Gatos celebridade atraem fãs em convenção na Califórnia, nos Estados Unidos

Felinos famosos nas redes sociais geram renda para os donos e levantam dinheiro para organizações de proteção

Fernanda Ezabella
Pasadena (EUA)

A galinha dos ovos de ouro virou gato, transformado em influenciador digital. Cercados de mimos, patrocinadores e às vezes até de equipe de TV, felinos famosos do Instagram e do YouTube trazem emprego e dinheiro aos donos, enquanto ajudam em causas nobres como divulgar adoção de animais e espantar o tédio nosso de cada dia com fotos fofas.

A chegada da gatinha Nala ao centro de convenções de Pasadena foi digna de estrela, na quinta edição do CatCon, maior evento do mundo dedicado aos bichanos. O evento aconteceu no último final de semana e trouxe 16 mil visitantes e 200 vendedores. 

Nala tem oito anos e 4 milhões de seguidores no Instagram, um recorde. Uma pequena multidão cercou sua dona, Shannon Ellis, que levava a gata numa mala de couro verde. Quando Nala mostrava o focinho na janelinha, os presentes se derretiam em elogios e apontavam celulares. 

“Com certeza ela sabe que é famosa. Ela ama atenção”, disse Ellis à Folha.

Segundo a dona, Nala já trabalhou com ao menos 30 marcas e gera renda equivalente à de três empregos. “Sustentamos nossa família e compramos duas casas”, disse. Ellis é casada com Pookie Methachittiphan, que adotou Nala aos cinco meses e começou a conta para manter informada a família na Tailândia.

“Nala mudou a vida de Pookie. Pookie veio aos EUA estudar ciência da computação, mas acabou mudando de curso para marketing”, contou Ellis, que conheceu Pookie ao confeccionar gravatas de gato para a loja online de Nala. 

Além de vender todo tipo de mercadoria, de capinha de celular a almofadas, a gata também promove causas e doações para campanhas, como esterilização de animais, já que 75% dos que vão parar em abrigos são mortos para conter superpopulação.

Assim como outros felinos celebridade, Nala veio ao CatCon conhecer fãs, que pagaram entre US$ 40 e US$ 75 para encontros individuais (metade do preço foi doado a organizações sem fins lucrativos). Em tendas, gatos passaram uma hora e meia recebendo gente para fotos e cafunés.

As irmãs Bria e Asha Wallace dirigiram por cinco horas para conhecer Arlo, um gato da raça sphynx, sem pelagem, cuja aparência peculiar lhe rendeu o apelido de Dark Lord. Vestido com um colete preto de asinhas, ele descansava numa cama e só tentou fugir uma vez.

“A gente tinha um sphynx que morreu em agosto e, desde então, seguimos mais e mais gatos sem pelos”, conta Bria, 25, engenheira de software. “Foi incrível conhecer Dark Lord. Nosso gato não era nada legal com estranhos. Ele mordia, arranhava, era durão. Mas Dark Lord foi super doce.”

Os 50 encontros com o gato estavam esgotados (US$ 40), enquanto as donas também vendiam velas (US$ 24) e broches (US$ 14) no salão. A fama veio em fevereiro de 2018, após imagens de Dark Lord viralizarem: ele aparecia sentado em cima de uma geladeira, numa posição esquisita (seus joelhos pareciam humanos) e olhar ameaçador.

A dona Raphaelle Oriol diz que não quer comercializar o gato demais e faz o mínimo de parcerias. Uma delas foi com uma marca de óleo de canabidiol (CBD) para ajudar no stress do animal nas viagens. Para conhecer os fãs, ela diz que não usou medicamento. “Mas o CBD está na bolsa caso ele fique ansioso”, disse Oriol. 

Outro gato bajulado foi Prince Michael, da raça british shorthair, estrela do canal YouTube Aaron’s Animals. Os vídeos mais populares foram vistos 20 milhões de vezes, muitos sobre os felinos em situações cotidianas do mundo humano. Um deles mostra gatinhos trabalhando num escritório, tirando xerox e atendendo telefonemas. 

O dono Aaron Benitez é especialista em efeitos especiais e garante que ninguém é maltratado nas filmagens. Ele lidera uma equipe de dez pessoas. Os vídeos de até cinco minutos custam alguns milhares de dólares.

A escritora Laura Moss, que divulgava seu site e livro sobre gatos aventureiros, Adventure Cats, no CatCon, acredita que muitos tentam monetizar seus gatos pelas razões erradas e pouquíssimas têm sucesso. “Gatos são difíceis, só fazem o que querem”, disse. “Então, tem que ser, antes de tudo, um trabalho de amor.”

Desde sua criação em 2015, CatCon já levantou mais de US$ 190 mil para organizações sem fins lucrativos nos EUA. Na Vila de Adoção montada no local, cerca de 200 gatos ganharam novos donos.
Para Michelle Sathe, diretora de comunicação da Best Friends Animal Society, a onda de influenciadores felinos tem sido positiva para acabar com o preconceito de que só “crazy cat ladies” adotam gatos.

“Toda vez que você compartilha uma foto bacana, você aumenta o interesse por gatos”, disse Sathe. Para adotar um gato sucesso de Instagram, ela recomenda um incrivelmente lindo ou bem diferente. “Mas todo mundo acha que seu gato é o mais lindo ou interessante. O que importa é ser especial para você.”

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