Governo Doria quer início de obras de trem para Campinas em 2021

Concessão das linhas 8-diamante e 9-esmeralda da CPTM deve ser feita em 2020

Fabrício Lobel
São Paulo

O governo João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (30) o cronograma com que deseja avançar em dois dos maiores projetos de transporte em São Paulo: o Trem Intercidades, que deverá ligar São Paulo a Campinas, e as concessões das linhas 7-rubi, 8-diamante e 9-esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). 

Segundo apresentação feita num evento na sede do governo estadual, o plano de Doria é assinar os contratos de obras do Trem Intercidades até janeiro de 2021. O projeto deve ser lançado junto com a concessão da linha 7-rubi, que liga São Paulo até a cidade de Jundiaí. 

Nos últimos 16 anos já foram apresentados quatro projetos do tipo, incluindo um do governo federal. Sem estudos aprofundados e garantias de financiamento, os planos nunca avançaram. Até mesmo Doria chegou a prometer em campanha eleitoral uma malha maior do que esta que vem sendo anunciada. 

Estação da Luz, onde desembarcam passageiros da linha 7-rubi
Estação da Luz, onde desembarcam passageiros da linha 7-rubi - Eduardo Anizelli/Folhapress

O trecho de trem de São Paulo até Campinas deverá utilizar a estrutura da linha 7; por isso, a concessão dos dois serviços deve ser feita num mesmo pacote. Até o fim deste ano, o governo do estado quer ter em mãos o modelo financeiro que deverá definir este serviço. 

A expectativa é de que audiências e consultas públicas ocorram até março de 2020. Por este plano, o edital de concessão da linha 7 e de construção do trem até Campinas deverá ser publicado em junho de 2020. O governo espera assinar os contratos em 2021.

Isso não significa, porém, que o serviço já estará disponível nesta data. No caso da linha da CPTM, costumeiramente é preciso ainda um período de transição até a concessão.

Já para o Trem Intercidades deverão ser necessárias intervenções e obras nos trilhos que já existem entre Jundiaí e Campinas, que hoje estão concedidos pelo governo federal a trens de carga. Um modelo que permita também o transporte de passageiros está em desenvolvimento. 

Além disso, investidores já se preocupam com a necessidade de levar cabos de energia elétrica para alimentar os trens nesse novo trecho. O governo estadual ainda estuda o prazo de obras neste trecho até que o serviço seja entregue. 

Segundo o anúncio do governo, o Trem Intercidades prevê viagens expressas com paradas de 50 km ou 200 km. Os trens deverão ainda ter ar-condicionado, Wifi, serviço de bordo e velocidade acima de 120 km/h. 

A pesquisa Origem e Destino do Metrô indica que mais de 65 mil viagens são feitas diariamente desde a região de Campinas até São Paulo pelas estradas paulistas. 

A apresentação do governo Doria desta quarta-feira não citou levar os trens até Americana, Baixada Santista e Vale do Paraíba, regiões que seriam originalmente contempladas pelo projeto, segundo promessas eleitorais de Doria. 

Já as linhas 8-diamante e 9-esmeralda, da CPTM, devem receber as propostas da iniciativa privadas até setembro de 2020, segundo os planos de Doria. Desde setembro, o projeto é analisado pela IFC (sigla em inglês para Corporação Financeira Internacional), vinculada ao Banco Mundial. A publicação do edital deve ocorrer em maio de 2020.

Com esta concessão o governo diz esperar a diminuição da espera entre os trens. A linha 8-diamante (com destino a Itapevi) e 9-esmeralda (que liga Osasco à zona sul de São Paulo) transportam mais de um milhão de passageiros por dia. 

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