São Paulo vive ciclo de tempo seco, chuvas e pernilongos

Baixa umidade traz problemas respiratórios; já os mosquitos causam irritação

Patrícia Pasquini
São Paulo

Está aberta a temporada favorável à tosse, dor de garganta, ardência nos olhos e no nariz, crises de asma, bronquite e viroses.

Esses são os problemas que acompanham a população quando o tempo está muito seco. Idosos e crianças sofrem mais, e a procura pelos serviços de saúde aumenta.

Segundo o Núcleo de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado de São Paulo, o volume de chuva será baixo em outubro e novembro; dezembro promete ser mais molhado e deve terminar com chuvas acima da média. 

Paulistano se hidrata em dia de sol e calor no viaduto do Chá, na região central de São Paulo
Paulistano se hidrata em dia de sol e calor no viaduto do Chá, na região central de São Paulo - 11.set.2019 - Ronny Santos/ Folhapress

A coordenadora da UTI do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, Alessandra Geisler Dud Lopes, diz que, com o tempo seco, 70% dos atendimentos do pronto-socorro são por causas respiratórias. Em julho deste ano, 3.300 crianças passaram pelo PS; em setembro, o número subiu para 4.300.

Nos serviços gerenciados pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, as estações mais secas do ano provocam um aumento de pelo menos 30% no atendimento nas unidades de saúde da capital a pessoas que apresentam problemas respiratórios.

Na rede privada, a situação não seria diferente. No Sabará Hospital Infantil, de janeiro a setembro de 2019 foram atendidas no PS 1.463 crianças, com 709 internações. A síndrome gripal levou 10,7 mil ao hospital, com 55 internações.

Os picos de atendimento ocorreram nos meses mais secos, como era de se esperar. “A baixa umidade vem acompanhada de um aumento dos poluentes ambientais, que favorecem o aparecimento de alergias e aumentam a chance de desenvolver rinite e problemas na garganta, em especial entre setembro e novembro”, afirma Francisco Ivanildo Oliveira Júnior, infectologista do Sabará.

O médico faz um alerta: se além dos sintomas causados pela secura também houver apatia, febre, falta de ar, chiado no peito e diminuição de apetite e de urina, a doença pode ser mais séria.

Idosos devem ter atenção redobrada porque desidratam com facilidade, uma vez que a quantidade de líquido presente no organismo é menor, se comparado a crianças e adultos.

Além disso, a região do cérebro responsável por desencadear a sede funciona menos que no adulto jovem. Ou seja, idosos devem ser estimulados a beber água mesmo que não tenham vontade.

A combinação do calor excessivo com as pancadas rápidas de chuva torna o cenário perfeito para o pernilongo (Culex) buscar alimento.

É um mosquito cosmopolita, de zumbido persistente e irritante que se alimenta de sangue no horário em que as pessoas estão em repouso.

A fêmea é atraída pela luz natural e pelo gás carbônico emitido na respiração. Após voar perto do rosto, escolhe um local para picar. Por meio do sangue, ela obtém proteína para produzir mais ovos.

Sua reprodução é tão intensa quanto o incômodo que causa. “A fêmea do pernilongo deposita pelo menos 50 ovos a cada ciclo, que dura cerca de quatro dias”, explica a professora associada ao Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Margareth Capurro. 

Os pernilongos gostam de água suja. Na capital paulista, quem mora perto de rios, como o Pinheiros e Tietê, e de esgotos a céu aberto sofre mais com a presença deles, apesar de a prefeitura realizar ações de combate a pernilongos nos rios durante o ano. 

“As formas de controle não são eficazes. Para vencer a quantidade de mosquitos, precisaríamos ter programas de saneamento básico e modificação de moradias.”

A professora explica que as atuais ações de controle deveriam ser intensificadas no inverno, porque os mosquitos estão em menor quantidade e o desenvolvimento é mais lento.

A boa notícia, segundo Capurro, é que as doenças transmitidas pela picada do pernilongo estão desaparecendo. “O último foco endêmico de filariose ocorreu no Recife (PE) há uns quatro anos.”
A previsão da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que a doença seja considerada eliminada em 2020. 

O Culex pode ainda transmitir a febre do nilo ocidental, uma infecção viral assim como dengue, zika e chikungunya (essas três transmitidas pelo Aedes). De acordo com o Ministério da Saúde, entre junho de 2017 e junho de 2019, foram identificados 61 casos suspeitos no país, dos quais 46 (75,4%) foram descartados.

Recomendações para sobreviver a São Paulo

Alimente-se corretamente

Beba 250 ml de água por hora, caso esteja ao ar livre; em ambientes fechados, esse tempo sobe para 2 h

Lave o nariz com soro fisiológico de 4 a 6 vezes ao dia; o mesmo vale para colírios de limpeza (sem medicação)

As janelas devem ficar fechadas, porque a transpiração deixa o ambiente com a umidade mais adequada

Evite aglomerações

Evite praticar esportes ao ar livre

Se a umidade estiver abaixo de 30%, o ideal é não sair de casa

Se os índices de umidade estiverem abaixo de 20%, utilize umidificadores

Pernilongos

Em ambiente fechado, a única forma de se proteger é utilizar telas nas janelas

Não saia de casa sem repelente (preste atenção na indicação do produto, pois alguns oferecem proteção por menos tempo)

Dê prioridade a roupas de algodão fino com mangas e calças compridas

 

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.