Damares diz que proteção a religiões africanas terá 'atenção especial' do governo Bolsonaro

Em evento nos EUA, ministra afirmou que Brasil está preocupado com 'perseguição a cristãos' e que é preciso combater o ódio

Marina Dias
Washington

A ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) afirmou nesta quinta-feira (18) nos EUA que o governo Jair Bolsonaro vai promover uma série de iniciativas para garantir o exercício da liberdade religiosa no Brasil, com atenção especial às religiões de matrizes africanas.

Durante evento no Departamento de Estado americano, a ministra disse ainda que o governo brasileiro está preocupado especialmente com a perseguição contra cristãos pelo mundo e que criará uma coordenação nacional e um comitê específico —chefiados por sua pasta— para tratarem da proteção ao livre exercício religioso. 

Damares, porém, não explicou ou deu detalhes sobre as ações que seriam desempenhadas pelos novos órgãos.

"Aproveito a oportunidade para anunciar duas grandes iniciativas do governo brasileiro: instituiremos, nos próximos dias, um comitê nacional de liberdade religiosa e de crença. Será criada também, no âmbito do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, uma coordenação nacional destinada a promover ações e iniciativas para garantir o pleno exercício da liberdade religiosa. Será dada uma atenção especial às religiões de matriz africana", declarou a ministra.

"O atual governo brasileiro está seriamente preocupado com os contínuos atos de intolerância e violência baseados em religião ou crença. Estamos particularmente apreensivos com a perseguição contra cristãos em diferentes partes do mundo. Não dá mais para admitir a perseguição e a morte de tantos cristão no mundo", completou.

Em discurso de menos de quatro minutos, Damares afirmou que, para enfrentar a perseguição religiosa, é preciso "combater narrativas que promovam o ódio e repudiar legislações que restrinjam a liberdade religiosa", mas disse que essa não é apenas uma responsabilidade do governo federal.

"Os líderes religiosos também desempenham papel central em razão da influência que exercem na sociedade."

Parte da base eleitoral de Jair Bolsonaro é evangélica, assim como a ministra, e o presidente —que é católico— diversas vezes é acusado por críticos e opositores de praticar discurso de ódio em relação a minorias.

Damares participou nesta quinta de evento promovido pelo governo americano com diversas autoridades dos EUA e do mundo para tratar de liberdade religiosa.

O presidente americano Donald Trump também tem parte de sua base ligada aos evangélicos e, por várias vezes, recorre a discursos agressivos, considerados racistas, para inflamar eleitores às vésperas da eleição.
 

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