Descrição de chapéu Obituário Maria de Lourdes Nunes Ramalho (1920 - 2019)

Mortes: Encantou os filhos com a leitura e com o teatro

Ia à feira de Campina Grande para escutar as conversas, que anotava em um caderninho

Jorge Cosme
São Paulo

Maria de Lourdes Nunes Ramalho era a mais velha de 11 irmãos. Cresceu em um lar sempre cheio, e carregou esse hábito ao longo da vida. Sua casa estava sempre lotada.

Lourdes, que se tornaria escritora, dramaturga, professora, poetisa e pesquisadora, nasceu em 23 de agosto de 1920 em Ouro Branco (RN).

 

O prazer pela leitura veio ainda na adolescência. À noite, lia um livro atrás do outro à luz do lampião em uma época em que a combinação entre mulheres e livros era mal vista pela sociedade.

Na cidade de Santa Luzia (RN), para onde a família se mudou depois de se sentir perseguida pela origem judaica, Lourdes conheceu Luiz, um juiz recém-empossado. 

Tiveram uma menina e quatro meninos. Às crianças, contava clássicos como "As Mil e Uma Noites", mas os olhos delas brilhavam mais quando ouviam as aventuras inventadas pela mãe, que as colocava como personagens. 

Foi em Campina Grande (PB) que a família se radicou em 1957. Lá, Lourdes apresentou sua primeira peça, "Ingrato É o Céu", que narrava a seca no sertão e tinha seus filhos como atores. 

Escrevia com frequência. Ia duas vezes por semana à Feira Central de Campina Grande para escutar as conversas dos frequentadores e anotava o que ouvia em um caderninho. Depois, transformava os causos em novos textos.

Lourdes foi premiada e homenageada no Brasil e no exterior, mas não gostava de holofotes. Sem apego a direitos autorais, perdeu vários textos, pois os emprestava e não recebia de volta.

Lourdes morreu em casa. Deixa cinco filhos, 18 netos e 22 bisnetos.


coluna.obituario@grupofolha.com.br

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