Ambulância atropela criança de patinete na avenida Rebouças, em São Paulo

Acidente, filmado em vídeo, ocorreu na noite de sexta (4); menino de 9 anos teve fratura exposta

São Paulo

Um garoto de nove anos foi atropelado por uma ambulância na noite de sexta-feira (4), quando andava de patinete na avenida Rebouças, no sentido centro da capital paulista. O menino sofreu fratura exposta na perna esquerda e foi socorrido ao HC (Hospital das Clínicas). 

A regulamentação do uso de patinetes elétricas em São Paulo proíbe seu manuseio por menores de idade.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, o motorista da ambulância, de 49 anos, contou que estava indo para a garagem da empresa e, ao cruzar a rua Capitão Prudente, percebeu que havia atropelado o garoto. Segundo o motorista, o sinal estava aberto para ele no momento do acidente.

O menino foi socorrido pela médica e pelo enfermeiro que estavam na ambulância, e posteriormente foi encaminhado para o HC, onde passou por uma cirurgia.

Ainda de acordo com o Boletim de Ocorrência, o menino e outro garoto acompanhavam o motorista de um caminhão responsável por fazer o recolhimento das patinetes da empresa Lime.

À Folha, o condutor desse caminhão disse que os meninos são seus vizinhos e ele teria oferecido "levá-los para um passeio" enquanto ele recolhia as patinetes. Ele diz que se cadastrou no aplicativo da Lime para fazer esse serviço. Até a tarde deste sábado (5), segundo afirma, a empresa não havia entrado em contato com ele. 

Em nota, a Lime afirma que está averiguando junto às autoridades as condições nas quais o acidente aconteceu e reitera sua política de não contratação de colaboradores menores de idade.

Ao jornal Agora, do Grupo Folha, a empresa afirmou que o equipamento estava inativo e bloqueado no momento do acidente, ou seja, o garoto não havia desbloqueado a patinete.

A empresa diz lamentar o ocorrido e que continuará atuando em colaboração com as autoridades no caso. 

Em nota, a empresa Max Emergências Médicas, responsável pela ambulância, diz que lamenta o ocorrido e que aguarda a investigação policial do acidente. No entanto, afirma que o veículo trafegava a 35km/h, dentro do limite de velocidade, e que o farol estava aberto para a ambulância. 

A empresa diz se solidarizar com o menino e sua família. 

O caso foi registrado no 14º DP (Pinheiros) como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. O motorista passou por teste de etilômetro, que resultou negativo. Foi requisitada perícia para o local e exame de corpo de delito para a vítima.

PRIMEIRA MORTE

Em setembro, um empresário morreu após um acidente com uma patinete elétrica em Belo Horizonte.

Roberto Pinto Batista Júnior, 43, caiu da patinete em uma rua do centro da capital mineira, bateu a cabeça em um bloco de concreto e teve traumatismo craniano. Ele trafegava em uma ciclovia no momento do acidente.

Segundo a secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Roberto teve duas paradas cardiorrespiratórias no local do acidente. Atendido por uma ambulância, ele foi encaminhado para o pronto-socorro do Hospital João 23, mas não resistiu ao ferimento.

Este foi o primeiro acidente com morte no Brasil envolvendo patinetes elétricas, que podem chegar a uma velocidade de 20 km/h.

Os equipamentos ganharam popularidade desde o ano passado, quando serviços de compartilhamento de patinetes foram instalados em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Casos semelhantes aconteceram nos últimos meses na Europa. Em junho, um homem de 25 anos morreu em um acidente com patinete em Paris.

Em julho, uma youtuber britânica de 35 anos morreu após chocar-se com um caminhão. 

A cidade de Belo Horizonte ainda não possui legislação que regule o uso de patinetes elétricas.

Um projeto chegou a ser aprovado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte, mas foi vetado pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD). Os vereadores mantiveram o veto. 

Em nota, a prefeitura de Belo Horizonte informou que está realizando estudos para regulamentar o uso do equipamento.

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) sancionou em maio deste ano uma lei que regula o transporte por patinetes elétricas, com multas de R$ 100 a R$ 20 mil para usuários e empresas dona das patinetes em caso de infrações. 

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