Descrição de chapéu Alalaô

Prefeitura de SP cancela autorização de bloco na região da cracolândia

Festa acontece desde 2015; foliões saíram às ruas apesar de ato da prefeitura

São Paulo

A Prefeitura de São Paulo cancelou a autorização para o Blocolândia, bloco que sai há cinco anos na região da cracolândia, formado por trabalhadores e dependentes químicos que frequentam o local, no centro de São Paulo. Apesar disso, os foliões saíram às ruas.

O cancelamento foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (21) e, segundo a publicação, ocorreu por determinação da Polícia Militar. À Folha​, a prefeitura afirmou que apenas cumpriu a determinação da PM, mas não explicou o que a corporação alegou. A PM disse que "sugeriu ao poder público municipal a não realização do evento no local em razão do risco que a aglomeração de foliões pode levar às pessoas em situação de vulnerabilidade".

O Blocolândia ainda constava na programação oficial do site da prefeitura. Mesmo com o cancelamento, os foliões saíram às ruas. A festa começou às 13h na rua Helvetia e deve durar até as 18h, circulando num percurso que segue pelas ruas Dino Bueno, al. Ribeiro da Silva e al. Cleveland até retornar para a r. Helvétia.

O canta marchinhas sobre a relação com o crack e a sobre como são vistos pela população. Em 2017, por exemplo, cantavam marchinhas que diziam "No sol, na lua/O bloco da pedra tá na rua/Eu viro pedra, eu viro pó/Eu já sou crack pra desenrolar os nós" e "Não sou escória/Não sou zumbi/Cidade inglória/Ouve minha história/Não vem tirar meu povo daqui".

 

Leôncio Nascimento, um dos organizadores do bloco, diz que o bloco não foi avisado oficialmente da decisão, que teria sido tomada na noite de quinta (20). "A gente recebeu autorização em outubro, passaram três meses e agora, às vésperas do bloco sair, descobrimos por outro meio que não poderemos mais", reclama ele.

"A alegação é de que foi cancelado pela falta de segurança, mas o bloco acontece desde 2015 e nunca houve um episódio de violência. Nem no bloco nem em outros eventos que organizamos, como festa junina, exibição de filmes, rodas de conversa", afirma.

"Apesar da Blocolândia estar cadastrada como bloco de carnaval, foi pensada no sentido de levar cuidado para as pessoas, levar cultura, redução de danos, falar sobre as consequências do uso abusivo de drogas, dos riscos de infecções por doenças sexualmente transmissíveis, por hepatites diversas, tuberculose, uma série de vulnerabilidades que estão dadas lá", diz ele.

Leôncio afirma que a instituição sob a qual o bloco foi cadastrado recebeu orientação para não seguir com o bloco, "mas é uma mobilização popular que vai acontecer independentemente da vontade dos outros. A iniciativa é popular", diz ele, que lembra que no credenciamento foi orientado pela própria Secretaria Municipal da Cultura a formalizar o bloco como um bloco tradicional de carnaval nos próximos anos.

A cracolândia está no foco do poder público e passa por intensas transformações.

O Governo de SP já inaugurou ali, nas imediações da estação de trem Júlio Prestes, cinco prédios residenciais, com 914 moradias, e deve entregar mais dois prédios com 216 unidades até abril. 

No total, a PPP do Centro prevê a construção de 2.260 apartamentos de interesse social, que tem financiamento para a população com renda de até R$ 5.724, além de 1.423 unidades para venda no mercado para quem tem renda superior a isso.

Um desses prédios, com unidades para venda no mercado, ficará bem em frente onde hoje se concentra a maior parte dos dependentes químicos, em um local conhecido como Praça do Cachimbo.

No entorno, em outra PPP, uma quadra inteira foi demolida para dar lugar à nova sede do hospital Perola Byington, cuja promessa é de que já estivesse funcionando em 2017, mas ainda não foi construído.

O governo agora avança para as duas quadras ao lado de onde será o hospital, local em que prevê construir mais 681 apartamentos.

Agora, governo e prefeitura têm tentado convencer dependentes químicos a procurar tratamento em uma nova tenda na esquina da rua Porto Seguro com a avenida Cruzeiro do Sul

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.