Paraty deve ser reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco

Cidade histórica e Baía de Ilha Grande concorrem a patrimônio misto, cultural e natural

Thiago Amâncio
São Paulo

O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) se reúne, a partir deste domingo (30) e até o próximo dia 10 de julho, em Baku, no Azerbaijão, para decidir quais lugares do planeta merecem o título de Patrimônio Mundial. E Paraty, cidade histórica do litoral fluminense, está na disputa.

Hoje, 1.092 lugares do mundo têm esse título. Deles, 21 estão no Brasil: 14 são considerados patrimônios culturais (como Brasília e os centros históricos de Ouro Preto, Salvador e Olinda, entre outros), e 7, naturais (como a Área de Conservação do Pantanal e o Parque Nacional do Iguaçu).

Paraty deve se somar a essa lista, segundo os pareceres dos órgãos assistentes do comitê da Unesco. 

Mas não é só o centro histórico da cidade colonial que postula o título de patrimônio cultural. A paisagem da região também deve ser reconhecida pelo órgão internacional. Por isso, foi incluída na candidatura toda a região da Baía de Ilha Grande. O pleito é de patrimônio misto, cultural e natural, como são outros 38 locais pelo mundo.

A candidatura de Paraty e Ilha Grande (RJ) envolve uma área de 149 mil hectares, com quatro áreas de conservação (como o Parque Nacional da Serra da Bocaina e o Parque Estadual da Ilha Grande), além de 187 ilhas no total.

Entrar na lista é importante porque, com o título, “esse lugar é reconhecido como excepcional”, explica a presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Kátia Bogéa. 

“A partir disso, o planeta todo volta seu olhar àquele lugar. E aumenta também a responsabilidade do país, porque tem obrigações de fazer toda a proteção e preservação desse sítio”, diz ela. “A primeira consequência é otimizar a questão do turismo, claro que de forma sustentável.”

A cidade já havia concorrido ao título de Patrimônio Mundial antes, em 2009, sem sucesso. “Existia uma resistência grande do Comitê a novas entradas de cidades coloniais, porque há muitas dessas na lista da Unesco”, afirma a presidente do órgão. 

“Agora, estamos apresentando não apenas a cidade colonial, mas um lugar de natureza exuberante, excepcional”, afirma Bogéa.

Mapa de litoral
Área de preservação de Paraty, que integra dossiê para candidatura a Patrimônio Cultural e Natural da Unesco - Iphan/Divulgação

Levantamento do Iphan aponta que há, no local, 36 espécies vegetais consideradas raras, numa região de Mata Atlântica com forte presença de aves e sapos e pererecas, além de registros de mamíferos como a onça-pintada e o muriqui, maior primata do continente americano.

Há, também, duas terras indígenas, dois territórios quilombolas e 28 comunidades caiçaras. Os primeiros registros de povoamentos datam de 4 mil anos, diz o órgão.

Fundada em 1667, Paraty foi uma das cidades portuárias mais importantes do período colonial, por ser o fim da movimentada rota de escoamento do ouro minerado em Minas Gerais. 

O conjunto arquitetônico da cidade já é tombado pelo Iphan desde 1958. 

O comitê da Unesco se reunirá até o dia 10, mas espera-se que o resultado sobre a candidatura brasileira saia até o próximo fim de semana.

Desde julho do ano passado, quando a candidatura da cidade foi aceita, o local tem recebido visitas de especialistas da Unesco para avaliar a área. 

Houve uma série de exigências, diz Bogéa, sobretudo em relação a questões ambientais. O órgão analisou, por exemplo, o tipo de proteção ambiental a que a região estava sujeita segundo as leis brasileiras.

O Brasil vota na eleição, além de outros 20 países, como China, Cuba, Espanha, Noruega e Uganda, entre outros.

Também concorre ao título de patrimônio misto a cidade de Ocrida, na Albânia.

Patrimônios mundiais que não forem bem conservados podem perder o título. A Unesco tem uma lista de bens em perigo, e a eleição em Bako, no Azerbaijão, também decide quais sítios farão parte desse rol. Concorrem à infame participação seis sítios, entre eles as ruínas da Babilônia, no Iraque, e ilhas e áreas protegidas no golfo da Califórnia, no México.


Alguns dos outros Patrimônios Mundiais da Unesco no Brasil

Patrimônio cultural 

  • Cidade Histórica de Ouro Preto (MG)
  • Centro Histórico de Olinda (PE)
  • Centro Histórico de Salvador (BA)
  • Plano Piloto de Brasília (DF)
  • Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
  • Paisagens do Rio de Janeiro
  • Conjunto Moderno da Pampulha (MG)

Patrimônio natural 

  • Parque Nacional do Iguaçu (PR)
  • Costa do Descobrimento (BA e ES)
  • Áreas Protegidas da Amazônia Central
  • Áreas Protegidas do Pantanal (MT e MS)
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