Maioria dos detentos em presídio do massacre de Altamira é de presos provisórios

Dos 206 internos, 120 ainda não têm condenação definitiva; governo do PA não informou perfil dos mortos

Fabiano Maisonnave
Altamira (PA)

Palco do mais recente massacre do sistema carcerário, o Centro de Recuperação Regional de Altamira tem a maioria dos seus presos sem julgamento. O levantamento é da Defensoria Pública do Pará e não inclui a situação jurídica dos 62 internos mortos.

Atualmente, há 206 internos no presídio, parcialmente incendiado durante a rebelião da última segunda-feira (29). Desses, 120 são provisórios, 69 foram condenados e 17 têm tanto condenação quanto processos não julgados.

Movimentação em frente ao IML de Altamira, onde famílias aguardam para reconhecer corpos de presos mortos em rebelião no presídio da cidade - Danilo Verpa/Folhapress

Na terça-feira (3), a reportagem da Folha solicitou à Secretária de Segurança Pública do Pará perfil dos presos mortos, mas não obteve resposta até a conclusão deste texto.

A necropsia dos mortos foi concluída pelo IML, ou seja, já foi feita a coleta de material genético, mas apenas 27 corpos haviam sido liberados após a identificação.

Nesta quinta-feira (1), o caminhão frigorífico com os corpos foi levado a um quartel da PM por questões de segurança e para desobstruir a rua. 

A unidade tem capacidade para 208 internos, mas abrigava cerca de 300 presos quando houve a rebelião.

Inspeção do do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) no ano passado classificou as instalações como “péssimas". Além de superlotada, avaliou que "o quantitativo de agentes é reduzido frente ao número de internos custodiados”.

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