos do sistema por parte do governo. Apenas parte dos radares funciona devidamente, outra parte está aguardando liberação federal para serem instalados e uma terceira parte ainda aguarda a assinatura de contratos que já foram licitados. 

Um levantamento da Folha mostrou que houve a redução de 21,7% no número de mortes nos mesmos quilômetros em que foram instalados os radares em estradas federais.

O Brasil é um dos países com maior número de mortes no trânsito. Anualmente, morrem cerca de 37 mil pessoas. Até 2020 o Brasil tem a meta de reduzir pela metade as mortes no trânsito brasileiro em relação a 2010 —quando houve quase 43 mil casos. O pacto foi firmado junto à ONU.

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